30.5.08

parem tudo

esqueçam o congresso do psd, a subida dos preços dos combustíveis, o europeu de futebol e a champions league sem o porto. esqueçam a troca de galhardetes entre louçã e sócrates em plena assembleia, os jogos de pequim (todos eles) e os vôos da cia. ponham de lado os festivais de verão. aqui vos deixo aquilo que realmente importa agora:



jc

sócio, orienta aí a inscrição

uma mente seriamente afectada (porque só uma mente severamente afectada poderia ter uma ideia destas) decidiu criar os cartões de sócio da selecção nacional. pergunto-me qual é a utilidade, ou mesmo a lógica, de se ser sócio da equipa de futebol nacional.

claro que se um dia destes surgir a oportunidade de me associar à judoca telma monteiro, o meu discurso será um bocadinho diferente.

jc

overrated

num (óptimo) texto sobre o filme blade runner, pedro mexia tece algumas considerações sobre o universo cinematográfico da ficção científica, onde considera o projecto matrix "muitíssimo sobrevalorizado". achei esta ideia curiosa, dado que as duas sequelas - reloaded e revolutions, respectivamente - tiveram uma péssima aceitação por parte da crítica e mesmo de muitos fãs.

contrariamente a pedro mexia, não consigo ver como pode o projecto dos manos wachowsky ser "muitíssimo sobrevalorizado". a verdade é que matrix, em 1999, mudou de forma radical a forma como os filmes em geral (com os géneros de acção e de ficção científica em particular) são filmados. certo: podem dizer-me que eles não terão sido os inventores definitivos do bullet-time. mas foram eles que o elevaram a uma condição estética tal que ainda hoje, volvidos quase dez anos, continua a ser impressionante. também não terão sido os irreverentes irmãos os primeiros a compreender o potencial da câmara-lenta, mas conseguiram manipular a técnica de forma sublime. mas mais do que isso: numa época como a presente, em que abundam os filmes desinteressantes que enchem salas à custa dos efeitos especiais, a trilogia matrix continua a ser um autêntico balão de oxigénio, a prova inequívoca de que é perfeitamente possível um filme ter os mais espectaculares efeitos especiais que existem sem ser, no limite, um filme sobre efeitos especiais.

claro que o hype gerado por matrix não se deveu apenas aos efeitos especiais - atrever-me-ia mesmo a dizer que o grande hype foi "filosófico". o enredo do filme cruza várias influências filosóficas, várias escolas de pensamento - e deu origem a um sem-número de fórums de discussões, tópicos em aulas, e mesmo livros (alguns bastante interessantes). ora foi precisamente o enredo que críticos e fãs devastaram com empenho em reloaded e revolutions. aqui afasto-me do texto de pedro mexia, uma vez que não conheço as suas opiniões sobre o enredo dos filmes - para dizer que o problema é que muitos críticos e fãs nunca compreenderam aquilo que verdadeiramente estava em causa no terceiro filme, e que já tinha sido anunciado no primeiro e no segundo. compreendo que, perante o êxtase dos efeitos especiais, sobretudo no grande écrã, seja fácil perdermos o fio à meada. mas experimentem: vejam novamente matrix, e dêem especial atenção ao monólogo do agent smith com morpheus, quando o primeiro mantém o segundo aprisionado. vejam de seguida algumas passagens do dvd animatrix (the last flight of the osiris e kid's story para introdução a reloaded, e muita atenção ao estranho matriculated). depois, vejam reloaded, e prestem muita atenção à breve cena de conversa do conselheiro com neo na zona das máquinas de zion, e, claro, ao momento em que neo e o arquitecto se encontram. e, por fim, passem para revolutions - e, como diriam os americanos, "think outside the box". concedo que o argumento de revolutions (e, por arrasto, de reloaded, e mesmo de matrix) não é óbvio; exige algum pensamento, alguma reflexão, e, diria mesmo, alguma criatividade. mas só por isso, o enredo da trilogia nunca será inferior a genial.

uma pequena dica: nos filmes, a personagem persephone (monica bellucci) é um programa intuitivo desenvolvido pelas máquinas para compreender o amor. daí ela dizer a neo, após o beijar, que o amor entre ele e trinity é verdadeiro, mas não durará (o que se verifica). quem jogou o fraquinho enter the matrix consegue compreender isto melhor: quando persephone beija ghost, o imediato da nave logos, compreende que ele ama alguém que não o ama a ele (para quem não sabe, trinity). e quando beija niobe, comandante da logos (sim: no videojogo, monica bellucci e jada pinkett smith beijam-se), compreende que quem ela ama não é o comandante lock, mas sim morpheus (o que se vem a verificar). quando joguei o jogo e vi o segundo filme, formulei a seguite tese: o derradeiro objectivo das máquinas era quebrar a última barreira que as separa dos humanos - a capacidade de amar. os vários "eleitos" que surgiram ao longo das várias versões da matrix - neo incluído - eram, na verdade, inteligências artificiais e tinham como objectivo, portanto, conseguir amar e ser amados, e realizar assim a derradeira fusão entre homens e máquinas. persephone seria, portanto, um teste; e vários elementos do filme e do jogo me fizeram tomar esta teoria como conclusão óbvia. não foi, e persephone acaba por ser uma ponta mais ou menos solta (passe a expressão) do enredo. no entanto, nem todos os pontos da minha pequena teoria se revelaram errados.

e mais uma pequena dica, retirada directamente do guião de reloaded, e que diz praticamente o que está em causa nos filmes:


smith: thank you. but as you well know, appearances can be deceiving, which brings me back to the reason why we're here. we're not here because we're free, we're here because we're not free. there's no escaping reason, no denying purpose - because as we both know, without purpose, we would not exist.


jc

29.5.08

Misturas

Os substantivos "Cristiano Ronaldo", "Quaresma" e "Petit" nunca deviam estar na mesma frase que "Teatro Viriato".

jtf

27.5.08

pedido:

será que alguém pode dizer a uma das velhotas que vive no prédio onde se situa a redacção onde trabalho que eu não sou o guilherme? obrigado.

jc

Da destruição

Hoje, durante um dos noticiários regulares na sic notícias, mostrou-se a fila gigantesca para comprar os bilhetes do Portugal-Geórgia do próximo Sábado. Num dos planos via-se alguém com o Rio das Flores na mão. Ao menos não se estragam duas casas.

jtf

24.5.08

O mundo divide-se entre os que fazem a História e os que a observam



jtf

praxes, novamente

sete alunos (ou ex-alunos), membros de uma "comissão de praxes, foram condenados a multas pelo tribunal de santarém por terem cometido abusos durante as praxes. acho muito bem. se houve abuso, atentado à integridade física de alguém, então trata-se, evidentemente, de um caso de polícia, a ser julgado em tribunal. nada contra.

por outro lado, irrita-me a tendência - por alguns casos - a considerar-se a praxe em geral uma tradição bárbara, retrógada, atrasada (e podia continuar com a lista de adjectivos). as praxes não são todas assim. há tempos, escrevi aqui o seguinte:

(...) o assunto tem vindo a ser falado, a espaços, na blogosfera. tradição retrógada, dizem uns. cultura de violência, dizem outros. citam-se os casos polémicos, que colocaram em causa a integridade física ou psicológica de alguns caloiros - casos que acabaram em tribunal, como deve ser num estado de direito.

(...)

pessoalmente: fui praxado no meu primeiro ano de universidade, e integrei a comissão de praxes da escola durante dois anos. sou, portanto, suspeito; mas antes de mais, importa esclarecer que fui praxado voluntariamente, e que ninguém praxado por mim o foi contra a sua vontade (apesar de confessar que convenci alguns mais relutantes - que posteriormente até me agradeceram). enquanto caloiro, nunca qualquer praxe atentou contra a minha integridade física ou psicológica, tal como nenhuma actividade foi sentida por mim como humilhante. da mesma forma, nenhuma praxe ordenada por mim atentou contra os caloiros de alguma forma - creio. nunca recebi uma queixa, durante ou após a "semana de praxe". o objectivo, meu e dos meus colegas de comissão, sempre passou pela "integração" dos novos alunos. podem dizer-me, com toda a legitimidade, que há outras formas de integrar quem chega ao mundo universitário. creio que sim, que deve haver. a minha, porém, resultou.

com isto, atenção, não pretendo de alguma forma dar a entender que todas as praxes são boas. porque não são. já me contaram muitas praxes às quais jamais me submeteria. já li sobre praxes violentas, estúpidas, retrógadas. mas convém lembrar um ponto importante: só é praxado quem quer. a praxe é voluntária, e creio que a consequência principal de alguém se recusar a ser praxado reside na impossibilidade de vir a praxar - o que faz todo o sentido. colocava-se em tempos a questão da integração, do afastamento dos colegas, das histórias de ostracização dos anti-praxes. esse fenómeno verifica-se, efectivamente, mas de uma forma indirecta, e diria até involuntária: se a maior parte dos novos alunos se submete à praxe, geram-se de forma mais rápida e fácil (é farra, afinal) ligações entre eles - e essas ligações são transpostas para a sala de aula, para as turmas, quando a farra acaba e o estudo começa (ou deve começar). e desse ponto de vista, os alunos anti-praxe saem efectivamente prejudicados, porque não conhecem os colegas ou porque há grupos já formados. mas não é líquido que assim seja - vai depender de cada aluno, individualmente.

mas a praxe, torno a lembrar, é sempre voluntária - tanto no momento em que se decide ser praxado ou não, como no momento de cada actividade individual de praxe. caso seja coagida, ou caso tenha consequências mais graves para o caloiro, há o recurso às instâncias de direito - à direcção da escola, que poderá sancionar o comportamento dos responsáveis; ou aos tribunais, como já aconteceu várias vezes. e como tem de acontecer. não me parece, portanto, justo da parte dos comentadores que, sempre que se lembram de falar do assunto, peguem nos mesmos casos; ou que seja justo da parte dos meios de comunicação social só falarem das praxes quando, para utilizar a designação correcta, estas dão merda (literalmente ou não). talvez não fosse má ideia darem um passeio pelas universidades e institutos politécnicos do país e falarem com os caloiros, e com aqueles que em tempos foram caloiros. talvez fosse interessante procurar compreender porque jovens adultos, com idade para pensarem pela sua cabeça, se submetem a estes rituais - e se foram obrigados, se estão a gostar ou se gostaram do que viveram. talvez fosse engraçado, para variar, falar de praxes que correm bem. é que é sempre politicamente correcto falar da barbárie que são as praxes, mas não me recordo de jamais terem sido ouvidos os seus principais intervenientes: os caloiros.

a minha opinião, como é evidente, não mudou. passo, de seguida, a explicar em que consistiu a praxe na minha universidade, no último ano em que pertenci à comissão:

segunda-feira: aula fantasma no auditório da universidade. apresentação da comissão de praxes aos caloiros. decisão dos caloiros sobre a participação nas praxes (creio que apenas quatro, em mais de duzentos, recusou). divisão dos caloiros por quatro equipas. momento de "preparar" os caloiros (ou seja, pinturas, ensaio dos cânticos das equipas - no caso da equipa que dirigia, era menos pinturas e mais fatiotas curiosas, aludindo a culturas orientais). almoço na cantina. peddy-paper nas instalações da universidade, com várias provas onde se pretende dar a conhecer aos caloiros a escola (secretaria, bar, estúdios, associação de estudantes, reprografia, etc).

terça-feira: passeio por lisboa, até um jardim infantil onde a praxe (ou seja, as pinturas) é feita.... por crianças em idade pré-escolar (elas adoram. os caloiros, normalmente, também). almoço-convívio com actuação da tuna da universidade.

quarta-feira: jogos de futebol e de "mata" entre equipas. jogo de "sueca humana". almoço na cantina. leilão do caloiro (onde, normalmente, os padrinhos "compram" os afilhados por um valor simbólico (ou não) e a comissão ganha dinheiro para saldar as contas com a associação de estudantes).

quinta-feira: (não me lembro do que se passou de manhã) almoço. teatro - praxe onde a cada equipa foi dado um tema (ficção científica, musical, terror, comédia) e duas horas para prepararem uma peça de poucos minutos, a ser exibida num dos bares da escola. pessoalmente, foi a melhor praxe a que já assisti.

sexta-feira: eleição do mister e da miss caloiro. baptismo do caloiro (apenas envolve água). à noite, arraial (onde já não há qualquer praxe).

não me parece, a mim, que nestas praxes tenha havido "humilhação" ou "abusos". foram consideravelmente bem organizadas (nada pode ser muito bem organizado comigo na organização . . .), deram imenso trabalho a preparar, e correram bastante bem. ah, e a minha equipa venceu a semana de praxes, pois obteu a maior classificação no total de todas as provas pontuadas. melhor, não poderia ter sido.

jc

nota: esta venerável parede de texto veio a propósito de um artigo n' o insurgente e outro no arrastão - neste último, deixei outra parede de texto que, no seu conteúdo, não difere muito do que aqui foi dito.

22.5.08

é quase uma questão existencial

então e quando é que a rapaziada que há tempos fez cair o carmo e a trindade por causa de uns crucifixos em salas de aulas vai à assembleia da república reclamar o fim dos feriados religiosos? laicismo por laicismo, sempre ganhava o país em termos de produtividade. acabariam os feriados (e eventuais pontes) do natal, da sexta-feira santa, da páscoa, do corpo de deus, do 15 de agosto (nunca me lembro a propósito do que é, mas é religioso) e o 8 de dezembro (idem). ou seja, seis feriados (o carnaval deixa-me algumas dúvidas) - mais uma carrada de feriados municipais como o 13 de junho em lisboa. acabavam-se os pretextos para "férias" de natal e páscoa. e ficávamos apenas com o 10 de junho, o 5 de outubro, o 1 de dezembro e o ano novo. era ver a produtividade nacional a subir, e os portugueses a perder menos tempo, a cada início de ano civil, a calcular feriados e pontes para encaixar os dias e as férias. alegria, alegria.

claro que jamais alguém do bloco de esquerda ou da associação (?) república e laicidade se vai lembrar desta ideia peregrina. laicismo, sim, mas há coisas para as quais a igreja vem mesmo a calhar - como um dia sem trabalhar.

jc

21.5.08

dos feriados à quinta-feira

bom feriado. despedem-se assim de mim, neste cinzento final de tarde. é simpático, diria - amanhã, afinal, não há trabalho, não há heavy metal a (tentar) tirar-me da cama às oito e meia da manhã, transportes públicos, olhar a oscilar entre o ensonado, antes do café matinal, e o atento à merda de cão nos passeios de campo de ourique. tudo isso é bom, diriam vós. mas desejarem-me bom feriado a uma quarta-feira, véspera do dito feriado, quando na sexta tenho de trabalhar, carrega sempre um bocadinho de crueldade. como se, por trás de um desejo aparentemente simples e simpático, estivesse implícito "aproveita amanhã, sacana, que na sexta de manhã estás aqui a bulir que te lixas". ou qualquer coisa do género.

o tempo, ainda por cima, promete encarregar-se de destruir praticamente todas as hipóteses de um bom feriado. não, não faço parte da grande percentagem da população lisboeta que, à primeira aberta a fugir acima dos 25º no termómetro do instituto nacional de meteorologia e geofísica corre para carcavelos, caparica ou algarve (em suma, não vou à praia). mas um dia ameno, que convidasse a sair sem a companhia do casaco, e que trouxesse a vontade de convidar alguém para um par de horas bem passado numa esplanada ou num jardim, seria um bom princípio para um bom feriado. não me parece, porém, que os céus mo permitam, ou que as (eventuais) companhias alinhem na aventura (excepto o casaco, coitado, que não tem liberdade de escolha). o sofá da sala será, portanto, o escape para um dia sem companhia, brilho ou interesse.

teria sido melhor se me tivessem desejado um feriado de merda, monótono, maçador e melancólico. pelo menos assim havia a possibilidade de, antes de adormecer amanhã, pensar que afinal o dia não tinha sido assim tão merdoso, monótono, maçador e melancólico. o que, em todo o caso, me traria um breve sorriso aos lábios sexta-feira de manhã, resultante do prazer algo mesquinho de saber que alguém me quisera mal em vão. enfim. fica a esperança de não chover amanhã quando eu tiver de ir comprar frango ao pingo doce de miraflores para o jantar.

jc

18.5.08

buraco

finalmente tive a oportunidade de ver e ouvir, em concerto, os famosos buraka som sistema. afinal, não são tão maus como julguei que fossem.

... são ainda piores do que isso.

jc

17.5.08

Sonhos


Silêncio.

No palco da almofada
discurso à multidão ajoelhada.
Súbditos fiéis.

Que nos meus sonhos
eu governo o mundo.
F.S.

morram à fome, mas de acordo com as normas europeias

faz sentido. mais vale uma pessoa passar fome do que comer alguma preparada por outros. claro. afinal, sabemos lá nós onde essas pessoas andaram com as mãos?

a autoridade para a segurança alimentar e económica (asae) está a aplicar com rigor os regulamentos comunitários de higiene às instituições de solidariedade social: exige que as cozinhas tenham os mesmos requisitos que as de um restaurante, proíbe as instituições de aceitar alimentos dados pelas populações e deita fora toda a comida congelada em arcas normais.

já dizia o ditado: mais vale morrer à fome mas esterilizado, do que arriscar o frango dado.


jc

16.5.08

eu também sou calvinista*

... e hobbista.


sugestão

camarada joão, aqui ficam algumas sugestões de bricolage e jardinagem para este nosso espaço, já que é o camarada que tem os apetrechos todos à mão (leia-se, o acesso ao template):

1) dar um arranjo ali à sebe lateral, pois há algumas flores assim meio caducas. o espécime o senhor comentador, por exemplo, precisa de mudar a terra, pois consta que é planta que se da melhor na companhia de sapos. a nova terrinha é http://osenhorcomentador.blogs.sapo.pt. e o espécime "gattopardo" deixou de dar frutos no inverno último.

2) plantar uma sebe nova, ali à direita, para os jardins da casa. não é que não goste de misturas, mas fica a sugestão.

3) dar uma cor diferente aos links, porque quando os cultivamos aqui eles não se distinguem das folhas.

4) cultivar algumas plantas e flores novas no jardim, junto à sebe. tenho algumas sugestões de plantas, que creio serem de óptima qualidade:

- vontade indómita (http://vontade-indomita.blogspot.com)
- pastoral portuguesa (http://pastoralportuguesa.blogspot.com)
- origem das espécies (http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt)
- mar salgado (http://marsalgado.blogspot.com)
- revista ler (http://ler.blogs.sapo.pt)
- blogue dos marretas (http://marretas.blogspot.com)
- estado civil (http://estadocivil.blogspot.com)

recomendo aos micróbios que, caso não conheçam os jardins acima mencionados, que os visitem. valerá a pena.

5) tornar a cultivar aqui podcasts, fruto de época sempre saboroso. afirmo desde já encontrar-me disponível para o cultivo do próximo, combinado há muito tempo.

e, por fim, um pequeno desafio para todos os micróbios que gostem de jardinagem: escrevam um texto para o meu jardim caótico. tenho vindo a colocar este desafio a algumas pessoas. caso aceitem o desafio, deixo-vos aqui as regras: podem escrever muito ou pouco, sobre o que vos apetecer ou não apetecer. e, apesar de aquele espaço ser cultivado em inglês, podem escrever no idioma que mais vos der jeito. se entenderem o inglês como um desafio ou estiverem à vontade com ele, força. se preferirem o bom velho português, assim será publicado. francês seria muito bom. mas cuidado com o russo, que o meu computador não tem os caracteres apropriados. participações para o mail lá exibido.

ah, e não será o facto de a maior parte de vós não me conhecer pessoalmente que será um impedimento. a net tem coisas maravilhosas :)

jc

a witch! burn! burn!

leio uma versão traduzida de fahrenheit 451, de ray bradbury, e, entrando no espírito do livro, sinto uma súbita vontade de regar o tradutor ou o revisor ou o editor daquela tradução (ou os três) com gasolina e atiçar-lhes fogo. ou mandá-los trabalhar para as obras da nova ponte sobre o tejo, porque não consta que lá seja necessário saber colocar correctamente uma vírgula numa frase.

jc

o serviço público da feira de livro

sem uma barraca com edições decentes de science fiction & fantasy, a feira do livro de lisboa não tem para mim qualquer traço de serviço público. claro que para isso contribui o facto de não haver, em portugal, edições decentes de sf&f, com a excepção do tratamento que a obra de tolkien mereceu da parte da europa-américa e da colecção de fantasia da presença, que traduziu pullman, rowling e outros, mas continua limitadíssima. enfim. não há sf&f. mas costuma haver saramago, lobo antunes e lídia jorge no local, o que de acordo com os critérios da câmara municipal de lisboa, será imprescindível para dar ao evento o cariz de serviço público fundamental para a feira ocorrer (leia-se para a feira ter a bênção e o subsídio da câmara). eu, que nunca li nenhum dos três escritores, aplaudo o circo montado há meses. só mesmo em portugal é que um grupo editorial se dá ao luxo de chantagear a organização de um evento cultural e uma câmara municipal apenas porque quer ter "um pavilhão especial". só mesmo em portugal, com o seu culto bacoco das "figuras nacionais", é que alguém pode colocar em causa uma feira do livro por o saramago não ir lá assinar livros. não vai o saramago? ou o lobo antunes?
mas desde quando é que o universo literário se resume a dois ou três escritores?

de resto, a feira do livro de lisboa não costuma ser grande coisa. nunca notei descontos substanciais (pelo que passei por lá, mas acabei invariavelmente por apanhar o metro, ir à tema no colombo e, em jeito de vingança, encomendar dois ou três paperbacks americanos, bem escritos, por 15 euros). o facto de ser ao ar livre tem muita piada quando a) não chove b) não estão mais de 20 graus. e os stands.... enfim, quase compreendo o porquê da decisão da leya, sobretudo depois de ver, creio que há dois anos, saramago sentado numa cadeira de plástico, a assinar livros para uma fila enorme de gente (que provavelmente nunca o tinha lido), com o ar sofredor de quem já não tem vida para coisas daquelas.

enfim. sigam a polémica no blogue da revista ler.

jc

14.5.08

Untitled #1

O micróbio pioneiro deste blog, apontou o dedo aos restantes 6 micro-bloggers por pouco ou nada publicarem. Sobre este facto tenho o seguinte a acrescentar: não tenho nada a acrescentar.

pf

o problema não é uns ganharem muito, é outros ganharem pouco

há pouco, enquanto almoçava, vi um pouco do noticiário da sic notícias e apanhei uma peça curiosa (para a qual, infelizmente, ainda não tenho link): parece que os ministros europeus acham que os salários de alguns empresários europeus são "escandalosos", e parece que estão a ponderar "medidas fiscais e deontológicas" para combater esta situação.

pergunto eu, algo inocentemente, o que raio têm os ministros da união europeia que ver com os salários dos gestores de empresas privadas? que nas empresas públicas corram toda a gente a salário mínimo é lá com eles. mas nas privadas, esse tipo de decisões cabe, creio, aos accionistas dessas empresas - e não é um ministro, um estado ou mesmo a união europeia que tem o direito de interferir nisso. escandaloso, a meu ver, não é um ceo ganhar para cima de cinco mil euros. é haver gente com um ordenado de 400, ou haver estagiários que não são remunerados (prática comum mesmo em ministérios). mas é evidente que disto ninguém fala. não convém.

jc

[actualização]: belmiro de azevedo já respondeu a esta intenção dos ministros europeus. o chairman da sonae afirmou que
"os ministros gostam de mandar nos empresários, mas não têm autoridade para tal", o que para todos os efeitos é evidente. fernando ulrich, presidente do bpi, também já respondeu às declarações de hoje do ministro teixeira dos santos, afirmando que "falar dos salários dos gestores é politiquice da mais barata e da mais reles". o que é igualmente evidente. (via jornal de negócios)

13.5.08

"tabaquear o assunto"

tabaquear o assunto é uma expressão curiosa de uma das minhas melhores amigas, que basicamente significa "vamos dar uma volta, fumar um cigarro e conversar?". adequa-se, portanto, ao texto que se segue, suscitado pelo artigo anterior do camarada joão:

joão, referes aqui o "tabaquear o assunto" do nosso primeiro ministro, e nos comentários referes a "ofensiva da dupla belmiro/j. m. fernandes contra sócrates". certo. o público tem dedicado algumas manchetes ao primeiro ministro. no entanto, se pensares bem, o que é estranho não é a "ofensiva" do público, mas o silêncio quase reverente da restante comunicação social.

o caso da licenciatura foi "mediatizado" pelo público, mas a sua investigação partiu de um blogue - aliás, creio que o autor desse blogue teve alguns "problemas", passe o eufemismo, na sequência dessa investigação. se me disseres que não é fundamental (sobretudo num país como o nosso, onde abunda a prática do "canudo-a-pedido") a um primeiro-ministro ter uma licenciatura, estou de acordo. se existem irregularidades na forma como essa licenciatura foi obtida, então a questão torna-se importante, e há toda a legitimidade para exigir esclarecimentos. não creio que um caso idêntico em inglaterra ou nos estados unidos ficasse em águas de bacalhau como aqui ficou.

o caso dos projectos da covilhã foi mais um caso de contornos estranhos que não foi esclarecido como devia. segundo parece, aquilo que foi feito não é ilegal - o que, porém, não o torna propriamente ético (e as casas em questão são um atentado, diga-se de passagem).

este caso recente do nosso primeiro a "tabaquear o assunto" num vôo para caracas é grave na medida em que revela o desprezo (é que nem é desrespeito, é mesmo desprezo) dos nossos governantes pelas leis que eles mesmos aprovam. que o vôo seja fretado ou não é irrelevante - a bordo dos aviões da tap não é permitido fumar, todas as indicações de vôo apontavam nesse sentido. ponto final. a sensação que passa é a de total impunidade de meia dúzia de "eleitos" (em ambos os sentidos). joão, o ponto é simples: se eu num avião da tap acender um cigarro, e perdoa-me o calão, fodo-me - e bem fodido. não me poderei socorrer do brilhante argumento "é costume".

as leis que saem da assembleia da república aplicam-se a todos - sem excepções. se me perguntares se o primeiro ministro devia ser demitido por este caso, obviamente respondo-te que não. que deve ser penalizado (onde está a asae?), deve. e o caso não pode ser esquecido. é mais um prego no caixão da descredibilização da nossa classe política. e mais um prego na descredibilização deste governo. sócrates tem de esclarecer o assunto - ou então está a passar a mensagem de que o poder político é, para todos os efeitos, superior às leis nacionais.

vamos ver se alguém na assembleia da república levanta a questão. evidentemente que não estamos em inglaterra, onde os próprios membros da bancada parlamentar do partido trabalhista foram os primeiros a exigir explicações ao primeiro ministro sobre o desaparecimento de dois discos rígidos onde estavam armazenados dados confidenciais de milhões de cidadãos britânicos. note-se - a própria bancada parlamentar do partido que estava (e está, ainda) no governo. por cá, tal será impensável, independentemente da cor de quem estiver no poleiro. mas alguém tem de exigir esclarecimentos.

jc

Ofensiva #1

"Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas
O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo." in Público-online.

jtf

11.5.08

2º balcão B5












jtf

5.5.08

publicidade

dia 24 de maio, pelas 21h30 na biblioteca municipal de odemira (algures nas imediações), terá lugar um concerto de atlanthea, a banda de um grande amigo meu, o rodrigo - que já compôs dois álbuns catitas. podem ouvir algumas músicas de atlanthea nesta página do myspace e, claro, podem aparecer em odemira dia 24.

olhem que por lá a cerveja é barata.

jc

3.5.08

Um bom início

ágætis byrjun OW-guy-tis bi-r-yun (u is like the "eu" in "deux". ow should rhyme with the "ou" from "loud") um bom início


Um bom início para descobrir a temperatura do corpo ao deitar-se, Crianças dentro de água, E trilhos de bicicleta na areia, Um bom início para dizer, para dizer tudo o que, tudo o que sempre tentámos dizer, Um bom início, Dó lá bemol si de sétima.

jtf

2.5.08

michael richards, racismo, demagogia racial, 50 cent e o cordão de ouro palmado

a propósito do caricato episódio em luanda, onde num concerto pela paz o rapper 50 cent foi assaltado em pleno palco (parece que um tipo furou a segurança, saltou para o palco, tirou o cordão de ouro que o rapper usava ao pescoço e fugiu, sem quem o conseguissem apanhar), gerou-se uma interessante discussão no origem das espécies. um dos comentadores, auto-intitulado "john white", deixou lá a tradução de um discurso que, segundo rumores, foi proferido pelo actor michael richards (o kramer da série seinfeld) em tribunal, na sequência da polémica que o envolveu quando fez, há tempos, piadas raciais num clube.

o discurso que richards alegadamente terá dito foi o seguinte:

Orgulho em ser Branco

Finalmente alguém diz isto.

Quantas pessoas estão actualmente a prestar atenção a isto? Existem Afro-Americanos, Americanos Hispânicos, Americanos Asiáticos, Americanos Árabes, etc.

E depois há os apenas Americanos.

Vocês passam por mim na rua e mostram arrogância. Chamam-me 'White boy,' 'Cracker,' 'Honkey,' 'Whitey,' 'Caveman' ... e está tudo bem. Mas quando eu vos chamo Nigger, Kike, Towel head, Sand-nigger, Camel Jockey, Beaner, Gook, or Chink, vocês chamam-me racista. Quando vocês dizem que os Brancos cometem muita violência contra vocês, então por que razão os ghettos são os sítios mais perigosos para se viver?

Vocês têm o United Negro College Fund.
Vocês têm o Martin Luther King Day.
Vocês têm Black History Month.
Vocês têm o Cesar Chavez Day.
Vocês têm o Yom Hashoah.
Vocês têm o Ma'uled Al-Nabi.
Vocês têm o NAACP.
Vocês têm o BET [Black Entertainment Television]

Se nós tivéssemos o WET [White Entertainment Television] seriamos racistas.
Se nós tivéssemos o Dia do Orgulho Branco, vocês chamar-nos-iam racistas. Se tivéssemos o mês da História Branca, éramos logo taxados de racistas.
Se tivéssemos alguma organização para ajudar apenas Brancos a andarem com a sua vida para frente, éramos logo racistas.

Existem actualmente a Hispanic Chamber of Commerce, a Black Chamber of Commerce e nós apenas temos a Chamber of Commerce.

Quem paga por isto?

Uma mulher Branca não pode ser a Miss Black American, mas qualquer mulher de outra cor pode ser a Miss America.

Se nós tivéssemos bolsas direccionadas apenas para estudantes Brancos, éramos logo chamados de racistas.

Existem por todos os EUA cerca de 60 colégios para Negros. Se nós tivéssemos colégios para Brancos seria considerado um colégio racista.

Os pretos têm marchas pela sua raça e pelos seus direitos civis, como a Million Man March. Se nós fizéssemos uma marcha pela nossa Raça e pelos nossos direitos seriamos logo apelidados de racistas.

Vocês têm orgulho em ser pretos, castanhos, amarelos ou laranja, e não têm medo de o demonstrar publicamente. Mas se nós dissermos que temos "Orgulho Branco", vocês chamam-nos racistas.

Vocês roubam-nos, fazem-nos carjack, disparam sobre nós. Mas, quando um oficial da policia Branco dispara contra um preto de um gang ou pára um traficante de droga preto que era um fora-da-lei e um perigo para a sociedade, vocês chamam-no racista.

Eu tenho orgulho.

Mas vocês chamam-me racista.

Por que razão só os brancos podem ser chamados de racistas?

o site snopes.com coloca o rumor deste "pedaço de demagogia racial" (a afirmação é do site) ter sido da autoria de richards na categoria de "mitos urbanos". pode ser. no entanto, esta "demagogia racial" é tristemente real.

não pretendo com isto dizer que os brancos não são racistas; apenas que o racismo é um fenómeno transversal a todas as etnias e culturas. poderia até ir mais longe, e afirmar que hoje em dia é politicamente correcto gostar de rap. como o do 50 cent. para mim, rap (o estilo musical, não o ricardo araújo pereira) é, perdoem-me a expressão, uma bela merda. ter esta opinião sobre aquele tipo de música fará de mim racista?

enfim, resta a pergunta: será que o cordão de ouro do rapper valia apenas cinquenta cêntimos?

jc

(não) intenção de voto

está formalizado um novo partido político - o movimento mérito e solidariedade (mms), fundado por eduardo correia, professor no iscte. desde já anuncio a intenção de não votar no mms se este concorrer a eleições. li alguns documentos sobre o partido há uns meses quando tive conhecimento da sua formação, e algumas ideias até me pareceram pertinentes. mas recuso-me a votar num partido cujo líder defende o voto obrigatório. desculpem lá qualquer coisinha. mas em democracia (ou na democracia como eu a entendo), o voto é um direito - jamais um dever. eu, enquanto cidadão maior de idade e na plena posse das minhas faculdades mentais (tese discutível, mas façamos de conta), devo ter liberdade de escolher em quem quero votar. o que tenho. mas, mais importante ainda, devo ter plena liberdade para escolher, não só em quem quero votar, ou se quero votar de todo. ao contrário do que se diz por aí (já nas últimas autárquicas em lisboa foi o que se viu), a abstenção pode ter vários significados, em nada iguais aos do voto branco.

teorizando: o voto branco, em si, significa que o cidadão segue a política, tem preocupações, e foi às urnas - mas nenhum dos candidatos apresentados no boletim de voto dá resposta às suas preocupações. a abstenção diz-nos, por seu lado, que uma tarde na praia é mais interessante do que a política nacional ou regional. ora, nós vivemos num regime democrático; como tal, eu tenho o direito de, em dia de eleições, ir para a praia às oito da manhã e só voltar para casa às sete da tarde, já bem tostado. ou de passar o dia agarrado ao gurosan em casa, a curtir uma ressaca. ou, até, de me sentar à porta do edifício onde decorre a votação a cumprimentar quem lá vai, sem nunca entrar. e isso é tão legítimo como votar no PS, no PSD, em branco ou de escrever trocadilhos obscenos no boletim de voto.

de resto, esta conversa sobre o voto obrigatório é treta de quem não conhece o país em que vive. mais um autista na assembleia - mesmo aquilo de que estávamos a precisar. falar em voto obrigatório num país com povoações isoladas e eleitores que não conseguem simplesmente deslocar-se às urnas é, no mínimo, caricato (vejam os velhotes que vivem isolados no alentejo, por exemplo). falar em voto obrigatório num país onde só se pode exercer o tal direito de voto na localidade onde se está registado eleitoralmente (isto tem uma designação própria que me está a escapar, certamente), o que faz com que milhares de estudantes universitários tenham fazer viagens de várias centenas de quilómetros para votar implica perder qualquer noção do ridículo.

mérito e solidariedade são conceitos muito bonitos, mas com palavras destas não me convencem. vamos ver o que sai do psd.

jc

O estado da Arte #3

Livros
|**** |
Património, Philip Roth

Discos
|**** |
Takk, Sigur Rós

Séries
|*****|
Six Feet Under Season 5

Cinema
|**** |
Das Leben der Anderen, Florian Henckel von Donnersmarck
|**** |
The Darjeeling Limited, Wes Anderson

jtf