30.6.08



You talk like Marlene Dietrich
And you dance like Zizi Jeanmaire
Your clothes are all made by Balmain
And there's diamonds and pearls in your hair

You live in a fancy appartement
Of the Boulevard of St. Michel
Where you keep your Rolling Stones records
And a friend of Sacha Distel

But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head.

(Where do you go to my lovely, Peter Sarstedt)


pf

Os Descobrimentos #3


jtf

29.6.08

Caixa da música #1



pf

Moleskine #1


TAYLOR: Is that all you're having for lunch, coffee and a cigarette? It's not very healthy.
BILL: We had lunch earlier.
TAYLOR: We did?
BILL: We're on a break here, a coffee break.
TAYLOR: How depressing. How long is our break, anyway?
BILL: About 10 minutes, and it's nearly over now.
TAYLOR: Say it isn't true. (silence for a few moments) Well?
BILL: What?
TAYLOR: I asked you to say it isn't true.
BILL: Say what isn't true?
TAYLOR: Never mind. Anyway, I have to have a nap. So call me when the break is over.
BILL: Well, you have two minutes or less for your nap.



(Coffee and cigarretes, Jim Jarmusch, 2003)

pf

Handycam #1




pf

28.6.08

24 cadernos pretos



jtf

27.6.08

Frei Tomaz

Aquele senhor de barba da Fenprof conduz este carro:
jtf

26.6.08

portugal, o estado ilegal

já tinha lido há algumas semanas o famoso - e polémico - discurso do primeiro ministro australiano sobre a imigração. o blogue we have kaos in the garden - que visito regularmente, não por concordar com as posições defendidas nos textos (o que raramente acontece), mas por achar que o seu autor faz um trabalho extraordinário com fotomontagens (é divertidíssimo - recomendo) - considera o discurso citado no artigo "racista", proferido por alguém que crê "pertencente a uma raça superior", e vai buscar a colonização australiana e as chacinas aos aborígenes para ilustrar a tese.

nada, a meu ver, mais disparatado. em primeiro lugar, o tal discurso do primeiro ministro australiano faz todo o sentido, e a chocar-nos a nós, europeus, só poderá ser pela diferença abissal entre aquele canto do mundo e o nosso. é que nesse discurso é dita uma verdade elementar: cada país tem uma cultura própria, uma história própria, enfim, toda uma série de elementos que construíram a sua sociedade e configuraram a sua nação até ao momento presente (costumes, idioma, religião - sim, a religião é um traço cultural). isso, evidentemente, não implica que imigrantes não sejam aceites, como aliás é bem claro no discurso. mas implica que os imigrantes, tendo a sua cultura (e a sua religião) respeitada pelo país de acolhimento, não têm o direito de desrespeitar a cultura do país que os recebeu. dito por outras palavras, se um muçulmano emigra para a austrália, pode continuar a praticar a sua religião, a praticar o jejum do ramadão, a fazer as suas orações diárias, a vestir roupas da sua cultura. não pode é colocar em causa os símbolos culturais e religiosos australianos.

e isto é óbvio. cá na europa é que temos o hábito de fazer cedências a tudo e mais alguma coisa, abdicando dos nossos valores culturais por causa do "multiculturalismo" (outra ideologia da moda que ainda vai causar muitos estragos). puro non-sense. se eu imigrar para os estados unidos não posso estar à espera de que falem português comigo, ou de ir a um restaurante americano pedir carne de porco à alentejana (a menos que vá viver para o bairro de ironbound em newark; aí se calhar tenho sorte).

a referência aos aborígenes é mesmo a cereja do disparate sobre um bolo... de disparates. por essa lógica, se um dia destes um qualquer estado islâmico se lembrar de reclamar a península ibérica (excepto astúrias), temos de nos submeter - afinal de contas, o estado português (e o espanhol) fez-se na reconquista, ou seja, na guerra contra os mouros (que, por sua vez, tinham conquistado territórios aos visigodos, que por sua vez tinham conquistado o território aos romanos, que por sua vez tinham desancado as tribos lusitanas...). aliás, agora que penso nisso, a construção de portugal enquanto nação seria muito "politicamente incorrecta" nos dias que correm: expulsámos pela força da espada uma cultura diferente de um território que lhe pertencia, e isso em nome da religião. e o nosso primeiro rei, para se tornar monarca, teve de arrear na própria mãe (ai a violência doméstica, onde estava a apav em 1128?). aguardaremos, assim, um relatório do comité para os direitos humanos das nações unidas que declare o estado português como "ilegal", e que coloque o cristiano ronaldo a jogar na selecção a arábia saudita. e esse relatório pode ser feito pelos mesmos senhores que disseram (sem se rir) que o reino unido devia referendar a sua monarquia.

jc

24.6.08

Advérbio

"Falta à União cidadania europeia. Os europeus têm poucos meios para influenciar as decisões dos dirigentes e mesmo para as compreender." Mario Soares in DN.

Eu diria sobretudo para as compreender.

jtf

23.6.08

Anatomia de um corpo vencido

Meus sonhos confundem-me, têm chegado na calada da noite e usurpam da minha mente, deixam-me num simples corpo de carbono, células, tecidos, órgãos, sistemas e fazem-me perder o controlo. Duvido tanto de mim como dos outros. Talvez a experiência recente de morte próxima de um familiar querido tenha precipitado toda esta reacção, umas pontadas tristes no lado esquerdo, aquele mesmo que levou cedo quem ainda devia andar por aqui colocando-me a mão no ombro e lamentando as exibições pobres do Benfica. Tudo isto me fez crescer um pouco, sei agora o quão curto sou na escala no tempo, mas tem-me custado, esta realidade tão crua ainda não se entranhou em mim e vivo agora em ciclos de êxtase e frustração existenciais.
Sonho frequentemente com a morte e com a vida. Vejo-me como um ponto intermédio de um segmento de recta. E sonho, sonho, sonho….


Deitado na maca com um lençol branco a tapar-me o corpo pálido, oiço vozes mas não as diferencio. Uns holofotes brancos levando-me a uma cegueira luminosa, a sala escura em redor e todo um silêncio. Vislumbro homens de bata branca avançando sobre mim sem, no entanto, lhes reconhecer qualquer traço. Destapam-me o corpo frio. Um deles pousa uma mão com um bisturi sobre o meu peito e desliza-a, abrindo-me ao mundo exterior. Sempre fui homem recatado e cheio de segredos que me custa ver esta exposição do que sobra de mim. Eles não dão pela minha presença, fico estático para não os perturbar, tento manter os olhos quietos e ignorar qualquer dor, se bem que nem o corpo sinto. A certa altura as primeiras constatações:
- Baço com cor e peso normais, assim como o pâncreas.
Utilizam uma balança para medições rigorosas de todo este material biológico, retiram amostras que marcam em lamelas de observação, sinto-me longe de mim, entidade separada, talvez superior, do que aquele corpo alguma vez representou.
- Cor mais clara dos pulmões condizente com a condição de não fumador. Fígado com volume e peso coincidentes com a estatura e massa do indivíduo de aspecto caucasiano.
E apercebo-me que todo este medo é o de esquecer aquela mão no ombro e as discussões sobre o Benfica. Não, não esqueço. O Benfica, provavelmente, andará pior, mas aquela mão, o peso dela nos ombros a acompanhar-me o resto dos dias. É, pois, altura de avisar o senhor:
- Se não se importa, procure aqui deste meu lado esquerdo do peito e verifique que o que lá está ainda bate. É que faz tempo que lá não sinto nada.



Porque a vida-curta também é feita destas coisas.


fs

Legitimidade

20.6.08

a clockwork orange

itália, camarada joão? eu, como disse algures em baixo (preguiça de fazer links), já estou contente com bola até dezembro. para a coisa chegar a fevereiro, basta-me ver a alemanha ser desancada pelos croatas ou invadida por a rússia, e a selecção que em tempos foi apelidada de laranja mecânica chegar à final e levar o caneco. portanto,

e que, depois, se encha o caneco de cannabis e se faça um belo cachimbo de água em amesterdão.

jc

Azzurri

jtf

O Público

Aqui diz-se "Grande desilusão", porém o adequado era "Grande ilusão".

jtf

Obrigado, Deco.

jtf

Aprender #1

Sabem o que eu vos digo? Aprendam a ter orgulho na nação. Isto é para uns e outros perceberem que ser patriota não é só pôr bandeirinhas dos chineses nas janelas, e cantar o hino sem saber o que significa egrégios. De qualquer modo, gosto de futebol e acho que isto
duas vezes, faz todo o sentido.

jtf

19.6.08

e amanhã.... (III)

vou procurar a minha cédula de nascimento para comprovar que não nasci em beja, mas algures na holanda, na croácia ou na rússia...

jc

e amanhã.... (II)

.... mais de metade do país vai perceber que, durante estes dias, os combustíveis aumentaram.

jc

e amanhã.... (I)

ao pequeno almoço:
(ou será que ainda alguém vai protestar por a asae apreender bolas de berlim na praia?)

jc

pessimista e malévolo

ontem, num almoço de trabalho, um director-geral de uma empresa decidiu por os jornalistas que estavam à mesa a apostar. o objecto da aposta foi, claro está o resultado do jogo de hoje entre portugal e alemanha a contar para os quartos de final do europeu de futebol. quem acertasse no resultado de forma exacta (só não era necessário dizer quem tinha marcado os golos), teria um prémio.

rabisquei no pequeno folheto que continha a ementa um singelo 2-1, de derrota para a selecção portuguesa. pessimista? sem dúvida, mas ao longo dos anos aprendi que a equipa das quinas é capaz da melhor surpresa (jogo contra a inglaterra nas meias-finais em 2004) e da mais amarga decepção (jogo contra a grécia na final em 2004). por isso, e mesmo sabendo que, teoricamente, a alemanha tem uma equipa inferior, nunca se sabe muito bem o que sobra de cada pontapé de canto que o ricardo tenta interceptar (sinceramente, um gajo fica mais calmo num penálti do que num pontapé de canto quando está o ricardo à baliza).

de qualquer maneira, e independentemente do que portugal faça daqui em diante, já não me queixo: vi a grécia a ser enxovalhada por espanhóis, russos e suecos, e a frança a ser violentada por holandeses, italianos e romenos. sobretudo pelos holandeses, vá. portanto, e no que concerne a futebol, estou de barriga cheia até dezembro.

jc

18.6.08

alguém devia proibir isto

e por isto refiro-me ao hábito vagamente romântico e vagamente piroso de dedicar uma música à pessoa de quem gostamos, quando esse sentimento é ainda, digamos, recém nascido. sabem o que quero dizer: todas as relações amorosas têm uma música. normalmente uma música algo romântica, pelo som, pela letra ou simplesmente pelo significado, e que faz ambos os apaixonados começarem a comer-se quando (e onde quer que seja que) a ouvem. claro, isto está relacionado com o amor - e por isso, tal como tudo aquilo que está relacionado com o amor, eventualmente acaba por fazer ricochete. e faz ricochete no exacto momento em que a merda chega à ventoinha* e se espalha por toda a parte, ou, por outras palavras, no exacto momento em que a relação termina por qualquer motivo. e a partir daí, aquela música de que tanto gostávamos, ao ponto de a dedicar a quem amávamos, torna-se insuportável aos nossos ouvidos. o que, normamente, é uma pena, e um desperdício de uma música bem catita.

bom, bom, seria que as canções que dedicamos a quem amamos fossem reutilizáveis e recicláveis (isto até está na moda). certo, elas podem ser reutilizáveis e recicláveis, mas isso pode não ser a coisa mais sensata a fazer. por exemplo, eu e a minha primeira namorada somos amigos íntimos (sei que isto é contra-natura, mas a coisa já foi há muito tempo, e ela é uma miúda simpática). agora imaginemos que eu arranjo uma namorada nova (sei que é difícil de imaginar, mas vá, façamos um esforço). eventualmente, as duas acabam por se conhecer e tal, e num momento em que me ausento começam a falar. e a minha primeira namorada diz "o joão era um tipo bem romântico quando éramos miúdos (não riam), quando começámos até me dedicou a música wonderwall, dos oasis, e tudo!". e a minha actual namorada responde "o cabrão! o filho da puta, que podia enfiar a imaginação pelo cu acima! ele também me dedicou essa música!" e, quando eu voltasse, a minha recepção seria algo do género

*chapada na cara* *insultos vários *chapada na cara* *pontapé nos genitais com sapatinho em bico*

okay, assumo que a parte da violência física e dos insultos até pode ser interessante... mas noutro contexto. adiante.

antes que perguntem, sim, eu dediquei a wonderwall à minha primeira namorada. romântico, hum? se querem que vos diga, acho que o noel gallagher escreveu o diabo da música mesmo para que casalinhos em todo o mundo a pudessem ter como hino à relação. e sim, gosto da música. é gira e tal. ainda gosto de a ouvir, mas de alguma maneira ela soa-me estranha. traz de volta demasiadas memórias. mas adiante: se não podemos reutilizar ou reciclar músicas amorosas, devemos evitá-las a todo o custo. é melhor assim. evitamos um sarilho, e evitamos arruinar uma música de que gostamos. ou ainda acabamos sem músicas decentes nas nossas playlists.

claro que ainda mais sensato é nunca apresentar ex-namoradas às namoradas. mas o mundo dá umas voltas curiosas - e estúpidas, vá - e tem um sentido de humor por vezes demasiado sarcástico.

jc

*vergonhosa tradução literal de um dizer anglófono, mas que se foda: por estranho que possa soar, tem um efeito visual fantástico. não tem?

15.6.08

Vida e Morte e eu metido no meio


Viva La Vida or Death And All His Friends, 2008


«Life In Technicolor»
«Cemeteries Of London»
«Lost!»
«42»
«Lovers In Japan/Reign Of Love»
«Yes»
«Viva La Vida»
«Violet Hill»
«Strawberry Swing»
«Death And All His Friends»




fs

13.6.08

e não fosse a bebedeira de ontem em alfama, ia ali ao café e pedia um jameson (com gelo) para comemorar:

jc

12.6.08

este ano, para ser diferente,

vou pedir de prenda de aniversário aos meus pais um camião de mercadorias. mas um daqueles bem grandes, com um grande reboque e rodas suficientemente robustas para passar a ferro algum macaco de piquete que queira empoleirar-se no monstro para me impedir de passar (houve um maluco que tentou fazer o mesmo em tiananmen, mas foi mais bem sucedido). depois, vou bloquear uma rua qualquer por aí. e depois exijo ao primeiro-ministro qualquer coisinha. um tacho, eventualmente. não sei, mas diz quem sabe que a coisa resulta.

jc

10.6.08

isto promete

não sei porquê. mas todos os indícios - greves e paralisações mais ou menos violentas, manifestações de grande dimensão - dão a entender que os próximos tempos vão ser animados cá em portugal . . .

jc

9.6.08

E quando o dedo humano toca no sublime #1

as flores do mal

uma parte da blogosfera tem-se entretido com a polémica da praça das flores, e da cedência desse espaço por dezassete dias pela câmara municipal de lisboa à skoda, para uma acção publicitária. houve até quem, para ilustrar a acção abusiva da câmara ao ceder assim um espaço, fosse buscar para exemplo as festas da cidade, o festival rock in rio e outros eventos do género.

um disparate, portanto. a polémica em redor da praça das flores estalou porque se trata de uma zona habitacional (motivo discutível) e porque, por acaso, parece que vivem lá alguns bloggers que prontamente se dedicaram a denunciar o caso. gostaria de ver o mesmo empenho relativamente à praça josé fontana, ali perto da estefânia (onde já vivi), onde vários dealers fazem uma pipa de massa em pleno dia a vender droga aos miúdos do liceu camões. mas, regra geral, só barafustamos quando o barulho nos chega a porta.

as comparações acima mencionadas são, para todos efeitos, desprovidas de sentido. as festas da cidade envolvem toda a cidade (ou quase), fazem parte das tradições de lisboa (pelo menos enquanto a asae não rebentar com o negócio da sardinha) e o seu espaço por excelência deve ser as ruas da cidade. o rock in rio (e, já agora, o super bock super rock e o oeiras alive) são festivais de música aos quais toda a gente pode ir, desde que pague bilhete. qual seria a solução? ir fazer o rock in rio no meio da lezíria, onde não houvesse uma alma num raio de quinze quilómetros, de forma a apenas incomodar as vacas?

é compreensível o transtorno dos moradores da praça das flores (se bem que, muito provavelmente, muitos daqueles que agora barafustam publicamente não passam tempo nenhum na dita praça, mas enfim, isto é só um daqueles palpites estúpidos). mas há que ver o outro lado da coisa. por um incómodo de dezassete dias, vão ficar com a praça arranjadinha como deve ser (consta que não estava em muito bom estado). as alternativas seriam ou ficar tudo como estava (e a praça ir-se degradando cada vez mais), ou a câmara decidir arranjar o espaço, e durante meses (anos, eventualmente) estar a praça cheia de grades, pilhas de areia e garrafas de cerveja. podia ser pior.

jc

8.6.08

social networking

um dos temas mais recorrentes que tenho trabalhado no último ano é o fenómeno das redes sociais. ou seja, espaços na internet como o myspace, o facebook ou o hi5 - este último, o mais popular por terras lusas, e que tanta polémica já deu (como a aventura do blogue hi5porcas, dedicado a divulgar à blogosfera as fotos mais (pseudo)atrevidas e badalhocas das meninas do hi5, ou a página do 24 horas). claro que para o utilizador comum, o hi5 ou o myspace podem ser uma brincadeira, uma página de engate ou apenas uma coisa à qual se pertence sem no entanto lhe atribuir muita importância. no entanto, o potencial destas páginas é tremendo - não por acaso, já se celebraram acordos milionários para publicidade online, já houve bandas desconhecidas a lançarem-se através da divulgação de música no myspace e bandas mundialmente conhecidas a aproveitarem este espaço para chegarem mais perto do público. desenganem-se, portanto, aqueles que julgam que o social networking é uma coisa de adolescentes (e não só) à procura de engate - por mais ridículas que sejam (e são) muitos perfis de hi5 que conhecemos.

posto isto, há dias fui brincar no facebook - uma vez que tanto escrevi sobre a página, achei por bem (finalmente) criar lá uma conta e tentar perceber por que fez e faz tanto sucesso. a primeira impressão foi feita, evidentemente, em comparação com a rede social que já conhecia, o hi5. e permite-me dizer o seguinte: o facebook é incomparavelmente mais sóbrio e menos apitalhado que o hi5. se percebem o que quero dizer.

jc

6.6.08

isto, senhores, é de génio

5.6.08

Relevância #2 (com desculpas por me apoderar do título)

mais triste ainda (ou engraçado; é tudo uma questão de perspectiva), joão, é haver gente a ir ver esses jogos ao estádio... pagando bilhetes. parece que a selecção portuguesa é a única que cobra bilhetes para os adeptos assistirem aos seus... treinos. mais divertido ainda: já emergiu um mercado negro para esses bilhetes, avidamente procurados por adeptos que foram de portugal para a suíça, e por emigrantes portugueses.


a ler: esta, esta, esta e mais esta.

avisa quando deres de frosques, sff. talvez tenhas companhia.

jc

Relevância #1

Quando num país se faz: (i) transmissões de treinos de futebol; (ii) em directo; (iii) narrados por uma pessoa e comentados por outra; (iv) e com repetições em ângulos variados; sinto-me esmagado. Preparo-me para emigrar. Voo #502 Brussels Airlines 9.50am de um qualquer Agosto próximo.

jtf

mais coisas

sobre a selecção.

jtf

o momento delevisivo do mês, independentemente dos golos que a selecção possa marcar

e falo, evidentemente, da equipa de reportagem da sic a ser literalmente abalroada por uma horda de adolescentes antes do concerto de tokio hotel no rock in rio. sei que o vídeo está na página da sic; agradece-se à alma que me conseguir indicar o link do vídeo para o youtube, ou outra qualquer página do género.

jc

e hoje, para variar, a parede de texto é sobre futebol

e começo por uma pequena declaração de interesses: torço habitualmente pelo benfica. mas sem histerismos.

e precisamente por não partilhar da "histeria" habitual acho que, no decurso desta novela em redor do "apito dourado" (a sério, quem dá estes nomes?), seria injusto o benfica passar à pré-eliminatória da liga dos campeões. simplesmente não o mereceu em campo, independentemente das arbitragens. em nome da verdade desportiva, o porto ficaria de fora, e apenas isso.

no entanto, não deixa de me fazer alguma confusão absoluta irracionalidade de alguns adeptos do futebol clube do porto. do processo, concluiu-se que houve "tentativa de corrupção" (conceito que acho curioso, para dizer o mínimo). o inefável pinto da costa gozou com o castigo de seis pontos aplicado num campeonato decidido por mais de vinte. o fcp, ao não recorrer dessa sentença, assumiu a culpa. recorreu o seu presidente, tanto quanto sei a título pessoal (já que a resolução da comissão disciplinar também o condenou individualmente). no entanto, não foram negadas as tais "tentativas de corrupção".

agora que a merda chegou à ventoinha, com a uefa a colocar o fcp de fora da champions, os adeptos portistas insurgem-se (o que é estúpido) e os do benfica rejubilam (o que é ridículo). é ridícula a felicidade no benfica porque o futebol praticado pelo clube na época passada foi uma merda, passe o eufemismo. e é estúpida a contestação do fcp porque assenta, a meu ver, em premissas erradas. acusa-se a federação de não defender os interesses de um clube nacional, quando o que está em causa é corrupção. acusa-se outros clubes de serem corruptos, como se os eventuais pecados do benfica ou do clube desportivo de mafamude fizessem do fcp menos pecador. dito de outra forma, não interessa aos adeptos do fcp se os dirigentes do seu clube procederam mal, pois os dirigenes dos outros também o fazem. bom exemplo. e alega-se a inconstitucionalidade das provas - no caso as escutas. aqui, na minha opinião, reside o detalhe mais curioso: os adeptos do fcp não negam que os casos julgados existiram, e que as conversas gravadas tiveram lugar (ou seja, que o seu clube procedeu mal). nada disso. o argumento utilizado assenta apenas na suposta ilegalidade das tais escutas. que o clube tenha comprado (ou tentado comprar) árbitros não interessa. terão de provar isso de outra forma.

pessoalmente, se eu vivesse o futebol daquela maneira e o caso fosse com o meu clube, ficaria envergonhado por tanta boçalidade junta.

e as reacções de ilustres portistas na blogosfera são também elas engraçadas. no blogue da atlântico, bernardo pires de lima diz "toda a luta de uma época, todo o esforço por uma alegria de Maio, deixaria de fazer sentido: o Benfica fora da champions. É sobretudo por isto que queria enviar uma sms ao sr. Jorge Nuno. É que é muito mais aquilo que nos une dos que aquilo que nos separa." o que é sintomático, tanto de um ponto de vista do anti-benfiquismo (como quem diz, "é-me irrelevante que o fcp não vá à champions, desde que o benfica não fique na pré-eliminatória"), como de um ponto de vista "daquilo que os une" - e acho estranho que alguém como bpl diga uma coisa estas quando quem está em causa é alguém acusado de corrupção. no mesmo blogue, pedro marques lopes republica um texto onde se destaca a excelência da equipa do fcp (o que não está em causa; têm, de há uns anos a esta parte, a melhor equipa e a melhor estrutura, sem qualquer dúvida), mas atira com o caso de corrupção para a irrelevância - como se fosse apenas movido pela inveja dos rivais. mas o melhor vem mesmo no blasfémias - onde caa (quem mais?) vem comparar a alegria sentida por os rivais do fcp (a propósito de um artigo sarcástico de jcd no mesmo blogue) às manifestações de júbilo que ocorreram em várias partes do globo aquando dos atentatos de onze de setembro. a comparação é, passe o eufemismo, ridícula, e denota apenas um fanatismo irracional pelo fcp.

mas o futebol é um fenómeno absolutamente irracional (eu diria mesmo que é quase uma questão de fé). basta seguirmos o acompanhamento mediático da selecção nacional, e as reacções populares. enfim. talvez importe fazer outra declaração de interesses: não sofro pelas derrotas ou pelos escândalos do benfica, tal como me vai ser mais ou menos indiferente que a selecção nacional ganhe o campeonato da europa, ou que leve tareia da turquia no sábado. a minha vida altera-se muito, muito pouco em função disso (o futebol é um mundo demasiado distante do meu). as reacções ao caso que envolve o fcp, porém, intrigam-me bastante. sobretudo do ponto de vista da irracionalidade que o escândalo, em particular, e o futebol, em geral, consegue levantar.

jc

4.6.08

lost in translation

ontem, e pela primeira vez, visitei a livraria byblos. não por causa dos livros, mas por uma conferência sobre israel que contava como orador joão pereira coutinho (que esteve muito bem, como sempre). a conferência pareceu-me interessante - cheguei apenas no final - e o debate que se seguiu foi melhor ainda. e findo o evento, decidi visitar a livraria. muito bem organizada, com um sistema de pesquisa por títulos interessante (apesar de os touchscreens não serem dos melhores). e, uma vez que lá me encontrava, decidi procurar a versão traduzida e editada pela difel do meu livro preferido: the catcher in the rye, de j.d.salinger (em português, à espera no centeio). encontrei, claro. e ao ler algumas passagens confirmei aquilo que já suspeitava: the catcher in the rye é, para todos os efeitos, intraduzível. sim, o calão de holden caulfield passa-se para português, e em português "merda" ou "foda-se" tem impacto, claro que tem. mas falta algo. falta a musicalidade quase agressiva da escrita de salinger. falta o impacto que a frase "i thought what i'd do was, i'd pretend i was one of those deaf-mutes" consegue transmitir no vigésimo quinto capítulo, perante a tempestade de pensamentos que assola o jovem holden. do pouco que li, enfim, falta toda a carga que o romance tem no idioma original.

não, isto não é nada contra o português em especial. não creio que exista alguma tradução de salinger, seja em que língua for, consiga ser eficaz. sim, pode passar a ideia. mas dificilmente passa a emoção. por isso continuo a dizer o mesmo que já disse a muita gente: leiam, leiam o the catcher in the rye. vale a pena. mas façam-no em inglês.

de resto, conta-se que freud aprendeu castelhano só para poder ler dom quixote na língua de cervantes, a original. ora, não sabendo qual das obras será mais interessante, pois (ainda) não li o clássico de cervantes, as desventuras do jovem holden caulfield em nova iorque não ocupam tantas páginas.

jc

3.6.08

Serei um micróbio hipocondríaco?

É estranho, mas, cada vez que entro aqui no jardim e vislumbro este branco asséptico na paisagem, juro que até me arrepio.



fs (para ficar mais homogéneo)

1.6.08

the real thing

muito se tem falado, em blogues e nas secções de comentários das páginas web de alguns jornais, do concerto de amy winehouse no rock in rio - que foi um espectáculo degradante, que amy estava bêbeda, drogada ou ambas, que mal se aguentava em pé, etc. vi uns bocadinhos do concerto na sic radical e no youtube. ela estava, de facto, num estado lastimável. e precisamente por isso, acredito que a sua actuação tenha sido a mais genuína que aquele público alguma vez viu.

jc