30.9.08

Já agora, e se alguém ficou curioso

(e eu sei que ninguém ficou, mas isso não me impede de dar ao teclado), só volto à santa terrinha a meados de Outubro porque neste fim de semana vai decorrer o Fórum Fantástico 2008, que tem algumas coisas bem interessantes em agenda. No outro fim de semana, enfim, casa-se um velho amigo cá de cima (parabéns ao camarada, apesar de ele não ler este blogue).

Os casamentos são uma coisa curiosa. Não que ao longo da minha vida tenha ido a muitos. Este será o terceiro, agora que penso nisso. Ao primeiro, de um casal lá da aldeia, fui porque toda a gente da terra e arredores estava absolutamente convencida de que eu e a irmã do noivo éramos namorados (coisa que nunca fomos, mas as aldeolas são mesmo assim). Enfim, equívocos. O segundo casamento a que tive o privilégio de assistir foi o de uma ex-namorada, um processo catártico para todos os efeitos inesquecível (a bebedeira, porém, não foi suficientemente grande para eu ir dizer disparates ao microfone durante o copo de água, felizmente). Este será o terceiro, um casalinho saído directamente da minha turma do primeiro ano da universidade. Será estranho por vários motivos. Primeiro, porque é sempre estranho para um eremita como eu ver malta da minha idade a dar o nó. Em segundo lugar, porque mesmo sabendo que isso é estranho não consigo perceber se sou eu que estou a ficar para trás ao não ter arranjado ainda noiva, ou se sou mesmo um visionário. Não obstante, prezando eu ambas as pessoas, não consigo evitar ficar feliz por elas. Nem quero evitá-lo, aliás..!

jc

É que à custa do IVA, da OTA, das estatísticas da Educação e do magalhães, já todos vimos do que a casa gasta:

"Sócrates assegura que famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas." (retirado do Público).

Na minha tradução livre, isto quer dizer:

"Pronto, 'tá tudo fodido. Mãe, se estiveres a ler isto, vai amanhã às oito e meia à Caixa Agrícola, levanta as poupanças e mete debaixo do colchão. Pode ser debaixo do meu, que assim como assim só vou a casa a meio do mês que vem."

jc

espelhos e reflexos #3

Quando não souberes o que fazer à tua vida senta-te num banco de jardim. Não é que ele te ajude a escolher um caminho, mas sempre se pode dar o caso de o vento te esbofetear a cara e levar a angústia com ele.


fs

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MFL

quando Manuela Ferreira Leite vem agora dizer que o PR tem que ser o primeiro a restaurar a confiança, será que se esquece da frase:

"O país está de tanga"

proferida por um governo do qual fazia parte?

jtf

29.9.08

O estado da Arte #4

Livros
|*****|
Nos passos de Magalhães, Gonçalo Cadilhe

Discos
|*****|**
The Flying Club Cup , Beirut

Séries
|*****|**
House MD Season 5 ep. 1 e 2

Teatro
|*****|*
Começar a Acabar, Samuel Beckett

jtf

26.9.08

O Atchim não és de certeza, nem és o Sabichão! Só podes ser ou o Soneca, que também não faz nenhum, ou então és o Rezingão pela maneira como falas!




fs

24.9.08

Cinemas em riade #4

(Alice, Marco Martins, 2005)

pf

curtas #1

O Porto é uma óptima cidade para se ser feliz, de uma maneira ou de outra.


fs

Nova casa ao fundo



fs

16.9.08

isto, senhores,

é um escândalo. para ler, reler e indignar-se.

(sim, são quatro artigos, que descobri através da farmácia do costume)

jc

Dicionário #5

Ignorância; substantivo feminino, do lat. ignorantìa-, aquilo que designa falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre determinado tema, ou mesmo crença em falsidades; sinónimo de Fátima-Campos-Ferreira.

jtf

14.9.08

Por vezes, a solução é usá-lo mais

fs

13.9.08

E não é que,

ainda em relação ao acelerador de partículas, que se for tão interessante como o que está no post mais abaixo a experiência ganha logo outra elegância, andei a procurar na arca dos nossos tesourinhos (que em nada são deprimentes, atente-se!) e me deparei com esta previsão de Abril deste ano do futurólogo do nosso singelo jardim, o camarada João Campos?


fs

Acelerador de partículas


jtf

12.9.08

Caixa da música #5

11.9.08

encontros imediatos

Quais são as probabilidades de:

1) conseguirem convencer os vossos patrões a dispensarem-vos duas horas durante a tarde para irem

2) visitar um amigo que está internado no hospital (no maior hospital do país) e

3) descobrirem que um dos médicos que está a seguir o caso dele é um espanhol que vocês conheceram ainda como estudante, pois dividiram casa com ele nos tempos de universidade?

Tive um dia de encontros imediatos, é o que vos digo. Cheira-me que se tivesse ido hoje ao Pingo Doce tinha encontrado a mulher da minha vida, entre a secção dos iogurtes e a da margarina.

(p.s.: Sim, João, esbarrei com o nosso antigo colega Raúl no Santa Maria. Hoje foi um dia de encontros imediatos)

jc

Dissecar um álbum pela sensibilidade variada dos ouvidos a numerosas audições

Dois meses a dissecar um álbum, especialmente em tempo de férias, é a duração suficiente para constatar a sensibilidade variada dos ouvidos a numerosas audições.
Pois bem, Viva La Vida or Death And All His Friends (2008), tal como a própria vida, precisa de nascer dentro de nós e daí erguer-se sobre os alicerces deixados pelos antecessores (muita boa gente que gostava dos registos anteriores não apreciou esta pequena variação mais minimalista dos Coldplay). Vendo um álbum como um todo e não um conjunto de boas canções alinhadas, este é bastante melhor do que o X&Y (2005) e, além disso, o que me deixou mais entusiasmado foi a evolução nas letras: mais profundas e com uma ambiguidade saudável (não tanto mainstream como são muitas vezes acusados). Enfim, concluindo rapidamente pois sou um crítico miserável, servem estas considerações obviamente parciais e subjectivas para dizer que gostei. E que vem aí mais: um EP no final deste ano e o quinto álbum de originais em Dezembro de 2009 uma vez que parece que as sessões de gravação deram em muita música.


Atrevo-me a partilhar um especial afecto por esta:



(...)

No, I don't want to battle from beginning to end,
I don't want a cycle of recycle revenge,
I don't want to follow death and all of his friends.

(...)

death and all his friends (the escapist - hidden track), coldplay, 2008


fs

10.9.08

E mais uma vez, sobre a aceleração de partículas,

a derradeira prova de que a activação do LHC não alterou nada no mundo é o facto de o Nuno Gomes continuar a falhar golos que só ele consegue falhar.

jc

E ainda a propósito da aceleração de partículas,

o aquecimento global. Sim, o aquecimento global - aquela tese apocalíptica que diz que a humanidade enfiou o planeta num micro-ondas em modo de "descongelação" e, enquanto descongela e não descongela, vai enriquecendo o Al Gore. É que não deixa de ser curioso: muitos dos que vêem o apocalipse a sair das entranhas de Genebra sustentam essa visão nos cientistas que colocaram a (falsa) questão de o acelerador de partículas produzir um buraco negro com massa suficiente para engolir a Terra. Dito de outra forma: há uma parte da comunidade científica que condena a experiência do CERN, e há por aí muito boa gente a basear-se nessa "condenação" para se afirmar contra ela.

O que não acontece na tese do aquecimento global antropogénico, que, ao que parece, é recusada por uma parte considerável da comunidade científica. Ou, pelo menos, não é aceite como é exposta nos diapositivos de powerpoint com que o camarada Gore anda a enriquecer - há outros factores na equação. Claro que quem considera esses factores mais não é do que um vendido aos imperialistas americanos.

jc

*E sim, estou a colocar maiúsculas. Não perguntem. Deu-me para isto, agora. Há coisas piores, creio.

partículas em aceleração

Sobre o tremendo empreendimento científico do Cern em Genebra, com o Large Hadron Collider, recomendo a consulta de vários jornais estrangeiros disponíveis em rede: o The Independent, o Times e o Globo (versão online) têm artigos razoáveis sobre a coisa (os ingleses, com um toque de humor que só o jornalismo anglo-saxónico consegue dar às suas peças). Algumas revistas americanas de tecnologias também, mas não sei se estão disponíveis ao público em geral.

Para uma boa gargalhada sobre o tema, recomendo a leitura de duas notícias retiradas da página web do Público:

Notícia #1

Notícia #2

Leiam sobretudo os comentários a ambos os artigos - é o delírio em estado molecular. Desde acomodados a perguntar porque não se investe noutras coisas (típico), a profetas do apocalipse a anunciar que o fim do mundo começa em Genebra, aos teóricos da conspiração que afirmam que dali vai sair a nova arma de destruição massiça dos americanos (sempre os americanos), até evangelistas brasileiros a condenar os cientistas por acharem que estes querem substituir deus.

Mas vamos por partes:

1) Aos acomodados: problema não é investirem-se os oito mil milhões de euros que o projecto do Cern consumiu noutra coisa qualquer (combater o cancro, a fome, ou, suprema imbecilidade, o desemprego na UE, como alguém sugeriu). O problema, o verdadeiro problema, é não se investir noutras coisas também. O projecto do LHC é da maior importância para a humanidade, na medida em que poderá permitir a compreensão de fenómenos que até agora estavam absolutamente fora do nosso alcance. Ou não será o conhecimento um fim em si?
De resto, dizer que todos aqueles recursos estão a ser investidos num projecto sem utilidade nenhuma é um perfeito disparate. Em primeiro lugar, porque o conhecimento em si é útil, como disse acima. E em segundo lugar porque do conhecimento obtido com esta experiência poder-se-à criar muita coisa útil. Como já aconteceu antes, aliás.
E combater a fome no mundo com oito mil milhões de euros seria, convenhamos, um perfeito disparate. Se esse dinheiro fosse dado aos países necessitados, iria parar todinho aos já bem gordinhos bolsos das elites corruptas que governam aqueles estados, nunca sendo realmente aproveitados para retirar as populações da miséria.
E mais: imaginem quantos empregos gerou o CERN durante todo este projecto. É que não são apenas os cientistas em Genebra. Foram também firmas de construção civil, indústrias metalúrgicas e electrónicas, empresas de hardware e de software, programadores... para além, claro, dos cientistas e de todo o pessoal técnico de manutenção do laboratório. E, claro, um laboratório daquelas dimensões deverá certamente ter um refeitório, o que implica empregos a cozinheiros, e acordos com empresas de produtos alimentares e de distribuição de água. Interessante, não é?

2) Aos profetas: o mundo não vai acabar em Genebra. Em primeiro lugar, um detalhe que os media portugueses ignoraram: não começaram hoje as colisões de partículas no LHC. Só daqui a umas semanas é que dois feixes de partículas serão enviados em direcções diferentes. Portanto, a acabar o mundo, é nessa altura. Mas mesmo isso não é motivo de preocupação - ainda que o grande receio se confirme, e do choque de alguma partícula desenfreada se forme um buraco negro, ele será tão pequeno que se evaporará no mesmo momento. Seria um feito notável, conseguirem os cientistas do Cern criar do nada um buraco negro com massa suficiente para engolir a Terra!

3) Aos teóricos: sim, é verdade que as equações de Einstein conduziram à bomba nuclear. Isso, porém, não significa que tenhamos todos de voltar ao Paleolítico. Nem que os americanos queiram destruir tudo. Haja paciência.

4) Aos evangelistas: ninguém quer substituir deus. Vamos, numa primeira instância, partir do princípio de que deus existe. Nesse caso, queremos apenas saber mais sobre a sua criação. Agora imaginemos que ele não existe. Queremos conhecer a origem do universo. Qual é o problema?

Nem se trata de eu ser crente ou não. Admito a possibilidade de que deus possa existir - mas se existe, então a humanidade é, sem dúvida, a mais remota das suas preocupações. Tenho cá para mim que deus criou a mulher, deixou a espécie humana reproduzir-se, e depois escolheu as miúdas mais giras e montou tenda noutro universo, onde se anda a divertir há milénios.

jc

9.9.08

espelhos e reflexos #2

No princípio era claro que possuíam direitos.
Avançou-se inevitavelmente no tempo, e, pela a erosão dos axiomas iniciais, assim se chegou à ideia transparente de que têm o direito a ter direitos.
Estão enganados.
Os pessimistas, realistas e optimistas, afinal, perderam-se na teia.
Temos, sim, direito a ter o direito de ter direitos.
E avança-se no tempo.
Na erosão.
Inevitavelmente.



fs

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5.9.08

Seinfeld & Bill Gates


retirado daqui.


fs

eu também sou católico

se ainda em tempo de férias o img* da universidade católica já está tão alto, cheira-me que vai ser um regalo para os olhos quando as aulas recomeçarem**.

*img= índice de meninas giras

**sosseguem, que não endoideci ao ponto de voltar a estudar. mas agora trabalho perto da católica, e os mini-pratos do bar apresentam a melhor relação qualidade-preço para almoçar lá da zona. que eu saiba, claro.

jc

3.9.08

espelhos e reflexos #1

Na rua Direita um homem dissertava:
- Eu tenho sempre o relógio adiantado cinco minutos.
Ao que o outro responde:
- Então porquê, pá?
- Ora, para andar sempre antecipado aos outros.
- E isso dá algum resultado?
- Ai se não dá! À noite, antes de dormir, até o adianto uma hora e um quarto.
- Para quê?
- Porque de manhã adormeço e assim já me dá tempo para levantar. É o que te digo, sempre antecipado!
E um sorriso realizado. Afinal é dono de um segredo do mundo.

(Pessoas, encontros, desencontros, espelhos, reflexos.
Espelhos e reflexos.

O regresso ao Jardim.)


fs

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Dicionário #4

Comunista; adjectivo uniforme, do lat. commúne-, relativo ao comunismo, homem/mulher que nunca deixou de ser menino/menina.

jtf

2.9.08

Moleskine #5

JOEL: I can't see anything that I don't like about you.
CLEMENTINE: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
JOEL: Okay.
CLEMENTINE: Okay.


(in Eternal sunshine of the spotless mind, Michel Gondry, 2004)

pf