31.5.09

Há coisas que nunca mudam (2)

Ora tentem adivinhar o que é que eu oiço, mais uma vez, da janela do meu quarto.



fs

A divisão do Mundo

O Mundo divide-se entre os que comem Nestum e os que comem Cerelac.

jtf

Este Falso Império


João, a propósito dos The National (uma das minhas bandas-fetiche dos últimos tempos), aqui deixo o meu tema preferido. Espero, com isto, convencer-te a entrar no grupo. Bom fim-de-semana.

jtf

29.5.09

Hoje já escrevi demasiado aqui,

e ainda por cima, foi tudo paredes de texto, que eu sou chato como tudo quando estou assim vagamente entediado. Não vos vou maçar pelo menos até domingo, já que vou ao Alentejo estorricar um bocadinho e ver se abasteço o frigorífico com produtos lá da horta e das matanças de porco. Mas é necessário deixar aqui um apontamento, que é voltar a ver o maradona em grande forma, neste post e neste também. Por acaso nunca vi o Lost in Translation, mas o Assalto ao Arranha Céus é realmente um grande filme. E os The National... bom, não conheço muito, apesar de a febre por eles ter andado a espalhar-se aqui pela blogocoisa mais ou menos por estas alturas no ano passado (lembro-me de o Pedro Mexia os mencionar algumas vezes, entre outros). Por acaso calhou vê-los no ano passado no Oeiras Alive, já que eles foram tocar no dia de Rage Against the Machine. E posso dizer que o concerto dos The National teve duas partes: a primeira, uma seca monumental, enquanto o vocalista esteve sóbrio; e a segunda, quando o gajo finalmente acabou a garrafa de vinho ou espumante ou lá o que era que estava a beber, e começou finalmente a esgalhar um bocado. Já foi bonzinho, se bem que depois do grande concerto que os Vampire Weekend deram no palco secundário, exigia-se muito mais. Enfim, também agora não me ocorre assim nenhuma música dos The National, portanto deixo-vos com outra sugestão: há na Gare do Oriente uma feira de discos e filmes que tem coisas absolutamente espantosas, como as edições japonesas dos EPs de Radiohead. Uma parte de mim está feliz por o cheque do meu ordenado ainda não estar disponível no meu saldo bancário, ou já teria entrado em despesas. Outra parte de mim vai agora chorar um bocadinho ali para a cama por só me restar dinheiro para os cigarros e para o bilhete de comboio amanhã.

Enfim, bom fim-de-semana.

john

Haja alguém com bom senso.

No caso, o presidente da câmara de Grândola, que parece disposto a declarar guerra à Refer por causa do traçado de uma linha de comboio de mercadorias entre Sines e Badajoz. Mas não se trata de ser simplesmente do contra: de acordo com o "i", o autarca interroga-se (e bem) sobre a necessidade de fazer um troço novo, quando já existe um entre Sines e a povoação das Ermidas.

Pessoalmente, interrogo-me: e porquê um traçado só de mercadorias? Se há projecto, porque não aproveitar para levar comboios de passageiros a Santiago do Cacém, e a toda aquela zona da costa vicentina?

john

Têm uma razão e meia para desconfiar de mim:

(...) acho que é de desconfiar de qualquer pessoa que não goste de cães ou que não goste de praia, por Sam no Serendipity*. Podem desconfiar: gosto mais ou menos de cães (entre mamíferos domésticos, prefiro gatos), e não gosto mesmo de praia, do conceito de fazer praia.

E não, essa aversão não se deve apenas ao facto de não saber nadar e, consequente, fazer sempre uma figura ridícula dentro de água, mesmo que a água nem me chegue às partes. Simplesmente acho todo o conceito de fazer praia profundamente desconfortável. Estar deitado em cima de areia escaldante debaixo de um sol não menos escaldante não faz parte das minhas ideias de diversão. Areia. Sempre a areia: tentamos caminhar sobre ela e torra-nos os pés. Enfia-se em todo o lado. Incomoda. Chateia.

É como a ideia de estar bronzeado. Juro que ainda não consegui descobrir uma razão suficientemente boa para eu querer perder durante dois meses a minha cor pálida para depois passar outros dois com a pele a dois tons, a dar a sensação de que ando a saltar os duches matinais.

E, como alguém dizia, o inferno são os outros. Isso vê-se na praia: as disputazinhas estúpidas por um metro quadrado de areia escaldante onde estender a toalha e encaixar a geleira, a discussão do "essa é a minha sombra" porque, lá está, a Terra gira à volta do Sol e, consequentemente, as sombras tendem a mover-se. Bolas a voar de um lado para o outro. Perguntam-me: então e as gajas? Sim, as gajas. Em biquini, algumas mais ousadas em topless. Mas reparem: as miúdas giras, em biquini ou em topless, nunca armam a tenda ao meu (vosso) lado, esteja a praia vazia ou a abarrotar. Já aquela senhora que devia ter deixado de fazer topless há pelo menos trinta anos funciona com precisão matemática, e ocupará o parco espacinho perto da minha (vossa) toalha. Provavelmente até dará início à discussão "essa sombra é minha".

Curiosamente gosto muito do mar. Gosto de observá-lo na minha terra, do cimo das falésias, enquanto vejo as ondas esmagarem-se contra os rochedos lá em baixo e acompanho a subida e a descida da maré. Gosto de estar na falésia à noite, quando o céu está limpo, e apenas a Lua dá alguma luz. E de praia, gosto das esplanadas. Gosto muito de uma boa esplanada de praia: de estar confortavelmente sentado numa cadeira, à sombra de um belo guarda-sol, a saborear uma cerveja bem geladinha e a ler um livro, ou simplesmente a conversar com uma boa companhia. E sim: quando estou na esplanada da praia, a sombra é minha.

john

*Serendipity é uma palavra inglesa da qual, confesso, gosto muito - tanto do som em si, como do conceito.

Eu não queria escrever mais sobre a ERC e a TVI hoje, mas

... é inevitável. No Expresso: Trejeitos de Manuela Moura Guedes criticados na ERC. No interior da notícia: [Estrela Serrano] Defende mesmo que o poder de supervisão do regulador pode abranger "os comportamentos individuais dos jornalistas" e, assim, "o modo de apresentação e condução do Jornal Nacional de Sexta", a "muito peculiar linguagem gestual e facial da sua apresentadora" deviam ter sido tidos em conta. Para a vogal da ERC, no caso de Moura Guedes, estes aspectos físicos representam "uma violação grave dos princípios do rigor e isenção da informação".

E, sobre esta: ERC arrasa TVI por não dar voz a Sócrates, fica-me uma dúvida: quem recusa aqui é a TVI a dar voz ao primeiro-ministro, ou o primeiro-ministro a ir à TVI? É que se for o primeiro caso, então concordo que há um problema no canal. Se for o segundo, a queixa é ridícula, para dizer o mínimo.

De qualquer maneira, falar dos trejeitos de um(a) jornalista raia o absurdo. Decididamente, este país não se recomenda.

john

Uma opinião bem formulada...

... sobre o caso que nos tem animado por aqui: Eduardo Cintra Torres, no Público.

Este texto de ECT acaba por não ser tanto sobre a situação em si, mas sobre o envolvimento da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Mas este envolvimento acaba por ser muito interessante. E pergunto: é admissível que a "comunicação" seja "regulada" por uma entidade cujos membros são nomeados pela Assembleia da República? Ou não será isto uma intromissão absolutamente intolerável do poder político - seja de que cor for - na actividade jornalística?

Num país como deve ser, nenhuma "Entidade Reguladora da Comunicação" seria necessária - Mais ou menos opinativo, mais ou menos "tablóide", mais ou menos sensacionalista (em democracia há espaço para tudo), o jornalismo existiria com várias formas, e acima de tudo, sem medo de confronto. Os abusos, como quaisquer abusos de quaisquer cidadãos, seriam julgados nos tribunais. Simples.

Claro que, num país decente, muita coisa teria também de mudar no jornalismo. Ao invés de haver um sindicato, a "comissão da carteira" e mais não-sei-o-quê, haveria uma Ordem. Sim, uma Ordem. Tal como os médicos, os engenheiros, os advogados, os enfermeiros e tantas outras profissões têm. Isto, por um lado, tornaria absolutamente transparente o acesso à profissionalização dos novos jornalistas - um processo que, enfim, presta-se a uma burocracia ridícula. Seria a Ordem que teria a responsabilidade de zelar pelos interesses jornalísticos, e por assegurar o cumprimento dos deveres profissionais e deontológicos dos seus profissionais. Seria à Ordem que caberia a tarefa, por exemplo, de colocar um ponto final na badalhoquice dos "estágios não-remunerados" - e não deixa de ser interessante que não se vêem jornalistas, órgãos de comunicação social ou mesmo o Sindicato ou a Comissão da Carteira a protestar contra esta situação (porque será?). Também caberia à Ordem, creio, certificar os cursos de Jornalismo/Comunicação Social, e consequentemente, o acesso à profissão.

Mas voltarei ao tema noutro dia, para regressar agora à ERC. Pois bem, temos a ERC, que faz um julgamentozinho sumário do Jornal das Sextas da TVI. Nem foi um frete: perdoem-me o vernáculo, caros leitores, mas aquilo foi um blowjob. Diz-se que a Manuela Moura Guedes promove julgamentos na TVI? Então vejamos como ECT termina a sua peça:

"(...) o membro do Conselho Regulador que votou contra a deliberação afirma que os ofícios que a ERC enviou à TVI “contêm afirmações genéricas e abstractas, o que impossibilitou o operador de contraditar os factos que lhe foram atribuídos" (PÚBLICO online, 28.05). “Houve desrespeito do princípio do contraditório”, afirma. Isto é, poderemos estar perante um caso de desonestidade processual."

Donde se torna legítimo perguntar: quem é a ERC para vir falar de ética ou de deontologia?

john

28.5.09

Vamos aos tópicos, então.

Mas antes, João, permite-me que te diga que estou a gostar do debate.

1) Pode haver azia da parte de Belmiro, uma azia transposta para o jornal Público. Concedo. No entanto, há algumas coisas que convém lembrar. O caso da licenciatura, por exemplo, não partiu do jornal, mas da investigação de um blogger, e foram necessários vários dias para que a coisa finalmente chegasse à comunicação social. O caso das casas foi desenterrado pelo Público, creio. O caso Freeport não. O caso "Cova da Beira" também não. O caso dos terrenos, idem.

De resto, acho que colocas a questão ao contrário. Existindo realmente estes casos - porque existem -, o que importa não é saber o que motiva o Público (e a TVI, e o Sol, que também teve chatices) a prosseguir as suas "cruzadas". O que importa é saber porque é que são os únicos. E porque as investigações não avançam. E porque ninguém acha estranho desaparecerem de arquivos documentos relacionados com estes casos.

2) Não sei se será fácil ou não colocar perguntas difíceis ao primeiro-ministro. Mas tantos casos e continuamos na tese da campanha negra? Olha, no limite, mesmo que o caso Freeport tenha sido "cozinhado" por jornalistas, polícias e elementos do PSD, como algumas almas dizem por aí, alguma coisa se terá passado. Pode ou não envolver o primeiro-ministro. Mas é necessário perceber o que se passou. E bradar contra campanhas negras gera apenas ruído de fundo.

3) Goste-se ou não de Manuela Moura Guedes, a atitude de Marinho Pinto é inaceitável. Ele é bastonário da Ordem dos Advogados. Agir como ele agiu enxovalha toda a classe que representa. Torno a lembrar Santana Lopes na SIC. De resto, a TVI não assumiu aquele estilo naquela entrevista. Já toda a gente sabe do que a casa gasta. Democracia também é isso: conviver com bom jornalismo e com mau. Por cá, actualmente, o bom anda um pouco apagado. Mais: democracia é também ter alternativas. Nada obriga o bastonário, ou quem quer que seja, a ser entrevistado por MMG. Tal como nada obriga quem quer que seja a ver o jornal das sextas da TVI.

4) No limite, sim, este tipo de casos andam ao sabor de vários interesses, mais ou menos ocultos. Mas não há, parece-me, fumo sem fogo. E se há fumo, então convém apurar onde está o fogo. Fazendo uma comparação francamente exagerada, vem-me à ideia o Watergate.

5) Eu também prefiro um estilo sóbrio, apesar de considerar que em democracia tudo deve existir - e os excessos julgam-se em tribunal (recordemos o Independente, que conheceu vários processos mas nenhum deles movido por Cavaco Silva, à época primeiro-ministro). Mas na falta de um estilo sóbrio sem medo, prefiro ruído ao silêncio cúmplice.

john

27.5.09

A verdade #3

João,

#1: Concordo que o Prós e Contras não é jornalismo. Apenas cedi ao baptismo comum. Baptismo alarve.

#2: Não sou muito defensor da ideia de que a rtp é servil ou conveniente para com Sócrates. De todo. Até porque não podemos tomar como padrão o exercício pegajoso que o José Manuel Fernandes vem protagonizando no Público. Está aos olhos de quem quiser ver que a dupla JMF/Belmiro de Azevedo (por via d'O Público) protagonizou todos os escândalos (todos eles profundamente secundários) que envolveram Sócrates. Responder-me-ão: OPAs mal acabadas? Concordo.

#3: É ligeiramente verdade que há jornalistas que não fazem perguntas difíceis ao PM, mas isso tem razões bastante mais amplas que o mero respeito por quem manda. Primeiro, convenhamos que não é muito fácil levantar questões difíceis sem provas evidentes (o que raramente acontece). Segundo, levantar suspeitas mais-ou-menos vagas, fundadas em suposições construídas sobre outras, partir de pontos dados como adquiridos quando de facto não o são, é um tipo de jornalismo acutilante mas que pode muito bem cair na peixeirada. E é precisamente isto que a tvi faz. E faz muito.

#4: João, o teu silogismo está correcto, mas o saltar-a-tampa de MP não se ficou pelos limites circunstanciais daquela entrevista. Antes, possibilitou a verbalização de um sentimento que muitos tinham, têm e terão de que MMG presta um péssimo serviço à civilização. Continuadamente.

#5: Quando dizes que neste PM há demasiados casos suspeitos, levantas um problema interessante. Todos nós se estivermos minimamente atentos à Comunicação Social (escrita, falada e televisionada) percebemos que é bastante fácil (diria: bastante apetecível) que um director de jornal/rádio/tv consiga criar suspeita sobre um político/figura-pública, sempre que isso lhe seja conveniente. Bem sei que neste filme não há inocentes, e que o jogo pende para os dois lados. Mas convenhamos que se torna bastante fácil de um ovo, fazer várias omoletas.

#6: Concluindo (este round), pessoalmente prefiro um estilo que respeite as regras mínimas da seriedade e que não embarque (escandalosamente) na extrapolação de raciocínios duvidosos, que apenas instalam a confusão. Obviamente, falo também de Fátima Campos Ferreira.

jtf

espelhos e reflexos #21

Era um homem tão nostálgico que chegava a sentir nostalgia pelo dia que passara.
Quando morreu, os amigos que lhe sabiam a angústia, ao rodearem o caixão simples que ele escolhera antecipadamente, colocaram-lhe, por cima do peito, o papel que deixara escrito como o alívio dos dias:
"Acabou-me a nostalgia"




fs

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Lição do dia:

Aprendi que esferovite se diz polystyrene em inglês. E isto, curiosamente, faz-me pensar numa música. Um chocolate a quem adivinhar qual é.

john

O vento, felizmente, manteve-se moderado.

E ontem chegaram finalmente ao fim os trabalhos de salvamento da minha peúga que, no domingo, se despenhou da minha varanda e acabou pendurada no estendal do segundo-direito. De caminho, fiquei a conhecer o meu vizinho, um senhor bastante simpático.

john

25.5.09

Too much information

Leio no Blitz online que a Ana Malhoa foi convidada para posar nua na Playboy portuguesa. Eu juro que não precisava de saber isto.

john

Cinco minutos nunca são cinco minutos.

Esqueci-me de ir à Feira do Livro. Lembrei-me disso esta manhã, quando o 720 da Carris que por vezes me leva de casa até ao trabalho contornava a rotunda do Marquês e olhei para o Parque Eduardo VII. Não estavam lá as barraquinhas, reparei. Coisa estranha. Acabei por poupar uns trocos sem querer, mas cheira-me que os deixarei em breve na Tema.

Já agora, aproveito para partilhar que a viagem de 720 entre a minha casa e o escritório, incluindo tempo de espera e percursos a pé e em finais de hora de ponta (nove e meia da manhã), demora exactamente o mesmo tempo do I Might Be Wrong: Live Recordings, dos Radiohead, que para quem não sabe é um EP lançado em 2001 com oito músicas muito bem tocadinhas ao vivo. De 738 muito provavelmente já não teria tempo de ouvir a True Love Waits, uma vez que sobe a Fontes Pereira de Melo ao invés de dar aquelas voltinhas irritantes pela Duque de Loulé. Se optasse pelo (7?)32, acho que teria de ir para o Amnesiac ou para o Kid A, que a passagem pela entaipada zona da Baixa faz um percurso aparente rápido demorar uma eternidade. Já o (7?)42, que faz voltinhas por Campolide (Campolide é um inferno), iria exigir o Hail to the Thief, e isto num dia de sorte. A primeira - e última, sublinhe-se - vez que o apanhei para ir para o trabalho teria dado tempo para ouvir pelo menos metade da discografia do Thom Yorke e companheiros, tal foi a quantidade de "cargas e descargas" que o autocarro encontrou naquelas ruas estreitinhas polvilhadas de estacionamento selvagem.

Acho mais interessante contar o tempo com música do que, por exemplo, com um relógio que dê as horas ou os minutos. Posso dizer, por exemplo, que da minha actual casa até à paragem de autocarro do costume, a pé, demoro, sei lá, uma Love Will Tear Us Apart, dos Joy Division - se parar para café, acrescento-lhe a Transmission. Lembro-me de, com a combinação perfeita autocarro-comboio-metro(com dois saltos de linha), consegui fazer o percurso Algés - "Antigo Trabalho" (perto da Católica) no exacto tempo de duração do álbum Hullabaloo, dos Muse, a começar a ouvir a Dead Star no momento em que fechei a porta do meu prédio e a terminar a Agitated quando cruzei a entrada do prédio da redacção. Claro que foi um dia de sorte, uma conjugação não astral mas de transportes que acontece uma vez por ano, se tanto. Os relógios são maçadores. É por isso que não tenho um há para aí doze anos. Esperamos alguém, que nos manda uma mensagem a dizer "estou aí em cinco minutos". Já repararam que nunca são cinco minutos? Mas a Idioteque é sempre a Idioteque. E se lá estamos, alguém se chateia muito se ouvir a seguir a Morning Bell?

john

24.5.09

Agora sem bastonada:

João, o debate é sempre saudável. Concordo em absoluto. 

Antes de mais, um ponto prévio: o Prós e Contras não é jornalismo. É barulho de fundo, ou aquilo a que em inglês se designa por "static". Adiante.

Concordo com praticamente tudo aquilo que dizes. Não sou particularmente apreciador do estilo MMG. No entanto, actualmente tambem não sou apreciador do presente estilo José Alberto Carvalho/Judite de Sousa na RTP. A RTP tem-se limitado a fazer eco da propaganda governamental. Já não há "perguntas difíceis". O jornalismo tem princípios, sim, mas se há coisa de que não pode ter medo é de causar polémica. E investigar. E bem ou mal, pelas melhores ou piores razões, a investigação dos casos do actual governo cabe apenas à TVI. No seu estilo barulhento, é certo. Mas prefiro isso ao silêncio e ao "baixar a bola" que se tornou regra.

Quanto a Marinho Pinto, acho que ele se excedeu com a provocação óbvia da MMG, que se pode resumir a um simples silogismo:

a) Marinho Pinto apelida de "Bufos" os procuradores que denunciaram pressões no caso Freeport;
b) Marinho Pinto denuncia advogados:
c) Logo, Marinho Pinto é "bufo".

Com esta até eu o entalava. MMG fê-lo - à sua maneira, mas fê-lo. E o bastonário dos advogados - uma classe com grande formação - não pode jamais entrar naquele registo. Torno a dizer, compara a atitude dele com a atitude de Santana Lopes na SIC.

A questão do código deontológico, como é bom de ver, não era para ti. Simplesmente achei piada que tanta gente, em várias caixas de comentários, tenha aludido a ele, quando muito provavelmente o desconhecem por completo. De resto, um código deontológico permite interpretações muito, mas mesmo muito amplas...

Para concluir, mantenho a minha posição: sem me rever no estilo TVI, prefiro-o ao silêncio ensurdecedor que grassa nos restantes meios de comunicação social. A nossa classe política encontra-se actualmente a chafurdar. No governo em geral e com o PM em particular, há demasiados casos suspeitos. Não existe a ética belga ou britânica. Estou cansado de "campanhas negras". Se a única forma de descobrir alguma coisa é a atirar merda para a ventoinha, então seja. 

john

A verdade #2

João,

ainda bem que esta pequena polémica Moura-Marinho permite que tenhamos uma pequena guerra de visões aqui dentro de portas. Como está bom de ver, não concordo contigo (o que se aplaude). Razões: (i) Marinho Pinto perdeu a cabeça (é um facto); contudo perder a cabeça não implica directamente perder a razão. Por ser de mau tom chamar a atenção alguém que tira macacos do nariz, daqui não resulta que o facto originário deixe de ser reprovável e, sobretudo, nojento; (ii) Para quem vê um Jornal Nacional de Moura Guedes não são necessários mais de cinco minutos para perceber que aquilo é a uma espécie de personificação do The Sun, mas em mau. À portuguesa. Não é admissível que uma profissão como o jornalismo (sujeita a um conjunto de regras mínimas definidas pela todo da classe, e que são, segundo creio, obrigatórias para todos os que dela fazem parte), que um pivot de tv se permita tecer comentários de tom popularuxo-simplicista-primário no fim de cada peça televisiva; sempre que isso justifique um aproveitamento claro de franjas da população menos informadas e, por isso, mais afoitas a demagogia e/ou maledicência. Uma jornalista não se pode autorizar, livremente, opinar de forma gratuita (sem que para isso apresente raciocínios lógicos e/ou provas evidentes), defendendo-se invariavelmente com o clássico Eu apenas sou jornalista, só faço perguntas, que retira toda a credibilidade que a classe exigiria. (iii) Para justificar a diferença entre jornalismo e Mouro-peixeirada, basta ver cinco minutos de José Alberto Carvalho e outros cinto da Manuela; E, como está bom de ver, isso não implica que JAC seja servil ou incompetente (podemos ter o mesmo raciocínio com Mario Crespo); (iv) Confesso que nunca li o dito Código Deontológico, João. Mas se este tipo de ética genérica de não transformar tudo em raciocínios-de-cabeleireira não está lá, devia estar. (v) Também não concordo que na rtp não haja jornalismo-tipo-peixeirada, basta lembrarmo-nos do paquiderme que apresenta o prós-e-contras.

A discussão segue dentro de momentos.

jtf

Tinha de acontecer um dia.

Deixei cair uma peúga quando estendia a roupa. Ficou pendurada no estendal da varanda do segundo andar. Os vizinhos não estão em casa.

Que o vento não sopre, por favor.

john

Só por curiosidade,

agora que, graças a Marinho Pinto e à scrimmage protagonizada por ele e Manuela Moura Guedes, toda a gente fala em infracções ao código deontológico do jornalista, eu gostava mesmo muito de saber quantas dessas pessoas é que conhecem realmente o dito código.

(Se é para irem fazer pesquisa rápida só para fazer boa figura, eu poupo trabalho: está aqui.)

E depois, enfim, se não der muito trabalho, também gostaria muito que me explicassem, por a + b, por que infringe o jornal da TVI (e Manuela Moura Guedes) esse código. Desculpem lá a maçada, mas não só não acompanho muita televisão, como também tive um péssimo professor de Ética.

john

23.5.09

À bastonada

João,

também vi o vídeo (já bateu um recorde qualquer de comentários no Blasfémias, certamente), mas não concordo com a tua posição. Recuemos uns aninhos, e recordemos uma entrevista que Santana Lopes deu, se não me engano, na SIC, que a dada altura foi interrompida por uma transmissão em directo para o aeroporto onde José Mourinho desembarcava. Regressada a emissão aos estúdios, Santana Lopes disse, de forma simples e muito educada, que considerava aquela situação uma falta de respeito, e que não estava para aturar aquilo - pondo assim fim à entrevista, de forma civilizada e superior. Por contraste, Marinho Pinto ontem apenas conseguiu fazer aquilo que em linguagem corriqueira se designa por "peixeirada", perdendo toda e qualquer razão que pudesse ter - e que, na minha opinião, nem tinha. Conseguiu ser pior do que o pior Santos Silva. 

Note-se que não sinto qualquer simpatia por Manuela Moura Guedes, nem me revejo nela enquanto jornalista que também sou. Mas prefiro ver uma entrevista agressiva do que os "alfinetes de peito" (belo eufemismo) que a RTP costuma fazer ao "engenheiro" do regime e aos tijolos que o acompanham. De resto, a história dos "bufos" representava uma tirada boa demais para ser desperdiçada pela jornalista. Provocadora? A roçar a falta de educação? Sem dúvida. Mas o jornalismo - pelo menos como eu o entendo - não se pode ficar pelos paninhos quentes e pelo "não me toques que me desafinas". Muito menos pelas "campanhas negras" que em qualquer país civilizado - veja-se o caso britânico, ou, melhor ainda, o belga - já teriam atirado este (des)governo para o buraco lamacento de onde nunca deveria ter saído. Por muito, muito menos, caiu Santana Lopes. Mas a isso toda a gente acha piada. 

Sim, a TVI é excessiva. Mas o seu excesso é necessário num país com a justiça defunta, uma cultura política que prima pela falta de ética, de dignidade pessoal (nem vou para a corrupção) e do "diz que disse", e para uma comunicação social que, no geral, é amorfa e obediente. 

john

A verdade #1


Sinto-me aliviado por alguém ter feito aquilo que eu gostaria de fazer. Obrigado Marinho.

jtf

21.5.09

Evidentemente, votar não é tão importante como pagar impostos.

A tecno-legislatura deste (des)governo desenvolveu o orwelliano cartão do cidadão, está a levar para a frente o não menos orwelliano chip das matrículas dos carros, e, de caminho, andou a distribuir computadores magalhães por toda a gente. Já recebi na minha caixa de correio electrónico a confirmação de que estava tudo correcto com a minha declaração de IRS, também ela feita pela Internet. Mas alguém me explica por que carga de água ainda tenho eu de ir à aldeia para votar? Ou porque não o posso fazer comodamente através do meu browser?

john

17.5.09

Uma boa iniciativa:

O Passeio Livre. Boa ideia, a dos autocolantes - embora eu, de cada vez que tenho de sair do passeio e caminhar na estrada, me sinta mais tentado a sacar da chave de casa e riscar o carro de uma ponta à outra, ou, se tiver as botas calçadas, de partir um farol. 

john

Séries

O Samuel desafia-me para a corrente do momento: nomear quinze séries televisivas de que gosto, de que tenha gostado, ou que me tenham marcado de alguma forma. Em jeito de resposta começo por dizer que a minha série preferida é recente, chama-se Ghost in the Shell: Stand Alone Complex. Sim, anime. Era bom, muito bom, que houvesse mais séries de televisão com a qualidade de Stand Alone Complex. 

As restantes:

Na animação, e tal como o Samuel, destaco Dragon Ball (a primeira série). E uma outra mais antiga, intitulada Saint Seiya (em Portugal, Os Cavaleiros do Zodíaco), que, de acordo com aquilo que sei, deixou de ser emitida em Portugal por ser demasiado violenta - quando anos depois a SIC passava às onze da manhã Evangelion, claro...

Não posso também deixar de destacar a série que porventura mais me terá marcado: Rua Sésamo. Aprendi a ler, escrever e contar com a série. E lembro-me (vagamente) da (então) virginal Alexandra Lencastre. 

E vou nas quatro. Segue-se a série com actores reais que mais gostei de acompanhar: The Highlander (Os Imortais). Qualquer miúdo da minha idade começou a gostar de Queen por causa do genérico das aventuras do escocês Duncan McLoud. Incluo MacGuyver por nostalgia, porque infelizmente a série não sobrevive ao teste do tempo. Mas Stargate resiste, e é uma excelente série de ficção científica. Junto a estas The X-Files (Ficheiros Secretos), que comecei a acompanhar já tarde, Allo-Allo, Monty Python's Flying Circus e E.R. (Serviço de Urgência). Fico-me por aqui, pelas dez, porque entretanto deixei de acompanhar séries. Ou antes, deixei de ver televisão, e não tenho paciência (ou tráfego) para descarregar séries. Gosto de House, naturalmente. Não gostei de Lost. Não vi (ou não vejo) 24, The Wire, Deadwood ou as outras séries das quais se dizem maravilhas actualmente. Não por não gostar. Mas porque já não consigo acompanhar séries. Já não tenho paciência para me sentar em frente à televisão e acompanhar, todos os dias ou mesmo uma vez por semana, uma série televisiva, por melhor que possa ser. E não consigo dispender tempo a vê-las no computador. Enfim, manias.

john

16.5.09

Depois de 2010 já posso morrer descansado


Até lá espera-se pelo epílogo da melhor série da actualidade.




fs

15.5.09

Fitas

Creio que escrevi as duas últimas fitas. Sabem como é: aproximam-se as queimas e os finalistas dão fitas coloridas a amigos, familiares e colegas para que escrevam qualquer coisa simpática. Não fui excepção, eu próprio distribuí fitas desde Tavira a Aveiro quando fui finalista. E ao longo dos anos, várias foram as pessoas que também me deram as suas fitas para que eu lhes dedicasse algumas palavras.

Ponto prévio: odeio escrever dedicatórias. Não tenho jeito nenhum para a coisa, e se há pessoas para as quais é relativamente fácil rabiscar meia dúzia de linhas num pedaço de tecido colorido, para outras é uma tarefa dantesca. Quando foi a minha vez, dei fitas aos familiares mais chegados e aos amigos mais próximos. Houve porém colegas de turma que me deram fitas, o que me deixou perplexo: não éramos propriamente chegados, a única coisa que tínhamos em comum era o facto de pertencermos à mesma turma. Naturalmente que não retribuí o gesto - prefiro passar por mal educado a hipócrita. Mas lá inventei qualquer coisa para escrever, tão seca quanto possível.

Ao longo dos anos várias foram as pessoas para quem escrevi este tipo de coisas. Tenho a dizer que abomino fitas de cores escuras - ou antes, de qualquer cor que inviabilize a escrita com uma convencional caneta Bic azul. Uma fita azul-escura, como aquela que tive de escrever há dias, é um sarilho: obriga-nos a arranjar uma daquelas canetas de tinta tipo gel de cor dourada ou prateada ou algo que valha, que não passam de um ano para o outro porque secam entretanto. Para além de ser chatíssimo escrever em tecido com qualquer coisa que não seja uma esferográfica (e mesmo com a esferográfica...).

Enfim, não prevejo tornar a fazê-lo porque já não me restam muitos amigos chegados na universidade, e os dois que restam provavelmente vão esquecer-se dessas coisas. O que acho bem: se não ligam ao "espírito académico", também não alinham na festa final (porque é irrelevante). Foi um fenómeno que sempre me fascinou, o das pessoas que compram o traje académico duas semanas antes da queima (se tanto) apenas para o vestirem naquela ocasião. Ou daquelas que são francamente anti-religiosas mas alinham na bênção por um "espírito académico" ao qual nunca ligaram pevide. Mistérios.

john

espelhos e reflexos #20

O que espanta nas cartas de amor não é somente o facto de serem amiúde ridículas. Isso é um fardo com que se vive muito bem. O que espanta, dizia, é o facto de todos nós - por vezes máquinas que não sentem e que inserem o cérebro onde deveria estar o coração (um amigo chama-lhe "problema de hardware") - as temos de escrever um dia.







fs

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14.5.09

Parabéns a mim, que acabo de descobrir o site mais disparatado da Internet tuga.

E digo "Internet tuga" por oposição a "Internet portuguesa". O "adjectivo" tuga já inclui o carácter carrascão. Enfim, preciosismos. O site em questão é o Animais Excepcionais. Não se podia esperar grande coisa da associação Animal, é verdade, mas o título desta página chamou-me a atenção. Pois bem, o site consiste em artigos sobre os tais animais excepcionais - que são basicamente as principais espécies que o ser humano consome na sua alimentação. Os artigos sobre cada espécie, não se focam tanto na espécie em si - nas suas características - mas sim na sua capacidade de sentir sofrimento e dor. Serve para porcos, vacas, peixes, caracóis, caranguejos e, vá lá, não se aplica a minhocas porque os meninos e as meninas da Animal só devem conhecer a "gastronomia" chinesa que se consome cá no Ocidente. Adiante. Sofrimento, pois, aqui começamos a perceber o enviesamento da coisa. Mas melhora se clicarem no link do lado direito que diz "ajude os animais excepcionais". E como podem fazê-lo? Muito simples: tornando-se "vegetariano hoje".

Findo este momento de publicidade gratuita à associação Animal e ao site Animais Expepcionais (sinto-me generoso hoje, não precisam de agradecer), creio ser tempo de me chegar à frente e, sem qualquer pretensão, tentar explicar aos camaradas da Animal uma coisa que eles deviam ter aprendido, pelo menos, nas aulas de Ciências da Natureza do sétimo ano (não me digam que o ensino está assim tão mau): o ser humano é um predador. Alimenta-se de carne. E de vegetais, claro, de bastantes vegetais. Mas de carne também. E a carne só se consegue através da morte de animais. Acho que isso tem qualquer coisa a ver com aquele conceito de "cadeia alimentar", mas já lá vão uns bons aninhos desde Ciências da Natureza, e a professora Gina era demasiado gira.

A menos que me venham também dizer que os leões devem deixar de matar zebras por estrangulamento, ou que os ursos devem deixar de pescar salmões, que as cobras devem deixar de matar ratinhos por constrição ou por envenenamento, e que têm todos de passar a comer uma saladinha de alface e tomate - e com soja, não esquecer a soja - que ajuda a manter a linha e não implica o sofrimento de outros animais. Pelo amor de Deus, tenham juízo.

Que uma associação como a Animal lute para que os animais em cativeiro tenham as melhores condições possíveis e para que a indústria alimentar trate os animais de forma a minimizar o sofrimento, acho muito bem. Contam com o meu apoio. Que defendam o fim do consumo de carne pelos seres humanos parece-me simplesmente estúpido. Para não dizer mais.

john

P.S.: À malta da Animal, um último conselho: cuidado com as merdas que andam a meter. Eu já acho rebuscado que queiram que toda a gente passe a alimentar-se à base de couve - e de soja, não esquecer a soja - mas pronto, há malucos para tudo. Agora que digam que as abelhas sonham com flores... isso a mim já me parece efeito de cogumelos. E não me parece que sejam as abelhas a consumi-los.

P.S. 2: Porque não aderem antes a isto? Sei lá, parece-me adequado. Se a escolha é entre passar a vida a comer soja e extinguir-se voluntariamente...

13.5.09

O caso da cueca.

No Correio da Manhã: Alunos, professores e funcionários da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos José Maria dos Santos, no Pinhal Novo (Palmela), estão proibidos de vestir tops com decotes pronunciados, minissaias muito curtas e calças descaídas. Natividade de Azeredo, presidente do Conselho Executivo (CE), confirmou as regras ao CM, explicando tratar-se de uma emenda ao regulamento interno da escola, resultado de situações verificadas na sala de aula.

Que situações foram essas? Ao que parece, um professor "sentiu-se incomodado" por conseguir ver as cuecas de uma aluna que usava uma mini-saia realmente mini. Porque estava o professor a olhar para as pernas - e para o espaço entre as pernas - da aluna é algo que, enfim, me transcende um bocado, mas nem vou por aí. Acho, sim, que seria mais sensato os alunos usarem fardas escolares. Como nos colégios. Era uma boa ideia por vários motivos: já que a escola pública se bate tanto pela igualdade (ao ponto de promover a mediocridade), acabava-se a diferença entre ricos e pobres nas marcas de roupa; e era um descanso de manhã, quando se tem de escolher a roupa para vestir no dia.

Há é que ter cuidado com a escolha das fardas... ou o professor do Pinhal Novo que se sentiu "incomodado" ainda ia parar a uma escola com dress code estilo colégio japonês e estava o caldo entornado novamente.

john

12.5.09

E o meu pai que nunca mais apanha as batatas lá na horta.

É que não consigo pensar em adjectivos que descrevam, com um mínimo de rigor, a qualidade das batatas que comprei há pouco ali no Minipreço. Assim de repente, ocorre-me intragável, mas sabe-me a pouco - como a pouco me soube este miserável jantar. 

john

10.5.09

Micro-assuntos internos #6

Tomei a liberdade de fazer algumas alterações ali na nossa lista de hiperligações ali ao lado. Eliminei algumas ligações - Estado Civil, Sinusite Crónica, Origem das Espécies - por os blogues respectivos terem (infelizmente) terminado. E acrescentei algumas - o blogue da "Ana de Amsterdam", de que o João falou (e bem) aqui há dias, e o Complexidade e Contradição. Não ter o Complexidade e Contradição era, de resto, uma falha demasiado grave. Mas já lá está, é só ir ver.

john

Há coisas que nunca mudam

Em tempos de crise, coisas há que permanecem iguais. Da janela do meu quarto ouvem-se os primeiros carros a apitar e a seguir para a Avenida dos Aliados. Não consigo evitar um sorriso. São os portistas a festejar mais um merecido título, sou eu e outros a ver o seu clube cada vez mais murcho (nem consigo fazer um trocadilho adequado). Como sou muito dado a hábitos, reservo-me à preguiça de não esfregar as mãos e vaticinar, mais uma vez, "para o ano é que é". Digamos que é quase como esperar pelo Encoberto.




fs

9.5.09

Um senhor:

Pedro Tochas. Vejam ao vivo quando puderem. 

john

Queima, alguma oligofrenia e um breve sentimento de eternidade

Existem duas soluções para um rapaz que muito raramente bebe - que tem o descaramento de jamais se ter embebedado e que desenvolve desde criança um certo desalento pelas multidões - conseguir planificar a sua ida, neste caso a primeira, a uma Queima das Fitas do Porto, mais concretamente ao Queimódromo. Por um lado, pode ficar completamente chocado com aquilo que certamente já previu que irá acontecer, mas como nunca viveu in loco a situação, a primeira impressão poderá não ser a melhor e assim aventurar-se-á amedrontado e sem obter o mínimo prazer que depositou no bilhete. Por outro, e esta é a solução mais arrojada e interessante, pode embarcar numa espécie de psicanálise que explique, de algum modo, a transfiguração que se observa em muitos homo sapiens (?) que, como peregrinos persistentes, se arrastam para o recinto do Queimódromo em busca das misturas alcoólicas que os levem mais depressa para a parte de trás de uma ambulância, numa competição digna de se ver e apreciar pelos sóbrios com humor mais mórbido. Portanto, esse tal rapaz, a optar pela segunda medida, terá um aproveitamento máximo da festa magna dos estudantes. Até porque nem todos enveredam pelo caminho da embriaguez e há condições para um divertimento de acordo com as regras pessoais de cada um. Nesse processo de análise vislumbrará todo um cardápio de bêbados e sóbrios: o bêbado agressivo, o bêbado alegre (muitas vezes animador supremo das hostes), o bêbado desorientado, o bêbado político (que não se coíbe de discursar sobre tudo o que lhe vem à cabeça), o bêbado fingido (também conhecido por bêbado triste, pois não deve haver maior solidão do que aquela que leva a fingir um estado daqueles), entre outros, bem como o sóbrio enquadrado, o sóbrio fora do sítio, o sóbrio alegre pelo simples facto da respiração do ar envolvente com fragmentos de malte. De tudo um pouco.

Se considerarmos a Queima, na sua totalidade, como o queimódromo, então, sim, é uma actividade vazia. Porém, convém avisar que a semana académica é muito mais que concertos e bebedeiras. Claro que os concertos são o auge e motivo da fama das festas, mas, para um estudante que tenha alguma massa encefálica e que preze o traje (hoje em dia utilizado, muitas vezes, na maior das distorções do seu significado) a Queima pode ser, ainda, uma festa real de amigos estudantes. Queima é a Serenata, o Cortejo, os passeios em grupo pela Ribeira numa tarde de Domingo soalheira, as despedidas dos finalistas, o encontro de coros académicos do Porto, o bom concerto dos Deolinda, o ainda melhor concerto de Pedro Abrunhosa, são os risos da noite, são as manobras de evasão dos pés durante uma viagem, para os Aliados, num autocarro cheio de vomitado no chão, são as fotos desfocadas dos dias, é o breve sentimento do eterno. Talvez seja somente isso, um bando de “miúdos” a experimentar o breve sentimento de eternidade. Enfim, se restar, no futuro, uma pálida memória desses dias, não será mau. Não será mau.



(Queima é também chegar a casa já no avançar da noite, com um sono evidente que teima em não se concretizar, pegar numa folha de papel e começar a escrever um texto para o jardim. É assim a vida-curta)



fs

8.5.09

Queima

Este ano não fui à queima de Coimbra. Com pena, admito, mas a vida já não me permite essas coisas (falta de tempo, falta de tempo). Leio aquilo que o João Gonçalves escreve aqui e aqui. Não sei se a(s) queima(s) são subsidiadas ou não, mas tenho ideia de que os seus subsídios são privados - resultam das associações académicas, e de muito trabalho dos próprios alunos a organizar festas e actividades que lhes permitam arranjar dinheiro. Espero que assim seja.

Não posso, porém, concordar por completo com a parte do "precocemente decadentes e vazios". A queima é uma actividade "vazia"? Sim, absolutamente vazia. E inconsequente. E irresponsável. E por isso mesmo gostei tanto de lá ter estado em outros anos: estou com amigos, conheço pessoas, bebo uns copos (demasiados, sim, mas não o suficiente para necessitar de assistência médica). É um dia de folia, um carnaval. Há gente que lá está e que encaixa na descrição de "precocemente decadentes e vazios"? Sem dúvida. Mas para isso não era preciso ir à queima de Coimbra: bastava-me olhar para a minha turma de há dois anos atrás, quando acabei o curso de Jornalismo - e a turma não era muito grande. Encontra-se de tudo, na queima: decadentes, calões, gente absolutamente anónima na festa ou na sala de aula, bons alunos. Há quem beba demasiado, há quem não beba - e uma opção é tão válida como a outra.

O João Gonçalves termina da seguinte forma: Esta juventude que finge a alegria em copos de cerveja ainda por cima é subsidiada para exibir a sua frivolidade em público. É por estas e por outras que não vamos a lado algum. Não vamos a lado algum. É um facto. Mas não será só por causa disto. Eu olho para o parlamento e vejo uma assembleia preenchida por incapazes. Olho para o nosso governo e vejo um bando de autistas, com um primeiro-ministro desprovido de qualquer sinal distante de boa educação. Olho para a nossa classe política e vejo trauliteiros, comedores de Maizena, malhadores, gente que quer resolver as coisas "lá fora", na Rua de São Bento. Gente que é (muito bem) paga pelo erário público para se insultar diariamente, e para insultar os portugueses. Também já foram jovens. Como era no tempo deles, em que a juventude não era "precocemente decadente e vazia"? Não sei. Mas veja-se onde chegaram.

john

7.5.09

Entrevista:

A Christopher Tolkien, filho (e executor literário) do grande J.R.R. Tolkien. Sobre o inédito The Legend of Sigurd and Gudrun, sobre a composição dos póstumos O Silmarillion e Os Filhos de Húrin, e sobre Tolkien. E ainda com espaço para a quebra de alguns mitos - o dos javalis tem imensa piada. Ler aqui. (ligação: blogue da revista Ler)

john

i... mudou?

Comprei o "i". Ainda não decidi se gosto ou não.  O grafismo é interessante, a organização interna do jornal é diferente - isso em si não é forçosamente mau, mas requer habituação. Enquanto fã de ficção científica, gostei da peça sobre o novo Star Trek - deu destaque a um género alternativo e considerado "geek", e não tratou os trekkies como maluquinhos, o que é um progresso no jornalismo generalista. Óptima escolha de crítico, já agora.

Globalmente, pareceu-me bem escrito, apesar de ainda não estar habituado à tal "arrumação". O tamanho é excelente: testei a lê-lo enquanto andava de pé no autocarro 738 em hora de ponta. Ganha aos pontos qualquer outro.

Pareceu-me, no entanto, pobre em termos de opinião. Hoje, pelo menos. Terei de esperar por Paulo Tunhas e Pedro Lomba, ao que parece. Outro detalhe: a ficha técnica não inclui o nome dos jornalistas (e estagiários) da redacção, o que me parece ser uma falha. E, continuo a dizer: o título do jornal é mauzinho. i não resulta. Prova com várias conversas aleatórias ao longo do dia:

"Já leste o i?" 
"Já li o quê?"
"O novo jornal."
"Ah! Sim, já li/Não, ainda não li, posso ver o teu?"

De resto, e apesar de o resultado me ter parecido positivo, confesso que esperava mais. Bastante mais. É esperar para ver: falta conhecer a revista de sábado e dar algum tempo ao jornal para amadurecer, e saber se muda realmente alguma coisa.

john

Nós por cá

... com futebol americano. Reportagem da SIC a um treino dos Navigators, a equipa de futebol americano de Lisboa que está a devastar a liga ibérica. 



E onde jogam alguns amigos meus (João, lembras-te do Metáfora? É da equipa, claro!)

john

(e pronto, implodi o grafismo do blogue. prometo parede de texto para breve, de forma a resolver isto)

Pecado: Inveja


jtf

6.5.09

Previsível:

Ocorreu-me quando vi a capa de um desportivo num quiosque, há pouco

... que "CR7" para Cristiano Ronaldo consegue ser ainda mais ridículo do que "Allgarve" para Algarve. Também terá sido invenção de Manuel "Maizena" Pinho?

john
Não costumo fazer posts deste género, nem acho que tenham muito que ver aqui com o nosso jardim, mas desta vez não consigo evitar. No Correio da Manhã leio uma notícia (já tinha conhecimento do caso, naturalmente) que dá conta do suicídio de um militar da GNR - ao que parece, o quinto só neste ano. Para os leitores este pode ser apenas um caso triste que faz uma breve no jornal. Para mim não é, dado que o militar em questão estava colocado no posto de Sabóia, a minha terra-natal. Foi colega do meu pai, conheci-o desde criança - e, como tal, lamento profundamente o sucedido. Espero que o caso seja devidamente investigado, e que sejam apurados os motivos que o levaram a cometer tal acto.

john

Aprovado por quem?

No Estado Sentido, Nuno Castelo-Branco tem vindo a alertar para um crime que tem vindo a ser cometido em Lisboa, perante a passividade dos seus habitantes: a demolição de edifícios antigos para edificação de prédios modernos, a pretexto da "reabilitação urbana". Não coloco hiperligações porque, enfim, o Nuno já escreveu muito sobre o tema, mas deixo a dica: no Estado Sentido, procurem a etiqueta "Lisboa arruinada". Está lá tudo. Até quando vamos ficar quietos a ver o património lisboeta dos séculos dezoito e dezanove a ser destruído para dar lugar a blocos de betão e vidro?

Os prédios em vias de demolição ostentam um cartaz camarário a dizer "Aprovado!". Preferia que o cartaz dissesse "A reabilitar", mas se calhar a mensagem não seria tão eficaz.

john

5.5.09

O barro.

Estou a tornar-me especialista em desviar-me do barro que estranhos na rua atiram em todas as direcções para verem onde cola. Isto dito de outra forma significa que ando a evitar com perícia conversas aleatórias de desconhecidos na rua, quando estes começam a barafustar sobre qualquer coisa enquanto me olham nos olhos, na esperança que lhes dê aquele sinal de receptividade que lhes permita disparatar sobre todos os males do mundo. Perdoem-me a crueldade. Mas dá-me um certo gozo ver um estranho já exasperado esbarrar contra um muro de silêncio e engolir toda a sua fúria. Lembrei-me disto há pouco, com um tipo que protestava, para uma plateia que não estava interessada em ouvi-lo, sobre o atraso do autocarro. 

john

E o debate político em Portugal eleva-se mais uma vez:

Lost in translation

A língua portuguesa é um sarilho. E não é apenas por ser traiçoeira - é por ter (parece-me a mim) demasiados pormenores. Como diabo explico a amigos escandinavos os artigos definidos e indefinidos, e toda a sorte de determinantes e pronomes, sempre que eles me perguntam como se diz alguma coisa em português?

john

O mundo é pequeno. Como o campo.

Quinze minutos à entrada do Campo Pequeno enquanto esperava por companhia para almoçar foram suficientes para encontrar um antigo colega de casa, uma antiga colega de universidade e uma rapariga lá da aldeia. Não faço ideia de quem encontraria se lá tivesse ficado mais cinco minutos. O mundo pode ser infinitamente grande para algumas coisas (infelizmente), mas uma parte dele coube no Campo Pequeno em apenas um quarto de hora.

john

4.5.09

A Ana

Caríssimos,
descobri agora mesmo a Ana. Se preguntarem Quem é a Ana? a própria Ana responde: Sou Ana de cabo a tenente Sou Ana de toda patente, das Índias Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada Sou Ana, obrigada Até amanhã, sou Ana Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos Sou Ana de Amsterdam. Atenção que descobri a Ana de amesterdão com gosto. Muito gosto. Não só pelo nome Ana (recordações antigas) mas, e sobretudo, pelo Amesterdão (recordações apenas). Deixo apenas isto: Tive os melhores orgasmos da minha vida a ler o dito livro. Rendi-me.

jtf

Que vá pela sombra.

A feira dos autógrafos

Uma amiga perguntava-me ontem se já tinha ido à Feira do Livro. Respondo que não, que ainda não fui lá, mas tenciono - graças à Tinta-da-China, que este ano está lá em parceria com a Penguin - e clássicos da Penguin com desconto não é coisa a desperdiçar, naturalmente. Ou seja, quebro assim um jejum de dois anos, nos quais acabei por não ir à feira que por volta do mês de Maio anima o Parque Eduardo VII. Aborrecia-me a falta de pontos onde se pudesse beber qualquer coisa (a minha amiga diz-me que isso foi resolvido), aborrecia-me a horda de pessoas que por lá se passeava a exibir o saquinho recheado com livros que, porventura, não chegaram a ser lidos. Acho um disparate os descontos serem tão escassos e pouco apelativos - espero que tenham também corrigido esse aspecto. Aborrecia-me, e aborrece-me, ver um dos meus sítios preferidos de Lisboa - a esplanada do bar Linha d'Água - sobre-sobrelotado. Não que lá vá todos os dias, nem sequer todos os fins-de-semana, mas em dias de feira nem sequer essa hipótese pode ser colocada.

Da feira, recordo-me de ver José Saramago sentado numa desconfortável cadeira de plástico, a torrar a moleirinha ao sol, a assinar livros atrás de livros para uma (muito) longa fila de leitores (ou simplesmente de pessoas que, apesar de não tencionarem ler Saramago, acham chic a valer terem um exemplar assinado pelo Nóbel). Pobre Saramago. Já Lobo Antunes, por exemplo, considera que isso "é um dever para com os leitores". Compreendo, apesar de o conceito de autógrafo me fazer uma certa comichão. Um autógrafo é apenas uma assinatura, a prova de que um fã conheceu o seu ídolo, para usar dois termos um pouco mais radicais. Mas essa prova é inútil, porque aquilo que conta é conhecer uma pessoa que nós admiramos pelo seu trabalho. Eu, por exemplo, gostaria muito de conhecer o Philip Pullman, o Salinger (mais difícil do que arranjar uma audiência com o Papa), o Christopher Tolkien, a J.K. Rowling, a Joan Vinge. Também gostaria imenso de privar com o Thom Yorke ou o Matthew Bellamy. Ou com a Allison Sudol, sei lá. Mas não pediria autógrafos. Também não tiraria uma foto com eles, até porque certamente não teria nenhuma câmara comigo e o meu telemóvel ainda é do tempo em que os telemóveis serviam para chamadas, SMS e despertador apenas. Conversaria com eles sobre o seu trabalho. Agradeceria ao Yorke ele ter escrito a Idioteque. Diria à Mrs. Vinge que a rainha Arienrhod foi uma das mais interessantes personagens que conheci em literatura. Coisas dessas, estão a ver. Partilharia com Christopher Tolkien uma (boa) garrafa de vinho, e brindaríamos ao seu pai. E convidaria a menina Sudol para um jantar em sítio discreto e de bom gosto.

Mais engraçadas são aquelas pessoas que nunca leram nada de um escritor, mas que compram um livro que poderão vir a ler - ou não - apenas por terem a oportunidade de o autor dar o seu autógrafo na contracapa. Já vi casos. Transcendem-me, lamento.

Disse ontem à minha amiga que não faço listas de compras, nem sequer quando vou ao Minipreço, pelo que não tenho um plano de compras para a feira. Mas há coisas que gostaria de encontrar, e que devo comprar. E outras que gostaria muito de comprar, mas que não vou arranjar. Como uma paperback edition do Hitchhiker's Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, ou uma edição de língua inglesa do Altered Carbon, de Richard Morgan. Mas isto já seria pedir um bocadinho de mais.

john

1.5.09

espelhos e reflexos #19

O dom da ficção, ainda que bastante má, é poder contar mentiras.




fs

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