Nunca me senti tão contente com o regresso de um chato
fs

Micróbio/substantivo masculino/ser vivo/animal ou vegetal/de dimensões tão pequenas que só pode ser visto com o auxílio do microscópio/microrganismo susceptível de provocar uma doença/do gr. mikróbios «micróbio de vida curta». Um blogue sobre a vida-curta.
Num país civilizado, mesmo um irresponsável como eu não teria de perder imenso tempo a recolher toda a tralha, cada papelinho, que terei de colocar nos impressos do IRS - nem estando muito certo de toda aquela papelada vir a ter alguma utilidade. Aliás, num país civilizado, eu nem teria de perder uma noite a preencher os formulários. Assim de repente ocorre-me, sei lá, a Noruega, que não será o país com mais qualidade de vida do mundo por acaso: dizem-me amigos de lá que os contribuintes apenas têm de, quando recebem os impressos, confirmar se está tudo correcto. Se estiver, tudo muito bem. Se houver alguma falha ou alguma coisa a acrescentar, o contribuinte comunica isso ao equivalente norueguês das Finanças. Lá, como cá, o Estado cobra um absurdo em impostos. Lá, ao contrário de cá, as coisas funcionam. Existe um retorno, digamos assim, dos impostos pagos - e a máquina estatal ainda poupa trabalho ao cidadão/contribuinte, tratando-o com um mínimo de dignidade. Aqui, a perra máquina burocrática do Estado-papão não só nos rouba quase metade do produto do nosso trabalho sem nos dar grande coisa em troca, como ainda nos submete a um processo de tortura rocambolesco (waterboarding? deixem-me rir) no momento de preencher o IRS - e ai de nós se não o fizermos: a máquina burocrática foi apenas oleada na parte em que pune (mais ainda) os cidadãos que sejam malandros e tentem escapar às malhas, ou os incautos que se esqueçam de alguma coisa.
No resto das engrenagens, o Estado meteu areia. Puta que o pariu.
john
Se são fumadores, nunca usem uma lata de Coca-Cola como cinzeiro na vossa secretária. Mais cedo ou mais tarde, distrair-se-ão o suficiente para a tentarem beber.
john
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Os líderes parlamentares, em gesto de intocável beleza moral, resolveram nunca mais usar a palavra ‘autista’ para se sovarem na Assembleia. O ‘autismo’ é uma doença séria e o uso da palavra é um insulto para os ‘autistas’ e respectivas famílias.
Nada a opor. O problema é que os delírios do pensamento politicamente correcto, quando começam, nunca mais acabam. E não se percebe como vão agir os nossos tribunos sempre que, no calor do debate, pretendam rebater intervenções ‘histéricas’, leis ‘cegas’ ou medidas governamentais ‘sem pernas para andar’.Eu, em nome da higiene verbal, evitava qualquer metáfora. E, em homenagem aos surdos-mudos, aconselhava os senhores deputados a trocarem a linguagem oral pela gestual, desde que isso não seja ofensivo para os manetas.
Por João Pereira Coutinho (evidentemente), no Correio da Manhã, numa crónica que é simplesmente impossível não citar (via Blasfémias).
john
Os Guano Apes reuniram-se novamente. E parece que o primeiro concerto que vão dar juntos vai ser... em Portugal - mais concretamente em Braga, nos festejos do Enterro da Gata a 10 de Maio. E voltam cá a 17 de Julho para o festival Marés Vivas, em Gaia.
john
Patrocinada, como não podia deixar de ser, pelo Aurea Mediocritas, com este post tão simples. A ler, e sem esquecer os comentários (podem saltar o meu, claro, que não acrescenta nada).
john
... juro que se vir mais uma merda de reportagem sobre o raio do cão do Obama e eu emigro para a Noruega. Para Svalbard, mais concretamente, na esperança de que lá não se ouça falar em cães de água portugueses, ou deste provincianismo ridículo.
john
Juro que não esperava viver para ver o dia em que lá na aldeia a igreja enchesse à meia noite de Páscoa. Ou que as mesmas pessoas que enchessem a igreja embarcassem numa procissão mais ou menos espontânea à uma e meia da manhã. Ou ainda que uma festa da igreja - com febras, vinho, cerveja e música de gosto duvidoso - conseguisse concorrer directamente com as festas do clube da terra - com bifanas, cerveja e música de gosto muito duvidoso. Aguardo o dia em que a aldeia seja abalada por uma guerra religiosa que oponha católicos a pagãos.
john
Labels: espelhos e reflexos
Ele nunca se se sentira assim - não quando Henry Cameron caiu aos seus pés no escritório, nem quando viu Steven Mallory estendido numa cama à sua frente, perdido num pranto. Aqueles momentos haviam sido simples, secos. Mas isto que sentia era pena - a completa visão de um homem sem valor ou esperança, uma sensação de finalidade, de impossibilidade de rendenção. Havia vergonha nesse sentimento - a sua própria vergonha por ter de julgar alguém dessa forma, por ter de conhecer uma emoção que não tinha qualquer vestígio de respeito.
Isto é pena, concluiu, e ergueu a cabeça, pensativo. Alguma coisa tem de estar terrivelmente errada com um mundo onde um sentimento tão monstruoso é considerado uma virtude.
Ayn Rand, The Fountainhead (tradução minha).
Boa Páscoa. Volto para a semana.
john
30 de Agosto, Festival de Reading, e 29 de Agosto, Festival de Leeds (Reino Unido); 25 de Agosto, Poznan (Polónia); 23 de Agosto, Praga (República Checa). Teremos sorte desta vez? É esperar, é esperar.
john