31.8.09

Agenda:

Amanhã, a partir das 19 horas, vamos ensaiar a primeira transmissão em directo do Jardim de Microbios. O evento será a #BlogTúlia, de Pedro Santana Lopes a propósito da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Mais informo que o evento decorrerá no emblemático Martinho da Arcada, ao Terreiro do Paço, e contará também com a presença de Manuel Falcão.

Não haverá transmissão vídeo devido à falta de câmara e, acima de tudo, à falta de conhecimento técnico para brincadeiras dessas. Mas haverá fotos, não amanhã, mas em princípio quarta-feira. De qualquer maneira, e se os caros leitores estiverem interessados, poderão acompanhar a emissão aqui e assistir ao fabuloso espectáculo de engasganço em público da minha parte. Falar em público é uma coisa que detesto, e diz-se que até sou jornalista...

E já agora, se algum dos caríssimos leitores tiver alguma pergunta que gostasse de colocar, deixe a nota na caixa de comentários a este post.

john

Jesus acredita numa exibição diabólica




É ler. Oito é muito bom, muito bom mesmo. Uma fragrância do antigo.
E urge o início da compilação de tantos subtis "aforismos".


fs

Oito-um.

Dá gosto ver o Benfica a jogar à Bayern de Munique. Mas não quero ser injusto com o Vitória de Setúbal, que sempre é uma equipa de maior gabarito que os segundos da Segunda Circular.

john

Alguém tem de dizer isto

Até porque, como as coisas estão hoje em dia, eu nem duvido que o caso seja devido a ignorância. Alguém tem de dizer à malta que diz ser "animadora de rádio" (ou lá como se designa a profissão) na M80 algumas coisas, vá, fundamentais sobre a "música dos anos 70, 80 e 90".

Para começar na música portuguesa, podiam dizer que os Ala dos Namorados têm mais músicas do que aquela muito conhecida. Eu por acaso não conheço mais nenhuma, mas, imagino, deve haver mais - ou estaremos perante a mais fabulosa one-hit band de sempre. Também os Pólo Norte têm mais músicas para além daquela gravada com o Miguel Ângelo - aliás, a banda do Miguel Gameiro tem um álbum de estreia (Expedição, de 1995) bem interessante. Os Silence 4, por seu lado, também têm mais músicas para além da Borrow e da A Little Respect - sei lá, experimentem a Angel Song?

Convém também dizer à malta da M80 - eles, coitados, são novos e não sabem estas coisas - que os anos 70 não se resumiram a Abba e os anos 80 não contaram apenas com os Queen. E mesmo dando muita importancia aos Queen, que merecem, eles fizeram mais músicas para além da Bohemian Rhapsody. E eis que eu, um puto de 24 anos que cresceu a ouvir Oasis (já agora, parece que o Noel se fartou de vez, é uma pena), tenha de falar à M80 sobre bandas anteriores ao meu nascimento, ou à minhac capacidade de ouvir música, que nos anos 70 e 80 houve bandas como, por exemplo, Sex Pistols, Joy Division, Modern Lovers, New Order, The Smiths. Que houve uns meninos chamados Soundgarden que faziam coisas catitas (Nirvana are overrated, but still). Que o início da década de 90 viu surgirem bandas como The Smashing Pumpkins, Oasis, Blur. Que o primeiro álbum de Radiohead data de 1993, e que pelo menos a Fake Plastic Trees merecia honras de transmissão radiofónica. Que os Muse lançaram o seu primeiro álbum em 1999 (ainda conta como década de 90). E que seria óptimo, excelente, magnífico que a playlist da M80 variasse um bocadinho de dia para dia. É que eu não consegui (ainda) converter o escritório à Radar, e era bom ouvir música decente e pouco repetitiva.

john

30.8.09

Não sei porquê,

mas de repente fiquei com vontade de reler Os Maias.

john

Não gosto (III):

De pessoas que cortam as unhas noutro sítio que não a casa de banho.

john

29.8.09

A lua da ignorância.

Uma conhecida falou-me disto dois dias antes. Não lhe disse nada - mas uma pesquisa rápida confirmou o que pensava. Era embuste, naturalmente.

A facilidade com que as pessoas acreditam nas patranhas que recebem por correio electrónico é impressionante. Não é preciso ser um Einstein para perceber que ver no céu Marte do tamanho da Lua seria impossível. Bastava pensar um bocadinho: então num dia Marte é apenas um pontinho vermelho no céu nocturno (que a maior parte das pessoas nem sabe identificar), e no outro está aqui a bater-nos à porta? Seria interessante, de facto, mas se de repente Marte estivesse tão perto que ficava do tamanho da Lua, acho que nenhum de nós iria ficar muito contente.

Nos comentários à notícia, há até uma criatura que se identifica como "professora" que divulgou a "informação" recebida por correio electrónico aos seus alunos. Devia ser enviada para Marte.

john

28.8.09

Leituras improváveis.

Ela: Então e o que andas a ler agora?
Eu: Neste momento, nada. Acabei de ler um livro intitulado Dreamfall, de Joan Vinge, e ainda não peguei noutro. Tenho de ver se compro qualquer coisa. E tu, andas a ler alguma coisa agora?
Ela: Hum, sim.
Eu: O quê?
Ela: Só te digo se prometeres que não gozas comigo.
Eu: Pelo amor de Deus, é claro que não gozo. O que andas a ler?
Ela: O "Crepúsculo".
Eu: Nem é preciso gozar.

Este diálogo é real. "Ela" é uma grande amiga minha (se leres isto, moça, olha, não te assanhes, que não é por mal). Não consigo compreender como é possível alguém se envergonhar daquilo que lê de livre e espontânea vontade. Eu também leio livros de Magic: The Gathering, Warcraft e Starcraft e tenho a certeza de que quem me vê na Carris a ler tais livros pensa que eu sou um geek completo e acabado. O que não me preocupa minimamente. Como disse, não gosto é de pessoas que não gostam de ler, que têm alergia a livros. Isso não compreendo. A minha amiga gosta de ler Stephenie Meyer? Óptimo. Eu nunca li, e só o facto de saber que a história mete vampiros que não morrem com a luz do sol fará com que eu nunca leia a senhora, pois eu sou conservador nestas coisas e o desvio máximo que admito ao "vampiro clássico" é o Blade, personagem interpretada no cinema por Wesley Snipes. As histórias à volta da senhora Meyer são para mim irrelevantes. Também a JK Rowling, escritora que aprecio, foi acusada de plágio e o caso morreu antes mesmo de ter nascido. Se entramos por aí, toda a fantasia posterior a O Senhor dos Anéis é plágio. Adiante. Uma amiga que leu Meyer antes de ela se ter tornado no fenómeno adolescente que é hoje diz-me que a escrita da senhora é sofrível. Acredito. Outra minha amiga, que tenho como uma pessoa culta, tem como livro preferido precisamente o Twilight. É lá com ela. O meu foi, até ler Tolkien, Salinger e Rand, um livro da colecção de Magic: The Gathering - Brothers War é o seu título (do livro), foi escrito por Jeff Grubb e estou absolutamente convencido que se não estivesse ligado ao jogo de cartas seria considerado pela crítica como o melhor romance de fantasia desde Tolkien (não estou a brincar). E não tenho vergonha nenhuma disso, recomendá-lo-ei a toda a gente com o mesmo entusiasmo que recomendo The Catcher in the Rye ou The Fountainhead. Tenho amigos que gostam de Margarida Rebelo Pinto, José Rodrigues dos Santos, Miguel Sousa Tavares. Não tenciono ler regularmente nenhum livro destes escritores. Não será por isso que a minha escolha é mais válida que a deles. Quero lá saber. Leiam. Eu não gozo, desde que não tenham vergonha daquilo que lêem. Aliás, se tiverem, eu nem preciso de gozar, não é?

john

Não gosto (II):

De pessoas que não gostam de ler. Seja o que for, é-me praticamente irrelevante que leiam Eça ou Sousa Tavares, desde que leiam.

john

Ainda a ferrovia

Há, na ferrovia nacional, outro detalhe interessante (vários, até, mas tentarei não dispersar demasiado). Actualmente, existem duas grandes alternativas ferroviárias para as regiões litorais* de Portugal: o Alfa Pendular e o Intercidades. Entre Santa Apolónia (Lisboa) e Campanhã (Porto) o Alfa leva duas horas e quarenta e quatro minutos, enquanto o Intercidades leva três horas e nove minutos. A viagem no primeiro em segunda classe custa 27,50 euros, enquanto no segundo, a mesma viagem em segunda classe custa 19,50 euros. Dito de outra forma: quem optar pelo Alfa Pendular entre Lisboa e Porto paga mais oito (8) euros para ganhar apenas vinte e cinco (25) minutos. É bom de ver que não compensa. Mas por que acontece isto? Um palpite: o Alfa - que, não sendo um comboio de alta velocidade, é um comboio de velocidade superior aos velhinhos e confortáveis Intercidades - faz demasiadas paragens. Parte de Santa Apolónia em Lisboa-Oriente, em Coimbra B, Aveiro,Vila Nova de Gaia e Campanhã. Parece-me demasiado para um comboio desta natureza, que, imagino (e estou apenas a imaginar mesmo), deve ser útil para ligar pontos distantes - um percurso Faro - Lisboa-Oriente - Campanhã, numa linha própria (há este problema também) seria porventura a solução ideal. Note-se que, entre Lisboa-Oriente e Faro, o Alfa ganha ao Intercidades entre 45 minutos e uma hora, com a diferença de preços em segunda classe a ser de apenas um euro e meio. E faz sete paragens - Lisboa-Oriente, Lisboa-Entrecampos, Pragal, Pinhal Novo, Tunes, Albufeira, Faro, numa linha que a Sul do Pinhal Novo nunca é dupla. O Alentejo é esquecido neste trajecto, o que apesar de ser alentejano, não me choca.

Mas tudo isto, incialmente, estava integrado no meu post anterior sobre o TGV, opção que me deixa uma dúvida: a ideia de fazer o TGV é para ligar cidades distantes numa linha própria que lhe permita optimizar a sua velocidade, ou é para ligar Lisboa e Porto fazendo paragem em duas ou três capelinhas? É que se assim for, parece-me a mim que irá ganhar uns meros vinte e cinco minutos ao Alfa Pendular - e, se assim for, será um investimento inútil do ponto de vista nacional.

Mais importante do que o TGV parece-me ser:

1) Optimizar os percursos do Alfa Pendular, para que possa ser de facto eficiente (coisa que não é no percurso Lisboa-Porto, pelo menos);

2) Apostar na ferrovia em todo o território nacional, levando o serviço Intercidades e Regional a mais sítios, com melhores horários, e promovendo o transbordo. Um exemplo: não há estação de comboios em Odemira, sendo Luzianes-Gare, a cerca de trinta quilómetros, a estação que, supostamente, serve a sede do maior concelho do país. Quem chegar a Luzianes-Gare no Regional - ou às Amoreiras, ou a Santa Clara-Sabóia - não tem como chegar a Odemira, porque os autocarros locais não estão sincronizados com o comboio. São estes detalhes que terão de mudar para tornar o interior mais viável.

john

A alta velocidade do progresso

O que, passe a expressão, salta à vista neste mapa tão "simplex" não é a maioria de os países do centro da Europa ter TGV (a Áustria não tem, para não mencionar a Polónia ou a República Checa). É na Escandinávia essa opção não ser equacionada. Como todos nós sabemos, os países escandinavos são um exemplo de atraso económico e social (três deles até são monarquias, vejam bem!). Tão atrasados, aliás, que no Índice de Desenvolvimento Humano de 2008, a Noruega está em terceiro lugar, a Suécia em sétimo, a Finlândia em décimo segundo e a Dinamarca em décimo terceiro. O que, a meu ver, indica algo muito simples: os povos escandinavos estão bem conscientes da sua posição geograficamente periférica - sim, a Escandinávia é também periférica, uma boa parte dela demasiado perto do Pólo Norte com uma realidade que não imaginamos, como, por exemplo, o "Sol da meia noite". E devido a essa posição periférica (e provavelmente também ao clima), a ferrovia de alta velocidade nunca conseguiria ser mais eficiente do que o transporte aéreo.

O mesmo se passa em Portugal. Com o preço dos vôos em queda (e a ascensão das companhias low cost), vai compensar o comboio de alta velocidade para "nos aproximar da Europa"? Nem de Madrid ou Barcelona, destinos próximos para os quais, com um pouco de antecipação, já se consegue viajar por cinquenta euros ou menos. O "TGV" vai conseguir competir com estes preços? Será mais rápido? Note-se que não questiono a linha de alta velocidade nos países do centro da Europa - aí, ela faz de facto sentido. Ou nos Estados Unidos, um país com dimensão de continente. Mas Portugal está na "ponta do corno", onde "Judas perdeu as botas". Para chegar de comboio ao "centro" da Europa temos de passar por Espanha e atravessar os Pirinéus. Torno a dizer: não me parece que venha a ser competitivo face ao transporte aéreo.

john

Não querendo passar por Amish,

tenho a dizer que estes senhores não descobriram propriamente a pólvora. O Facebook - e as "redes sociais" em geral - podem envenenar relações amorosas? Não. As pessoas que utilizam estes meios é que se envenenam com uma vontade e uma facilidade surpreendentes; convém não perder de vista que toda a informação disponibilizada e partilhada no Facebook é da inteira responsabilidade dos utilizadores, assim como o consequente voyeurismo. No fundo, o problema reside nos actuais meios de comunicação em geral, e se querem saber a minha opinião, neste contexto o telemóvel terá porventura sido o primeiro "605 forte" das relações amorosas modernas.

john

27.8.09

Não gosto (I):

De pessoas que separam o sujeito do predicado com uma vírgula.

john

26.8.09

Manifesto anti-Ricardo Pais no Festival ao Largo causa polémica

"22.07.2009 - Alexandra Prado Coelho

Diogo Dória, Miguel Guilherme, Rita Blanco e Nuno Artur Silva assumem a "provocação". Diogo Infante, que programou o espectáculo, demarca-se

O director do Teatro Nacional D. Maria II, Diogo Infante, tomou conhecimento prévio dos ataques que iriam ser feitos ao encenador Ricardo Pais num dos espectáculos que programou para o fim-desemana passado no Festival ao Largo, em Lisboa, não os subscreve, mas optou por "não exercer qualquer acto de censura para com uma decisão que era artística".

Contactados pelo P2, os actores Diogo Dória e Miguel Guilherme e o argumentista Nuno Artur Silva assumem integralmente a responsabilidade pelo texto (que escreveram com Rita Blanco, também intérprete do espectáculo Recital e Tal, mas que o P2 não conseguiu ontem contactar, e com a argumentista Inês Fonseca Santos) e pelas críticas ao encenador e ex-director do Teatro Nacional de São João, no Porto. Ricardo Pais prefere "não dar importância nenhuma ao assunto", que considera "uma insignificância", mas deixa uma sugestão: "Será melhor perguntar ao ministro da Cultura [José António Pinto Ribeiro], que foi sócio das Produções Fictícias [a empresa de Nuno Artur Silva] e percebe melhor aquelas cabeças do que eu".

"Manifestei formalmente a minha consternação para com uma decisão que implica o Teatro Nacional [D. Maria II]", declarou Diogo Infante ao P2. "Quando programei o espectáculo não estava na expectativa de que fossem ofendidos terceiros. Mas não posso condicionar a criatividade dos intérpretes. Lamento, e já tive oportunidade de falar com o Ricardo Pais e de lhe manifestar solidariedade."

Opart "siderado"

No centro da polémica está o espectáculo apresentado nas noites de sexta-feira e sábado no largo em frente ao Teatro Nacional de São Carlos. Diogo Infante esclarece que "a responsabilidade moral, ética e artística é dos intérpretes e actores" e que quando foi informado do conteúdo do texto - a adaptação do Manifesto Anti- Dantas, de Almada Negreiros, para um texto anti-Ricardo Pais, nomeadamente na célebre frase "Morra o Dantas, morra! Pim" - era demasiado tarde para alterar a programação, entretanto anunciada já em conferência de imprensa.

A adaptação do manifesto visando Pais deixou os responsáveis do Opart (organismo que gere o São Carlos) "siderados", declarou, por seu lado, Carlos Vargas, um dos elementos da administração. "Não nos revemos de todo nessa abordagem. Para mim, Ricardo Pais é uma referência na cultura portuguesa." Vargas confirma que a decisão de manter o espectáculo foi tomada com Diogo Infante e nega qualquer ligação entre esta polémica e a que envolveu outro espectáculo programado também por Infante para o Festival ao Largo, a peça Amor, encenada por Marcos Barbosa, que foi primeiro cancelada e depois reprogramada. Não faria sentido fazer o Manifesto Anti-Dantas sem o actualizar, explica Diogo Dória. "Interrogámo-nos sobre qual seria o [Júlio] Dantas contemporâneo e chegámos unanimemente à conclusão de que seria Ricardo Pais, que tem a mesma pesporrência, a mesma relação com os dinheiros públicos, o pensar que estes podem ser usados de forma aleatória." Frisa, contudo, que "a situação foi muito pensada, houve avanços e recuos e a decisão não foi tomada de ânimo leve".

"Dizer mal pela frente"

Nuno Artur Silva concorda que "a melhor maneira de ler em público o Manifesto 100 anos depois era fazer com que ele tivesse o mesmo grau de provocação que o Almada lhe quis dar". Era fácil encontrar "os alvos do costume, fazer o anti- Sócrates, o anti-Santana [Lopes], mas preferimos procurar alguém do meio teatral". Para Miguel Guilherme, a escolha era óbvia, porque Pais representa tudo o que detesta no teatro "como homem e como criador". Além disso, afirma, a atitude teve um "valor facial" - ou seja, foi "dar a cara, dizendo mal pela frente, o que é raríssimo". Garante: "Não há aqui qualquer agenda política".

Nuno Carinhas, que substituiu Ricardo Pais na direcção artística do Teatro Nacional de São João, vê aqui "um equívoco grosseiro". "Se há alguém com quem o Ricardo Pais pudesse ser comparado era com o Almada e não com o Júlio Dantas, porque é uma figura de irreverência e não de alguém que está estabelecido." É por isso que acha que no espectáculo frente ao São Carlos - ao qual, frisa, não assistiu - terá havido "desonestidade intelectual" e um "facilitismo de crítica, que não era o que Almada teria na cabeça quando fez o manifesto".

Nuno Artur Silva e Diogo Dória garantem que não os move qualquer animosidade pessoal contra Ricardo Pais. "Isto não é uma vingançazinha", diz o actor. "Sempre achei que o Ricardo Pais era uma pessoa nefasta para o meio teatral, nunca vi nenhuma encenação dele que mereça ser lembrada." O actor recorda que Pais é signatário de um manifesto que critica o actual ministro da Cultura e indigna-se. "Quando passa um homem sério pelo ministério todos o acusam." Nega, no entanto, que as críticas a Pais sejam uma defesa de Pinto Ribeiro. "Repudio absolutamente isso." O que o move, diz, é uma profunda preocupação com "a situação em que se encontra o ensino artístico em Portugal".

Também Nuno Artur Silva (que esclarece que o texto não é das Produções Fictícias mas apenas dele e de Inês Fonseca Santos) rejeita as tentativas de ligar o caso a Pinto Ribeiro: "Não tem nada a ver com o ministro. Tenho uma vida para além de ser amigo pessoal do ministro da Cultura e há muitos anos que tomo posições públicas sobre cultura."" in Ípsilon 09.


Não deixa de ser profundamente utópico equacionar a hipótese de falar sobre Teatro juntando no mesmo raciocínio Rita Blanco-Diogo Dória-Guilherme e Ricardo Pais. É quase a mesma coisa que pensar em falar sobre futebol e juntar Flávio Meireles-Zé Manel-Bynia e Lionel Messi. Enquanto os anões se mantiverem a atirar pedrinhas na vertical, continuarão a ser anões para todo o sempre. A teoria da gravidade escorraça-los-á. É curioso notar que o Dória ao dizer isto: (RP) "representa tudo o que detest(o)a no teatro "como homem e como criador", me venha à cabeça o seguinte: (i) quem é que conhece o Diogo Dória? (melhor, quem é o Diogo Dória?); (ii) Será que o senhor sabe que são precisamente as criações de Ricardo Pais aquelas que mais são premiadas internacionalmente (dever-se-á dizer que suspeito que o Sr. DD só detesta as criações de Ricardo Pais porque, apesar de actor, não as percebe - o que é triste); (iii) não saberá também que Ricardo Pais foi das únicas personalidades do teatro contemporâneo Português a ser condecorado pelo Governo Francês pelo seu trabalho como criador. Acordai.

jtf

25.8.09

Isto ocorreu-me há pouco na tabacaria do Campo Pequeno, quando descubro a Science et Vie na estante das revistas: ainda existe jornalismo científico em Portugal, ou a coisa resume-se a dois ou três artigos, normalmente pejados de erros, por semana em jornais generalistas?

john

Esboçar conversas

Novamente o cartão (ou "as minhas embirrações")

Quase todos os amigos com quem comento o assunto simpatizam com a ideia do cartão do cidadão. Motivo: reduz a quantidade de cartões que um "cidadão" tem de ter. Estes amigos pelos vistos não pensaram que, de facto, um cartão bastaria apenas, num modelo como o norte-americano onde o número da Segurança Social dá para tudo.

Isto é tão lógico que eu nem percebo como as pessoas não percebem. Não há qualquer necessidade de eu, João Campos, ter um número de identidade, um número de contribuinte, um número de segurança social, um numero para o sistema nacional de saúde e um número de eleitor. Pois se todos estes números são únicos para cada cidadão, então basta um número para cada cidadão. Isto, sim, seria desburocratizar. Mas não: o cartão do cidadão apenas vai juntar num só cartão todos os cartõezinhos que temos. Ou seja, vai tornar burocracia analógica numa burocracia digital. Porreiro, pá.

Um amigo diz-me mesmo, quando trago para a conversa o exemplo de países como os Estados Unidos, a Noruega ou o Reino Unido, que lá por eles não terem BI não quer dizer que esteja errado nós termos. Claro que não. O facto de os Estados Unidos, de o Reino Unido ou de a Noruega serem países desenvolvidos também não torna errado o facto de Portugal não o ser. Claro que não. Atiremos, pois, mais areia para as engrenagens.

john

24.8.09

O avatar de Cameron

Dezembro deverá ser o mês do regresso de James Cameron com Avatar, um filme em três dimensões para o qual o aclamado realizador tem vindo a desenvolver tecnologia ao longo dos últimos dez anos. Estou curioso, confesso. Mas gostava muito que os jornalistas e os promotores se lembrassem de que James Cameron, mais do que ser o realizador de uma das maiores estopadas de sempre do cinema - Titanic (sim, ganhou onze óscares, e depois?) -, foi o realizador de obras-primas da ficção científica como Aliens, Terminator e Terminator: Judgement Day. O Titanic foi feito à medida dos pseudo-intelectuais da Academia, com a historieta ridícula e trágica e uma execução técnica praticamente irrepreensível. A verdade é que não deixou memória, enquanto toda a gente se lembra de Arnold Schwarzenegger a dizer "I'll be back". Lembrem-se disso.

john

22.8.09

Relator

Pete Yorn & Scarlett Johansson



Tudo isto me parece invariavelmente bem.



fs

20.8.09

Duas perguntas.

Meu caro Fábio, congratulo-te pela celeridade dos serviços - também a tive quando fechei actividade a recibos verdes. Mas quanto ao cartão do cidadão, digo-te que só o tirarei quando a isso me obrigarem. Aliás, sobre o cartãozinho tenho duas perguntas muito simples, e nenhuma delas tem sequer a ver com a segurança e a privacidade dos dados:

1) Com o cartão do cidadão, deixo de correr o risco de não ser atendido num centro de saúde deste país com o argumento de que "a minha área de saúde não é ali"? Dito de outra forma, com o cartão do cidadão passo a ter acesso a todos os serviços de saúde a que tenho direito independentemente da área de residência?

2) Com o cartão do cidadão passo a poder votar a partir de qualquer mesa de voto do país, ou de um consulado estrangeiro, equipada com leitor de dados do cartão, e independentemente da minha área de residência?

Se a resposta a ambas as perguntas for negativa, então o cartão do cidadão é absolutamente inútil. Se ingleses, noruegueses e norte-americanos não precisam de um "bilhete de identidade", não vejo por que precisaremos nós. Se um cartão não servir para nos simplificar a vida, é dinheiro (obrigatório) mal empregue, a mando dos ignorantes burocratas deste burocrático país.

john

19.8.09

Eu e as senhas

Ainda assim, john, há esperança, ou, se for o caso, muita sorte. Tendo feito o pedido para o Cartão do Cidadão no dia 12 deste mês e avisado pela simpática senhora que na altura me atendeu em como a carta com o aviso para o levantamento deveria chegar à minha morada num período de "uma semana a três meses", eis que, hoje, ao verificar a caixa do correio, já lá estava o referido envelope, imprescindível para adquirir aquele pequeno cartão que me permite aliviar o volume da carteira. Uma semana exacta, foi o que demorou. Diria a outra: há coisas fantásticas, não há?
Mais: com outros assuntos para tratar - nomeadamente o cultivo da preguiça -, dirigi-me à Loja do Cidadão de Viseu passavam vinte minutos das sete da tarde. Fechava às 19h30, ia com a ideia que era às 20h. Desço as escadas num rodopio frenético até à secção pretendida, com a desilusão de que já não teria tempo por ainda haver muita gente na fila ou por se aproximar a hora do fecho. Deparei-me com o serviço quase deserto. Somente uma mulher jovem estava sentada a fazer o pedido do seu próprio cartão. Outra senhora atrás de uma das mesas de atendimento (resistente para uma hora de fim de expediente) sorria para a minha cara certamente corada pelo calor ou, quem sabe, pela azáfama com que me deve ter visto irromper pelas escadas. Aguardava com o dedo posto no aparelho com que se avança no quadro electrónico das senhas que eu tirasse a minha. No mesmo instante em que a tirei, fui chamado. Contando com a experiência anterior, entrámos num período de tréguas.
Saí do edifício uns bons três ou quatro minutos antes do fecho das portas. Com o novo cartão no bolso. E sem óculos na fotografia, reitere-se. Não tenho com que me preocupar, dizem-me os apologistas das lentes de contacto. Pelos vistos, fico bem sem eles. Tenho pena por esses benévolos elogios. Ainda está para vir o dia em que consiga manter uma relação estável com uma qualquer película por cima das minhas córneas.



fs

Agosto e as senhas.

O problema não são apenas os hospitais, diga-se de passagem. Aliás, aproveito a deixa para narrar aqui a minha odisseia de hoje para conseguir ser atendido por um médico. No centro de saúde da minha área de residência (Ajuda), ao qual cheguei entre as onze e meia e o meio-dia, disseram-me "hoje já não há consultas, tem de vir noutro dia de manhã cedo e marcar" (sendo que "marcar" no contexto da Saúde em Portugal não é marcar a consulta para as onze e aparecer no consultório às onze, mas sim ir ainda de madrugada para a porta do centro de saúde para conseguir uma "senha" - o orgasmo precoce dos burocratas - que, com sorte, dá consulta às duas da tarde). Dirigi-me então ao Hospital de Egas Moniz, no qual me perdi por falta de indicações, e onde não encontrei qualquer sinal de atendimento geral, somente de especialidade, e num hospital cujas condições são dignas de Bagdade em dias de atentados à bomba. Meti-me num autocarro da Carris - num dos que não viram o percurso "reduzido" ou "suspenso" até Setembro - para ir até ao Centro de Saúde de Alvalade, ao Júlio de Matos, onde fiz uma "ficha temporária" quando vivia no Areeiro. "Mas é urgência?", inquiriu a senhora da recepção. "Não, é apenas uma consulta", respondi, por não se tratar de facto de uma urgência, pelo menos por enquanto. "Então tem de vir de manhã tirar senha", respondeu-me. A senha, a puta da senha.

Não me apetece ir para as urgências do Santa Maria ou do São José por causa de uma consulta que espero ser de rotina (quero ser visto por um médico que me passe alguns exames para fazer, se for necessário). Nos dias que correm, aliás, e com os belos hospitais que temos, a sala de espera das urgências é um pasto para vírus (alguém se lembra da Gripe A?) e uma tortura desumana - ainda tenho bem presentes os meus últimos episódios nelas. Quero, pura e simplesmente, ser visto por um médico. E ter-me-ia dado imenso jeito ter acontecido hoje, já que não trabalhava durante a maior parte do dia. Não aconteceu, faltava-me a "senha". Provavelmente nem me dariam a senha se fosse ao centro de saúde às seis da manhã, por "oficialmente" não ser a minha área de residência - e repetia-se a história de há uns anos, em que só não fui "recambiado" para Odemira porque a médica do centro de saúde de São Mamede era uma médica séria, uma profissional que se lembra do Juramento de Hipócrates e arranjou forma de contornar a burocracia da única maneira possível: gastando o tempo livre dela para me atender.

Enfim, Portugal é um país a senhas todo o ano, e a banhos em Agosto. No meu quarteirão, mantém-se em actividade a tabacaria e o supermercado. Tudo o que é café, esplanada, talho ou churrascaria está "de férias". Não se passa nada em Agosto - no meu quarteirão à Ajuda ou noutro ponto qualquer de Lisboa que não seja servido por um (ou mais) centros comerciais. A questão é cultural: somos o país onde a escolaridade obrigatória tem três meses de férias, entre meados de Junho e meados de Setembro, e nunca alguma luminária do Ministério da Educação se lembrou de que tão grande período de férias é absolutamente antipedagógico. Somos o país onde se discutem férias judiciais em Agosto. E onde toda a gente, invariavelmente, mete férias em Agosto. Os que não o fazem - porque não podem, porque não querem, porque, como eu, são imbecis ao ponto de preferirem Março, Novembro ou, se for para praia, Junho ou Setembro - não arranjam sítio decente para algo tão simples como tomar uma bica depois de almoço. Este país não existe.

john

Decididamente,

este país é capaz de envergonhar as pedras da calçada. Até quando durará a mania nacional de fechar o país para férias em Agosto?

john

18.8.09

Don't panic (II)

Arthur Dent era um homem perfeitamente normal e insuspeito, até à fatídica manhã em que acorda com máquinas de demolição a dirigirem-se à sua casa - para a demolirem, naturalmente. Mal sabia Arthur que essa manhã, a começar com a iminente destruição da sua casa, terminaria com a destruição do planeta Terra por uma burocrática raça alienígena encarregada de construir uma auto-estrada de hiperespaço. A história, porém, não termina aí, pois um dos amigos de Arthur, Ford Prefect, é afinal um extraterrestre disfarçado, e consegue no último minuto uma boleia espacial para si e para o infeliz terráqueo. E a aventura pela galáxia começa.

Esta seria uma introdução possível a The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, o primeiro volume de uma "trilogia de cinco", como lhe chamou o seu autor, Douglas Adams. No romance, "The Hitchhiker's Guide to the Galaxy" é um livro electrónico com toda a informação possível e imaginária, feita pelos seus próprios utilizadores de acordo com os seus próprios critérios - quase uma Wikipedia, mas infinitamente mais divertida. Tal como o próprio romance é um épico de ficção científica, mas infinitamente mais divertido, a entrar no mais perfeito non-sense. Adams domina a técnica na perfeição: com a leitura da introdução à história o leitor fica logo avisado que prosseguir a leitura causará muito riso descontrolado. E causará (leiam e confirmam), à medida que as aventuras de Arthur, Ford, Trillian, Zaphod e Marvin the Paranoid Android avançam pela galáxia movidas a improbabilidade - literalmente. Pelo caminho, o leitor pode descobrir a resposta para a derradeira questão, a da Vida, do Universo... e de Tudo!... ou pelo menos tentar descobrir a resposta.

Preciso agora de comprar os restantes volumes da "trilogia de cinco": Restaurant at the End of the Universe, Life, the Universe and Everything, So Long and Thanks for all the Fish e Mostly Harmless. A 13 euros o paperback, isto não me vai sair nada em conta. Mas é mais prático do que comprar a compilação, que é bastante gira, mas é um autêntico calhamaço. Para os interessados: os dois primeiros volumes estão traduzidos e editados em português pela Saída de Emergência, o que deve pelo menos garantir a qualidade da tradução (espero). Pessoalmente não gosto de ver livros com capas de filmes.

(Na imagem: a edição que comprei, pequena e maneirinha como se quer um paperback, com capa combinável com as restantes da série. Em Portugal não se fazem coisas assim.)

john

17.8.09

Solidariedade.

Juro que estou solidário com Carolina Patrocínio, apesar de não a achar gira e de, após ver o famoso vídeo que agora circula por aí, a considerar uma pessoa absolutamente desinteressante (do meu ponto de vista, claro está). Mas pegarem na rapariga - salvo seja - por ela não gostar de comer fruta com caroço e de ser a empregada que lhe faz esse serviço é que, enfim, era escusado. Serei a última pessoa a condenar a pobre Carolina por tão triste declaração, até porque também sou aquela pessoa que praticamente só compra bananas por serem tão fáceis de descascar. Gosto muito de maçãs e de laranjas, mas não há pachorra - e, no caso das maçãs, metade fica sempre na casca de qualquer maneira (não, não como maçãs com casca). Com cerejas é fácil, cospe-se o caroço para o prato e pronto. De qualquer maneira, só como cerejas em casa, onde posso dar-me ao luxo de ser javardo e cuspir os caroços para o chão se quiser (não quero, já que sou eu quem limpa a casa), ou no campo, quando encontro uma cerejeira. O que, diga-se de passagem, não acontece vai para quinze anos.
O problema de Carolina não é ela ter uma empregada que lhe tira os caroços das cerejas e as grainhas das uvas. O problema da Carolina é ter uma boca demasiado grande- em sentido figurado, entenda-se. Falou muito antes de pensar, e agora já não consegue fazer batota com isto. É uma pena, e juro que neste post não cheguei a usar ironia.

john

These Are My Twisted Words

... é o título da nova música dos Radiohead. Está disponível para download gratuito no w.a.s.t.e.. Ide ouvir, que é excelente (passe a redundância).

john

Ao léu.

Isto deverá querer dizer que esta geração não irá passar pelo flagelo de ver uma fotografia sua, em pelota, no lugar mais visível do móvel da sala da casa dos seus pais. É o fim daqueles momentos muito embaraçosos quando ainda vivemos com os pais e levamos um amigo ou uma amiga lá a casa, ou mesmo quando já estamos a tratar da vidinha e levamos a namorada lá a casa para ela conhecer a família. O assunto, digo eu, quase seria digno de petição: qualquer coisa como pelo fim das fotografias com pipis e pilinhas ao léu em cómodas e estantes de salas-de-estar da família.

john

16.8.09

Pedir não custa, não é?

espelhos e reflexos #26

- A vida é como uma aula: fornece-te todos os instrumentos e todas as ocasiões para atingires todo o conhecimento.
- Contudo, nunca chegamos, mesmo o mais acutilante dos génios, ao conhecimento absoluto das coisas. Porquê?
- Porque, tal como numa sala de aula, jamais podemos estar constantemente atentos.



fs

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14.8.09

Definitivo?

Pois é, caro Henrique: o problema é que a "prosa" que o Henrique considera "definitiva", o editorial de Sílvia de Oliveira no "i", contém um pequeno grande erro factual: os comentários de João Bonifácio que a senhora cita não tiveram como alvo o concerto dos The Killers, mas o festival em geral. Aquilo que, imagino, terá levado os fãs da banda à fúria não foi uma crítica negativa - porque, na verdade e como o próprio João Bonifácio assumiu, o concerto foi bom -, foi, sim, o facto de o crítico ter assumido que não gostava da banda (o que, confesso, também a mim fez confusão). De resto, a polémica nem envolveu os fãs da banda, já que a esses ninguém ligou pevide. A polémica envolveu apenas o Belenenses, que se sentiu atingido pelas palavras do crítico. O resto da história já é de conhecimento comum.

De resto, o caso morreu, e, suponho, está toda a gente feliz e contente. Sílvia de Oliveira, no seu editorial, mostra-se desgostosa por o mesmo crítico ter desancado em Leonard Cohen, sem que isso a faça, porém, exigir desculpas ao jornal. Pois, ainda bem, se eu fosse irritar-me sempre que leio uma crítica desfavorável a um filme, a um livro ou a uma banda de que gosto, enfim, teria iniciado uma revolução por causa daquilo que Billy Crystal disse na cerimónia dos Óscares a propósito do (para mim excelente) Matrix Revolutions. Teria promovido um massacre por causa da crítica negativa a Death Proof, do Tarantino. Lançava uma fatwa a toda a gente que dissesse ou pensasse mal do melhor álbum da década, que, como é evidente, é o Amnesiac, dos Radiohead (coisa que só pode ser discutida caso a comparação seja entre este, o Hail to the Thief, o In Rainbows ou o Kid A - caso contrário, esqueçam, não há aqui cedências). E o caso de todos aqueles que acham que fantasia e ficção científica é coisa de putos não podia ficar por menos do que uma bandeira - uma qualquer, podia ser a da minha aldeia - hasteada no Castelo de São Jorge, que diabo. Acham que a malta do 31 da Armada me empresta o fato de Darth Vader para isto? É que até ficava bem.

john

Deixa lá ver se percebi:

A malta do 31 da Armada trepou à varanda dos Paços do Concelho e hasteou a bandeira monárquica. A acção foi filmada e divulgada, os seus autores identificaram-se. O caso estoirou na comunicação social, com os intervenientes a darem entrevistas. Os blogues não falaram de outra coisa. O município fez queixa às "autoridades competentes". Mas foi preciso os "Vaders" irem à câmara municipal devolverem a bandeira da cidade de Lisboa - "devidamente engomada" - para a polícia aparecer e os levar para prestarem declarações. É só de mim, ou toda esta história é uma perfeita anedota sobre o funcionamento das nossas instituições?

Entretanto, há quem peça sangue, figurativamente falando. Enfim, confusões. Este caso é de gravidade quase nula - a menos que consideremos que cobrir de ridículo as instituições nacionais seja um crime grave. O que não é, pois a ser, as próprias instituições nacionais já estavam presas há imenso tempo, pelo óptimo trabalho que fazem em se cobrirem de ridículo. Vamos ver o que sai daqui, mas algo me diz que as consequências para os autores deste acto inofensivo - porque foi, de facto, inofensivo - serão mais nefastas do que as consequências de muitos outros idiotas que por aí fazem coisas bem mais graves. Aguardemos.

john

13.8.09

E como será com os ambidestros?

Hoje é o Dia Internacional dos Canhotos. Para relembrar e protestar contra a discriminação - mesmo a dos dicionários - que, muita ou pouca, ainda exista. E também para constatar, cientificamente, que os canhotos até pensam mais rápido em várias actividades, como o desporto.
Vou fugir desta "discussão". Apesar de ser destro, e de a mão esquerda ser um pouco cega, pelo menos nos desportos que pedem os pés sempre me safei com os dois.


fs

<26 passa a <30

Dito de outra forma, a partir de 2010 o Cartão Jovem pode ser emitido até aos trinta anos. Ou, dito de outra forma, ainda tenho pela frente seis anos* de descontos na CP para ir à aldeia.

De resto, somos todos jovens aos 30 anos. A mim tudo isto parece muito estranho, quando eu já me sinto velho aos vinte e quatro.

john

Dúvida:

Afinal, para que serve um "mandatário para a juventude"?

john


Não, a sério: para que serve um mandatário para a juventude? É uma coisa que me transcende. Pensando nas mais mediáticas mandatárias para a juventude dos últimos tempos - Filipa Martins e Carolina Patrocínio - fico a pensar que a mandatária serve não só para "atrair" os "jovens" (que agora vão até aos 30, muito importante), mas também - e provavelmente sobretudo - para o candidato lavar a vista. De resto, não existem já as "jotas" precisamente com o objectivo de "atrair" os "jovens"? Alguém me elucide, por favor.

12.8.09

Assim teve de ser

Na antecipação do fim da validade, em Setembro, do meu bilhete de identidade, fui à Loja do Cidadão pedir o mui nobre Cartão, lá está, de Cidadão. Saí do edifício com o pedido feito - não sem algum esforço da minha parte - e, em princípio, receberei a carta de aviso para o ir levantar no preciso intervalo de "uma semana a três meses". Tirando a normal fila imensa que me lançou para uma espera de quase duas horas, entre choros de crianças aborrecidas e um conclave de línguas estrangeiras dos nossos emigrantes (sou capaz de jurar que, naquele aglomerado de pessoas, imperava o francês e o alemão, a espaços se ouvia um português reclamando pelo calor ou por ter o carro estacionado em segunda fila ou por outro contratempo qualquer) apenas outra situação me deixou um pouco incomodado: enquanto me recolhiam os dados biométricos (mais quatro centímetros desde a última vez, as impressões digitais do costume), a assinatura - agora digital - imutável desde a primária, foi-me tirada uma fotografia. "Com expressão neutra, se faz favor. São as normas internacionais", disse a simpática senhora. Obedeci na maior das cooperações pois sempre detestei sorrisos artificiais para as fotografias do tipo passe (a minha mãe que o diga, era um calvário para me verem os incisivos e os caninos). Só que depois: "desculpe, mas tem de retirar os óculos". Eram as normas internacionais, mais uma vez. E eu, retirando a armação, ou como quem diz: os meus verdadeiros olhos, lá me virei para a máquina naquela expressão neutra que me pediam, sentindo-me na completa nudez. Assim teve de ser.



fs

He's back

fs

11.8.09

Recorrendo à hipérbole, isto lembra-me umas certas estrelas de David.

Através do Clube das Repúblicas Mortas, chego a este artigo do colunista brasileiro Ruy Castro. O artigo versa a polémica antitabagista no Brasil, e é de arrepiar:

Tudo isso antes que a lei antifumo de Serra entrasse em vigor, o que aconteceu neste fim de semana. A partir de agora, fumantes que insistam em frequentar boates ou botequins deverão submeter-se a revistas por fiscais façanhudos, comprar uma pulseira para se identificar e pedir permissão ao bedel para ir fumar lá fora _desde que o estabelecimento não tenha um toldo na porta, o que, segundo a lei, caracterizaria aquele espaço na via pública como um lugar fechado. Em outras casas, estarão sujeitos à delação oficialmente estimulada e poderão ter seus cigarros apreendidos.

Uma lei desta natureza não é própria de um estado que se afirme democrático. Infelizmente, tenho ideia de que algo assim por cá faria as delícias de muito boa (má?) gente por aí...

john

A monarquia de Lisboa

Ontem, foi instaurada a monarquia durante cerca de doze horas. Não houve tempo para Dom Duarte se sentar no trono, mas foi suficiente para envergonhar a Câmara Municipal de Lisboa, que não deu pela troca da bandeira da cidade pela bandeira monárquica. Os autores da brincadeira foram os rapazes do costume: a malta do 31 da Armada, que há dois anos foram "conquistar" Olivença. De acordo com o comunicado divulgado no blogue, aquela foi "a contribuição do 31 para as comemorações do centenário da república". Excelente contribuição, diga-se de passagem.

Agora é esperar que as autoridades camarárias tenham também sentido de humor. Este tipo de delitos mais ou menos inofensivos (a menos para aqueles que se engasgaram a rir) tendem por vezes a ser mais exemplarmente punidos do que crimes mais graves.

Declaração de interesses: não sou monárquico (nem republicano, aliás; essa é para mim uma questão menor), mas gosto muito de História. E a História de Portugal, sobretudo do Portugal republicano, é uma história muito mal contada. Como tal, considero um disparate o esbanjar de dinheiro para as comemorações do próximo ano. Celebramos o quê? O homicídio do rei? A "troca" de um regime que, com as suas falhas, era democrático (sim, democracia e monarquia são compatíveis, creio que o facto dispensa exemplos por ser tão óbvio) por outro que se queria democrático mas que apenas serviu de terra para o Estado Novo germinar? Eu até concordo com o feriado do cinco de Outubro. Mas não concordo com a celebração da república. Sim, com minúscula.

Entretanto, as comparações disparatadas já começaram. Ao pessoal do 31: para a próxima vez, rebentem com o edifício. A esquerda vai ajoelhar-se aos vossos pés.

john

Exclamações, adjectivos e travessões III

I aqui.
II aqui.


O ponto de exclamação tende, salvo honrosas excepções, a ser conotado como um estandarte da oferta de emotividade barata, de um quase encobrir dos defeitos textuais com o berrar mais alto, acabando por adquirir uma importância mais gestual, como referiu o João Teago. Até compreendo esta campanha de abolição/aniquilação que prolifera na nossa estimada blogosfera, mas, ainda assim, julgo ser de bom tom indultar o desamparado sinal. Eu próprio também o tenho posto de lado inúmeras vezes desde que me lembro de rabiscar coisas: inicialmente por medo óbvio da etiquetagem de texto cheio de puberdade para maturar, ultimamente por considerar difícil a sua utilização (e ainda sem a maturação, acrescente-se). Recordo-me de um professor do ensino básico - também da classe incentivadora, john - que não hesitava na sua demonstração de amor pelo famigerado sinal de pontuação nos diálogos das composições que escrevíamos na turma. Dá mais a sensação de imagem, dos gestos e, portanto, enriquece a experiência do leitor, dizia. De facto, procurando em rabiscos antigos, constato que o utilizo, maioritariamente, nessas situações.
Continuando, o seu uso não me aborrece nem intimida. O que acontece, será, quanto muito, para mim e para aqueles que subscrevem o “movimento”, um receio de perder a racionalidade daquilo que desejamos transmitir, sendo que o uso do ponto de exclamação é caminho fácil para o descalabro, ou mesmo que isso não aconteça, pode ofuscar a atenção do leitor do cerne do assunto. Não sou a pessoa indicada para o dizer (nem barba decente ainda tenho), porém, penso que, no grosso dos textos da blogosfera e mesmo no campo literário, é uma luta entre a emotividade atirada à cara dificilmente levada a sério e a racionalidade apreciada. É, pois, um sinal de dolorosa e hesitante utilização. Uma vez contornadas essas adversidades, torna-se um utensílio riquíssimo – de elegância como referes, john. Ainda há tempos li os Contos da Montanha e, à luz deste tema, releio algumas passagens e verifico, sem demoras, que Miguel Torga era exímio na sua utilização: os tiques, os maneirismos, a sensação de vocalização de palavras mais rurais.
O ponto de exclamação deverá continuar no seu lugar perene, à espera de quem o queira – e saiba, isso convinha – utilizar.


(espero ter enriquecido este diálogo intra-jardim com esta fugaz opinião; se isso não acontecer vou ficar por aqui na esperança de me esbofetearem, de forma benévola vá, o pensamento. Outra coisa não tenho recebido, ao longo de quase dois anos, neste albergue de micróbios)

fs

10.8.09

Exclamações, adjectivos e travessões II

Devo dizer que tendo a concordar com o Pedro Mexia. A exclamação é para mim sobretudo uma coisa gestual e pouco gráfica. O tom piroso com que a pontuação exclamativa cai no final de frase é tão marcado, que ainda se notam os excrementos semelhantes aos de Citroen Saxos alterados e em fim de vida. Não é tanto pela intenção de induzir exclamação e/ou espanto no leitor (que até seria respeitável) é mais pela forma explicita como o faz, reduzindo a leitura a algo que é meramente guiado pelo espanto alheio. Sobretudo, é uma espécie de gps gráfico para o espanto.
jtf

9.8.09

You see, I'm just another snowman


jtf

6.8.09

Incompetentes, pá.

No Público: Dezanove pessoas detidas no Festival Sudoeste com cerca de 200 gramas de droga. Só dezanove? E darem uma voltinha a pé pela aldeia, não?

john

Silly Season ou Nem os santos nos salvam



fs

Isto é mesmo a silly season,

e nem a blogosfera fica de fora. Com Pedro Mexia ainda noutras paragens (temos mesmo de avançar com a petição), o Lourenço e o Pedro ausentes em parte incerta, o Filipe de sabática e o Ouriquense em interrupção até ao final de ano, restaria pouco mais do que a bloga política para seguir. Esta, porém, parece não ter mais tema para além das Legislativas - ou melhor, ter até tem, mas é o Bonifáciogate, e para esse também já não há pachorra. Nunca mais acaba o Verão.

Valha-me o sempre bom Aurea Mediocritas. Eu ainda estou a pensar na amazona que matou o Monstro das Bolachas.

john

Adenda: O Complexidade e Contradição ressuscitou. Salvou-me o dia do aborrecimento total.

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy. Os treze euros em formato paperback mais bem gastos da minha vida. E ainda só vou no quinto capítulo - com introdução incluída, e esta terá provavelmente sido o texto que mais me fez rir até hoje.

E trouxe também o bilhete para Muse em Novembro. Agora é esperar, esperar.

john

Obrigado, Radar.

E obrigado, menina Chatterley, por me teres sugerido mudar para a Radar aqui no escritório. Meia hora depois e, em vez de estar a ouvir Abba ou Michael Jackson pela quinta vez, começam a passar Radiohead - e nem passaram nenhum dos singles, mas uma menos conhecida (em geral, não para mim, claro!). Agora falta evangelizar o resto do escritório.

john

Actualização: desde que liguei a Radar, apanhei, entre muitas coisas boas e uma ou duas menos boas, Radiohead (Nude), Faith No More (Epic), Smashing Pumpkins (Today), e uma muito conhecida de Franz Ferdinand cujo nome me escapa. Abençoada seja.

Actualização #2: ainda me oferecem Sonic Youth, Muse, e, mesmo quando estou para sair do escritório, Joy Division. Rendo-me.

5.8.09

Aliens e Andróides.

Ridley Scott realizará o próximo filme da série Alien. Este novo filme será uma prequela ao original de 1979. Um amigo com quem discuto o tema diz-me para não me preocupar e manter algum optimismo quanto ao projecto, mas isso é para mim uma tarefa difícil. Alien não só é um dos melhores filmes de ficção científica de sempre, como também é, para todos os efeitos, uma obra-prima do cinema. A sua primeira sequela, Aliens, realizada por James Cameron, assumiu um rumo diferente, afastando-se do suspence do primeiro filme para se centrar mais na acção - e revelou-se um excelente filme, que não creio ter desiludido quem gostou do original. Já Alien 3, de David Fincher, foi fraquito. E Alien Resurrection, de Jean Pierre Jeunet, foi um fiasco monumental, onde nem Sigourney Weaver e Wynona Ryder conseguiram brilhar. Saber que Ridley Scott vai voltar à ficção científica é, em si, uma boa notícia. Diria mais: é uma excelente notícia. Saber que esse regresso vai ser feito com uma prequela a Alien deixa-me céptico. Até porque desta vez não vai haver Helen Ripley para brilhar. Como tudo na vida, é esperar para ver.

Entretanto, o outro filme de ficção científica realizado por Ridley Scott, Blade Runner, foi escolhido por fãs de cinema como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos, deixando para trás obras como 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick, ou Star Wars, de George Lucas. Justiça lhe seja feita: Blade Runner é uma obra-prima do cinema, um filme atmosférico e genial que, tal como Alien, sobreviveu elegantemente ao teste do tempo e continua a ser profundamente actual - ao contrário de tantos outros, como, por exemplo, Dune. Mais do que isso, Blade Runner é uma lição para qualquer aspirante a realizador que procure adaptar uma obra literária: a adaptação não pode nunca ser literal. Quem leu Do Androids Dream of Electric Sheep?, a obra de Philip K. Dick que inspirou o filme, compreende isso: as diferenças entre livro e filme são imensas, de tal forma que o filme brilha por si mesmo, independentemente da sua base. Em jeito de conclusão, acrescento que não deixa de ser curioso que, aquando do seu lançamento, Blade Runner tenha sido um fiasco de bilheteira e um alvo para a crítica descarregar a bílis. Mas o tempo, como em tantas ocasiões (recordar The Night of the Hunter), encarregou-se de lhe fazer justiça.

john

4.8.09

Anúncio:

procura-se artista capaz de desenhar um blogue - ou antes, artista capaz de fazer um blogue com base nos rabiscos e no tema que tenho na minha cabeça. É importante que o preço não seja muito elevado (umas cervejas, a minha eterna gratidão ou mesmo jantar cozinhado por mim ou em sítio a combinar seria o ideal, mas estou aberto a negociações). A ideia não é nada de outro mundo, mas pode-se dizer que será qualquer coisa de outra galáxia. Respondam ou mandem-me bugiar nos comentários ou para o endereço de correio electrónico jeraynes[at]live[ponto]com[ponto]pt. Obrigado.

john

Exclamações, adjectivos e travessões.

Pessoalmente, é raro recorrer ao ponto de exclamação. Concordo com quase tudo o que tenho lido contra o infame ponto. Alguns exemplos:Justify Full
Com raríssimas excepções, eles [os pontos de exclamação] são o sintoma da absoluta falta de requinte estilístico, uma coisa demodée, meio rançosa, ideal para adolescentes idealistas e sonetos de amor foleiros, mas pouco própria para quem pretende levar a escrita a sério. (José Mário Silva)

O Senhor Palomar não gosta de autores que abusam do ponto de exclamação para mostrar uma tirada inflamada. Não só porque aprecia o discurso em tom sereno, como porque considera que não raramente esse tipo de caminho estilístico esconde uma profunda incapacidade de alguém se fazer explicar. Mas pior que tudo isso é a interpretação que se rouba ao leitor: após um grito nos nossos ouvidos, ninguém mais consegue raciocinar, isso é um dado adquirido. (O Senhor Palomar)

O ponto de exclamação é um excesso de ruído que não acorda ninguém, uma espécie de martelo pneumático colocado no final de uma frase. (Francisco José Viegas)

O que me aborrece nos pontos de exclamação é a falta de subtileza. O espalhafato. É como se o autor quisesse marcar as suas intenções de modo a quem nem o mais iletrado dos iletrados pudesse passar ao lado. Alguém escreveu que uma pessoa que usa pontos de exclamação é como alguém que se ri das suas próprias piadas. O ponto de exclamação é um modo de fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas. E isso não é nada interessante. (Pedro Mexia)

A aniquilação dos pontos de exclamação tem, como pode o caro leitor ver, apoiantes de peso. Sou sensível a todos estes argumentos, e diria mesmo que nos meus escritos também os sigo - excepto em diálogos, de longe o meu calcanhar de Aquiles a escrever ficção. Enfim, fraquezas. Voltando ao ponto: é precisamente por também eu concordar que o ponto de exclamação é quase sempre inestético que não posso contribuir para a causa, sem dúvida nobre, de tornar o ponto de exclamação num pária. O ponto de exclamação é um recurso da língua como qualquer outro. Tem a sua função. Pode ser substituído? Sem dúvida. Haverá decerto vários recursos estilísticos que podem perfeitamente passar a ideia de exclamação de uma forma mais elegante. Será perfeitamente possível escrever um romance inteiro sem usar, uma única vez, um ponto de exclamação. Um ponto e vírgula. Umas reticências. Que diabo: até podemos nem pontuar de todo, mandar a sintaxe ir bugiar e deixar ao leitor a tarefa de decifrar - ou de ir bugiar também. Mas todos esses recursos linguísticos existem, estão ali à nossa disposição, e volta e meia descobrimos que encaixam na perfeição naquela frase que escrevemos, mas à qual falta um certo je ne sais quoi (em francês fica sempre melhor).

De resto, entre os opositores à causa, encontro um comentário no blogue do Senhor Palomar que toca num ponto particularmente sensível. Espero que o seu autor, Paulo G., não me leve a mal a citação:

os adjectivos foram os primeiros a ser desprezados pela polícia da putativa elegância das línguas (“adejectando-os”...), seguiram-se os advérbios, assim, genérica e liminarmente (o meu despudor), agora é a perseguição circunstancial da exclamação, e até vem o Viegas de reticências em riste. É ofensivo. É indigno. Não têm todas as palavras a mesma dignidade? E os sinais de pontuação também não? Há nelas e neles um sistema de castas?

Bem visto. Há uns anos, mostrei ao meu professor de Português (excelente professor, que me ensinou mais do que qualquer outro no que à escrita diz respeito) um pequeno conto da minha autoria. Sabia que ele não iria gostar (nem eu gosto), mas também sabia que isso não o demoveria de fazer uma crítica séria e construtiva, com a qual eu poderia sem dúvida melhorar. E ele disse-me precisamente isso: elimina a adjectivação, recorre mais abundantemente ao substantivo. Foi o que fiz, com, creio, resultados satisfatórios. Noutra ocasião, mostrei-lhe outro conto, um devaneio que tive no início de uma noite e que me manteve acordado até de manhã a escrever, rescrever, polir, retocar. Um conto diferente (uma das coisas mais estranhas que escrevi na vida), carregadinho de adjectivos. Pareceu-me que soava bem. E mesmo o meu professor assumiu que, não gostando de adjectivos, para aquele texto não encontrava outra solução. Mais: elogiou a minha utilização de adjectivos actualmente caídos em desuso - imagino que por estar demasiado habituado a alunos com vocabulário escasso, e mesmo o meu não é grande coisa, enfim, ele já se tinha espantado por eu ler Dostoievsky, coisa que na altura muito o comoveu.

Adiante. Os adjectivos, ou os advérbios, ou as exclamações, ou as reticências, têm a sua utilização. Se o que está em causa é o texto jornalístico, como refere Francisco José Viegas, dou-lhe toda a razão: é de eliminar toda e qualquer marca de ambiguidade. No texto literário, tudo deve ser permitido. E o bom escritor, a meu ver, não é aquele que em nome da elegância elimina o adjectivo ou o ponto de exclamação, mas sim aquele que consegue tornar elegante o malfadado ponto. É aquele que domina os recursos da língua tão bem que esta dificilmente o atraiçoará.

E humildemente sugiro: uma boa causa literária pela qual lutar, uma que eu facilmente apelidaria de "fracturante", é a utilização de travessões para introduzir discurso directo (isto deve ter um nome próprio que, como é óbvio, me está a escapar). Se é de elegância que falamos, digam lá: não é muito mais elegante um romance em inglês, onde nenhuma linha é aberta com um travessão, mas onde todo o discurso directo é colocado entre aspas? O travessão é um excelente sinal de pontuação, sobretudo para substituir os parênteses. Mas em diálogos, as aspas funcionam muito melhor.

(E agora que concluí a parede de texto, gostaria muito - mesmo muito - de saber o que os meus camaradas de blogue, e leitores, pensam sobre esta questão.)

john

3.8.09

Com números torna-se mais interessante.

No Correio da Manhã: O tabaco é dinheiro em caixa para o Orçamento do Estado. A carga fiscal sobre cada maço de cigarros pode atingir os 85,3 por cento e as receitas têm vindo, excepto em 2007, a crescer a bom ritmo. Este ano, só no primeiro semestre as receitas já subiram mais de 16 por cento, atingindo os 390,6 milhões de euros, o que faz com que este seja um dos impostos com melhor desempenho orçamental.

390,6 milhões de euros só no primeiro semestre do ano em impostos sobre o tabaco. Pergunta inocente, já que o tabaco é, dizem-me, um flagelo de saúde pública, por que não se destina todo este dinheiro a melhorar o nosso sistema nacional de saúde?

De qualquer maneira, razão tem um dos comentadores da notícia no CM: Porque não eliminam o clássico “Fumar mata” nos maços de tabaco e metem ” Fumar ajuda a combater o défice?"

john

Os russos é que sabem:

2.8.09

A divisão do Mundo

O Mundo divide-se entre os que dizem equipa, e os que preferem equipe.
jtf