Deixemo-nos de coisas. Este país é um detector-de-metais que não detecta. Este país é um espremedor-de-frutas que não espreme. Este país é um gramofone com a agulha encravada há décadas. Este país é um micro-ondas com infinito temporizador. É um artesanal saca-rolhas que nada saca. Um terror. Este país é uma gaiola de enguias, de serpentes. Alegorias. Este país é uma arca congeladora de torrentes e correntes e muitas coisas mais. Este país é um anticiclone, particularmente ventoso e pluvioso. Este país é um MG Metro sem catalisador. É uma montanha íngreme por transpor. Este país é, com a beleza de todas as indefinições, um coiso. E está tudo dito. Andaram anos, coléricos, a reclamar o combate (atenção que é metafórico) à economia paralela, mas agora, quando o ringue está montado e o combate principia, queixam-se que «é muito papel». De facto, ser «cidadão» dá muito trabalho e requer espaço de arquivo. Não é para todos. Este país é uma brigada de máquinas-registadoras por usar. É uma bonita paisagem de algas, eucaliptos, retro-escavadoras e caminhos por andar. Como dantes.
jtf