30.3.10

Até fede

Que merda de texto. Não esperava muito da autora, verdade seja dita - acho que não dá para mais mesmo. Mas este é mau demais, é demasiada merda junta. Nem é tanto por ela usar a ficção científica (género que, como sabem, me é caro) para fazer uma comparação abjecta; é mesmo por todo o raciocínio em si ser profundamente imbecil. Enfim. Não dá para mais, ao que parece.

john

Leituras

Pela primeira vez em muito tempo estou a ler um calhamaço a sério - O Senhor dos Anéis, que reli recentemente, não conta porque, enfim, são três livros e não um; e não embarquei na cantiga de Bolaño. Acho mesmo que o último livro grande (por acaso também um grande livro) que li foi The Summer Queen, de Joan D. Vinge, e isto foi durante o meu segundo ano de universidade, se não me falha a memória (há muito tempo, portanto). Encomendei o Atlas Shrugged na minha livraria habitual, às cegas - tinha esperança de que a sorte do The Fountainhead se repetisse, e me saísse uma edição maneirinha. Calhou-me o tijolo. Noutros tempos, ainda carreguei o The Summer Queen na mochila, e lia o pouco prático volume no meu percurso diário de Carris; mas já não tenho paciência (nem costas) para isso. Deixo a Ayn Rand em casa, portanto; diria que é a minha presente leitura de mesa de cabeceira, mas o livro é tão grande que nem aí ele cabe. Fica no chão, ao lado da cama, para se ir lendo à noite. Ainda é muito cedo para perceber se é melhor que The Fountainhead, mas já me cativou: a hora de leitura noctura é já obrigatória.

john

29.3.10

Deve ser uma questão de fé

Fé que eu, como é evidente, não possuo. Obama vem a Portugal este ano (quando ao certo, não sei). Conheço pessoas que estão eufóricas - sim, eufóricas - com o facto. Como se, na prática, a visita de Obama fosse mais do que uma simples visita de Estado de um presidente de uma nação amiga. Ou como se Obama fosse mais do que efectivamente é - e é "apenas" o presidente dos Estados Unidos da América. O cargo, diz-se, faz dele o homem mais poderoso do planeta (tenho dúvidas), o que explica as aspas. Mas não faz dele uma divindade, como não fez divindades de Bill Clinton e George Bush, mais broche menos guerra. Será Obama melhor que os seus antecessores? É possível, ainda é muito cedo para o dizer. Mas sim, é possível que Obama venha a revelar-se um presidente melhor que os seus antecessores, até mesmo um óptimo presidente. Mas o fervor quase religioso que acompanha o homem - repito, o homem - continua a ser estranho. Lá está: aquilo que me falta em fé sobra-me em cinismo. Tenho pena de que assim seja. Gostava de ter a capacidade de me iludir, de acreditar genuinamente em qualquer coisa, por mais transcendente ou absurda que pudesse ser. Os termos não são sinónimos: transcendente será Deus, a existir. Absurdo é acreditar que o senhor Barack é um novo messias, o salvador do mundo. Não acredito que consiga sequer "salvar" os Estados Unidos, quanto mais o Mundo. E ainda bem. De homens providenciais está este mundo (o Inferno) cheio, e é do que menos precisa. Mas o fenómeno - esse a que deram o ridículo nome de "Obamania" - continuará a encanitar-me. O que é que viram mesmo no homem? A capacidade retórica? É um dom invulgar (um que ele tem, sem dúvida), mas não diria que fosse raro ao ponto de o idolatrarem. O "talento político", se tal coisa existe? Diria ser ainda demasiado cedo, para não dizer o mais óbvio: quem é que idolatra a política? Um discurso em redor de duas palavrinhas bonitas ("hope" e "change")? Demasiado vago. Enfim, não possuo a fé. De Obama, espero apenas que seja um bom presidente, e que os Estados Unidos continuem a ser, idealmente, um país onde eu gostaria de viver*. Enfim, o que se pode (deve) esperar de um homem. Mas se ele for realmente uma figura divina, então avisem-me: a lista vai ser maior.

john

*Infelizmente, Nova Iorque está fora do mapa para mim, desde que foi aprovada aquela ridícula lei que proíbe os restaurantes nova-iorquinos de utilizarem sal nos seus cozinhados. Há limites para tudo, até para o disparate. Mais depressa ia para o Arizona.

25.3.10

A arruinar as contas para o Verão

Manic Street Preachers a nove de Julho no Alive!. E eu ainda a ponderar ir a Sonic Youth em Abril, ou a Muse em Maio. E ainda a alimentar a esperança de este ano os Radiohead (improvável) ou os Arcade Fire (provável) nos virem visitar. Enfim, alguém quer ir ouvir a Ocean Spray comigo no Passeio Marítimo de Algés?

john

19.3.10

Transmission

Não tenho (nunca tive) muito jeito para agradar aos outros. Isto, atenção, não faz de mim uma pessoa desagradável; quer apenas dizer que nunca tive jeito, predisposição, altruísmo - chamem-lhe o que quiserem - para fazer algo de que não gosto apenas para agradar a outra pessoa. Sou capaz de o fazer. Mas dificilmente por iniciativa própria. Isto é um traço de egoísmo, eu sei, e provavelmente será o mais negativo traço do meu (nem sempre negativo egoísmo). A verdade é que sou incapaz de me sentir confortável num espaço ou numa situação que me desagrada. Dois exemplos, que tudo se percebe melhor com exemplos: durante a minha "vida académica", e em época que Queima, os meus colegas vibravam nas noites de concerto de Quim Barreiros. Quim Barreiros é, desculpem qualquer coisa, a coisa mais burgessa da "música popular portuguesa". Ah, com os copos é do melhor. Não consigo. Consigo simular diversão, mas por muito pouco tempo - cinco minutos, dez com sorte. Não há cerveja, ou whisky, ou vodka, que me faça "entrar" num concerto de Quim Barreiros. Acontece-me o mesmo numa discoteca, o que ajuda a explicar o motivo pelo qual, ao sétimo ano de vida em Lisboa, apenas fui uma vez a uma discoteca, e foi ao aniversário de uma amiga. Não gosto do ambiente. Não gosto do preço das bebidas. Odeio a música - sim, "odiar" é o verbo correcto aqui. Dêem-me uma mesa, um Jack Daniels por menos de cinco euros (ou mais, mas só se for no Procópio), e um jazz como música de fundo, uns Joy Division, sei lá, e fazem-me feliz. Ou dêem-me um bar como o único bar que ainda frequento no Bairro Alto, onde passa regularmente Oasis e James. Gosto. Numa discoteca não ouço disto. Não tenho jeito nenhum para "dançar", e tenho uma grande noção do meu ridículo. Não sei como mexer os pés. Não sei o que fazer aos braços. Se uma namorada me pedisse - nenhuma se atreveu até à data -, eu ia com ela a uma discoteca, pagava-lhe as bebidas, "dançava" com ela (cronometrava o tempo que passaria até ela sentir vergonha de estar comigo). Mas nunca, nem por um momento, me sentiria confortável. Os meus amigos sabem disso: das poucas vezes que, finda a noite no Bairro Alto, sugeriram irmos para uma discoteca, ouviram a resposta "bom, divirtam-se então. Eu vou até casa." Sim, eu sei. Sou um chato.

Isto a propósito deste post da Teresa Ribeiro, ali no Delito. Por melhor que fosse a companhia, eu jamais entraria - entrarei - num restaurante vegetariano. Nem por me sentir desconfortável, mas por me sentir mesmo esfomeado. Não há companhia que valha a tortura da comida vegetariana. Falem do que quiserem, eu respondo com migas e entrecosto.

john

18.3.10

Nem sei que título hei-de dar a isto,

e o editor de texto do blogger, esperto, até me diz que já escrevi este título antes. Se calhar devia iniciar uma série, que seria uma excelente forma de disfarçar a minha crónica incapacidade para criar títulos. Enfim. No blogue da Revista Ler, encontro um post sobre o "1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da S.P.A.", ilustrado com o programa do referido "encontro". Tudo normal. Só não acho muito normal - enfim, é a minha interpretação - ilustrarem o dito programa com uma imagem de Alice in Wonderland, o clássico livro de Lewis Carroll. Há uma insistência em classificar Alice in Wonderland como "literatura infantil" ou "literatura infanto-juvenil". Por mais graça que uma criança ache ao Coelho, ao Humpty Dumpty ou mesmo ao Gato de Cheshire (ou a qualquer outra personagem), não alcança o significado da complexa narrativa non-sense de Carroll. Aliás, nem estou certo de que non-sense seja um termo correcto neste caso. Alice é uma obra demasiado grande para ser metodicamente arrumada nas prateleiras do "infantil" das nossas pobres livrarias. Mas, verdade seja dita: não se pode esperar muito de um "mundo literário", ou de um "mercado livreiro", que arruma a maior parte (toda?) a literatura de fantasia na secção "juvenil".

john

17.3.10

Red Light

Um país onde se discute a localização de uma prova de avionetas, é: .

jtf

16.3.10

Kill them with kindness*



*roubado. Confesso que electrónica continua a não ser muito o meu estilo, apesar de saber distinguir boa música electrónica de má música electrónica. Acho eu. Espero eu. Enfim, há coisas de que até gosto, mas que não entram no meu leitor de mp3. Mas se a ideia é "kill them with kindness", então proponho um meio termo, por assim dizer: Blasted Mechanism, a melhor banda portuguesa.

john

15.3.10

Os lugares felizes

Normalmente, este post não teria lugar aqui, pois o Jardim não costuma albergar (da minha parte, entenda-se) textos deste género. Isso costuma entrar num certo blogue pessoal. No entanto, abro aqui uma excepção.

Não é forçoso que o regresso a um lugar onde se foi feliz seja trágico, ou pelo menos negativo. Isso, como tudo na vida ( e perdoem-me o momento La Palisse), depende um pouco dos lugares e em larga medida das pessoas. É como aquela história de se ficar amigo das ex-namoradas: para a maior parte das pessoas é algo muito estranho, para não improvável, enquanto para mim é a coisa mais natural do mundo. Acontece. Da mesma forma, eu não gosto de regressar aos lugares onde fui feliz. Até iria mais longe: Não gosto de regressar aos lugares onde fui. Onde vivi. Onde algo aconteceu, algo de significativo que tenha mudado algo em mim, por mais pequena que essa mudança tenha sido. Exemplo: desde que vivo em Lisboa já mudei de casa seis vezes. A vantagem evidente destas constantes mudanças é conseguir eliminar memórias espaciais. Ou antes, conseguir eliminar a fonte dessas memórias. O quarto onde durmo actualmente não tem qualquer ligação emocional ao meu passado. A minha irmã habitou, há coisa de um ano, uma casa onde eu já tinha morado antes dela. Todas as visitas que lhe fiz foram estranhas. Era desconfortável entrar no quarto dela, que antes fora o meu. Estava tudo arrumado da mesma maneira. Ou antes, estava tudo arrumado (porque no meu tempo a desarrumação reinava). Mas era estranho estar no quarto dela, que fora meu, e não sentir o cheiro a tabaco. Era impossível sentar-me na cama e não me lembrar - perdoem-me - de todas as fodas que aquela cama conheceu no meu tempo (e no tempo de outra pessoa). Como é impossível eu visitar uma ex-namorada em casa dela e não me lembrar de uma carrada de coisas, apesar de ter tudo resolvidinho dentro da minha cabeça, de sermos amigos e tal (a sério; sei que isto é esquisito). Há sítios que nos marcam, e como é bom de ver pelo rumo que o texto levou, parece-me a mim que é nas questões amorosas que o espaço ganha maior relevância - e é em termos amorosos que a expressão "não regressar aos lugares onde fomos felizes" é relevante. Isto não acontece na amizade. Se dois amigos de infância visitam o lugar onde cresceram, há nostalgia. Se dois ex-amantes visitam o lugar onde se beijaram pela primeira vez (sensação de facto indescritível, e, acrescento, inesquecível), há a mesma nostalgia, mas existe tambem um bocadinho de desconforto. No mínimo. Sei que ao longo deste texto entrei em várias contradições, mais ou menos óbvias, mas acho que o tema a isso é propício.

Há para mim uma excepção: um lugar onde fui feliz, ou de certa forma feliz, e ao qual gosto sempre de regressar. A minha aldeia, a aldeia onde cresci e onde vivi até aos dezoito anos. Mas convém fazer uma ressalva: eu nunca tive um envolvimento amoroso com alguém da minha aldeia, ou mesmo na minha aldeia. A aldeia é por isso um lugar neutro. E provavelmente o único lugar que a todo o custo preservarei assim. Todos nós precisamos de um refugio. De onde veio isto agora, não perguntem.

john

Singularidades

Passou-se o fim-de-semana. Contrariamente a muita blogosfera, eu não acompanhei o congresso do PSD. Em parte porque de momento não tenho televisão, mas ainda que tivesse - entre as emissões da Sic Notícias (não sei, imagino que tenha estado lá), as séries da Fox ou a hipótese de DVD (comprei há dias Gran Torino, o melhor filme de 2009(2008?), e ainda não tornei a vê-lo), a escolha não seria muito complicada. Na falta de televisão, preferi ocupar-me com as lides domésticas, com um bom jogo de computador e, esta noite, com teatro (a sério), para variar, mas disso falarei noutro dia. Actualizo-me agora. Não sei quem ganhou o congresso, ou se era suposto haver quem ganhasse (constou-me que havia "claques", coisa que não consigo compreender se falamos de um congresso partidário). Do que toda a gente fala é de um senhor, autarca das Caldas, que pediu "um copo de vinho" (não fiquei a saber se lhe deram o copo de vinho ou não), e da "lei da rolha": de uma proposta qualquer, aprovada por maioria, que impede os militantes do partido de falar contra a direcção durante um prazo de 60 dias antes de eleições. A pena para os transgressores, constou-me, pode chegar à expulsão do partido. Enfim, um disparate, como é bom de ver. Mas não me parece ser motivo para tanto barulho, ou para tantos adjectivos soviéticos. Afinal, e como diz o comentador Jorge Reis, num lúcido comentário a este post do 31 da Armada,

(...)
7. E já agora, para serem honesto, lancem uma campanha a nível nacional para que todos os partidos eliminem, dos estatutos e da prática, a, aí sim, vergonhosa, desrespeitadora da vontade do povo, antidemocrática e paternalista usança que não deixa os deputados pensar pela sua cabeça e a que dão o pomposo nome de disciplina de voto.

E por a "disciplina de voto" (belo eufemismo), ou até mesmo por uma bancada parlamentar do partido de governo nunca contestar as decisões governamentais, não vejo ninguém a rasgar as vestes. Enfim, singularidades deste nosso Portugal.

john

11.3.10

"@"?

Apenas para informar que não vou aderir à (completamente imbecil) "moda" politicamente correcta (passe a redundância) de eliminar o género, normalmente masculino, das palavras durante o texto, substituindo "o" por "@", como se o símbolo "@" valesse qualquer coisa fora de um endereço de correio electrónico por estas bandas. A língua portuguesa não é a inglesa; na dúvida, vai um masculino de carácter geral, como sempre se fez.

john

10.3.10

À rasca

Acabado o tempo da geração rasca, surge a minha geração - a geração à rasca, como li hoje não sei muito bem onde (aproveito para pedir desculpa ao autor de tão oportuno trocadilho por faltar aqui a hiperligação devida). Estamos todos à rasca, meus amigos, é sinal dos tempos, o país também anda à rasca, à deriva, enfim a qualquer coisa que nem mesmo ele sabe. Dito de outra forma, está (estamos) feito(s) ao bife: ou vai sair mal passado ou estorricado, e não vamos poder chamar o gerente, reclamar para a cozinha, pedir o livro de reclamações ou, no limite, fugir sem pagar. Nunca este país me aborreceu tanto como agora, nem naqueles meses de delírio pós-universitário, antes de começar a trabalhar, em que a única coisa que me atravessava a mona era sair daqui, ir correr mundo, descobrir-me algures do outro lado de um oceano. Ah, as ilusões, as ilusões. Hoje, aborrece-me isto a que habitualmente chamamos de Portugal. Os escândalos do Governo já me são indiferentes. Já nem tenho vontade ou paciência para seguir os constantes "desenvolvimentos", nem nos meios de comunicação social (que, de resto, há muito deixei de seguir), nem sequer nos blogues. É um circo de horrores. Aborrece ler sobre isso, quanto mais botar faladura. A oposição que interessa (PSD e CDS) é outro bocejo: o PSD entretém-se na sua tradicional, algo mesquinha e pouco entusiasmante luta fratricida enquanto espera que Dom Sebastião, encarnado em Marcelo Rebelo de Sousa (baixa fasquia) ou em Rui Rio; o CDS, em respeitoso silêncio, vela o moribundo que é o PSD (enquanto provavelmente o sobrevoa em círculos). De um lado ou de outro, não sai nada. Palavra: houvesse hoje eleições e nem sei se me dava ao trabalho de me meter no comboio e ir ao Alentejo votar. Nestes tempos, com o pivete que por aí anda, isto está bom é para a emigração (ideia sensata), para nos fecharmos em casa (quando chove) com um bom filme, um bom livro e um bom whisky; ou, se o tempo o permitir (também tem sido um cabrão, o tempo), pegar no livro e ir para uma esplanada apanhar o sol de inverno, que sabe muito bem, enquanto não se pensa no país que temos, o que sabe ainda melhor.

john

8.3.10

Alice in Wonderland,

o clássico intemporal de Carroll, só poderia mesmo ser filmado por Tim Burton e pela sua proverbial - e delirante - imaginação. Alice in Wonderland, o filme, não é a adaptação de Alice in Wonderland, o livro; ou de Through the Looking Glass, a sequela em livro. Burton atreveu-se a mais: fez, ele mesmo, a sequela a Through the Looking Glass, com o regresso de uma adolescente (e lindíssima) Alice à Wonderland da sua infância, que ela pensava ter sido apenas um sonho.

Nesta aventura, Alice volta a encontrar alguns velhos amigos - como o Coelho Branco, a Lebre de Março, o Chapeleiro (Johnny Depp), a Rainha Branca (excelente Anne Hathaway) -, a Rainha de Copas, vilã de sempre (Helena Bonhan Carter, quem mais?). E o Gato de Cheshire. Deixei o Gato para o fim porque, por algum motivo que não percebi, gostei mesmo muito dele, como há muito tempo não gostava de uma personagem de um filme deste género. Burton não fez um filme brilhante, é verdade, mas fez um filme que entretém e que recria, de um ponto de vista dark, a exuberante e non-sense Wonderland de Carroll.

Mas não consigo evitar: apesar de todos os excelentes actores que encarnam as várias personagens, nenhuma bate o Gato do Cheshire. É demasiado bom, o raio do felino.

john

Óscares

Este ano não vi os Óscares. Consta que a cerimónia já não é o que era. Isso eu não sei, pois a única vez que vi foi no ano passado (e realmente não foi nada de especial, a coisa fazia-me melhor - e mais em conta - com a Marisa Cruz a dizer os nomeados entre duas bolas do Euromilhões). Os Óscares, pessoalmente, são uma daquelas coisas com as quais tenho uma relação difícil. Reconheço-lhes a importância (ou talvez o mediatismo), mas acho a coisa demasiado "vendida" a alguns lobbies (já lá vamos).

Começando pelo início: Avatar (e James Cameron) foi o grande derrotado da noite. O James Cameron já deu ao mundo em geral e ao género de ficção científica em particular Aliens e os dois Terminator que contam, pelo que, apesar da estopada que foi Titanic, não irei dizer mal do senhor. Não acho, pessoalmente, que Avatar fosse filme para levar a estatueta: o que lhe sobra em inovação falta-lhe em densidade, apesar de não considerar o caso tão sério como muito boa gente que conheço; e, como toda a gente sabe, a ficção científica não ganha os Óscares mais importantes, apesar de ter nas suas fileiras alguns dos melhores filmes jamais feitos (2001, Blade Runner, Star Wars). Na falta do meu grande favorito - Gran Torino, de Eastwood, uma omissão inadmissível da parte da "academia" - estava a contar que este fosse o ano de Tarantino, mas não foi. Aliás, começo a duvidar que o realizador de Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Kill Bill e Inglourious Basterds venha algum dia a ganhar o Óscar de melhor realizador, ou um dos seus filmes a levar a estatueta de melhor filme. Enfim, vou ter de ir ver o The Hurt Locker, para ver se o filme vale mesmo os prémios (não duvido que seja bom). Para já, o prémio parece-me muito "politicamente correcto": de um ápice, deu-se o Óscar de melhor filme a uma película de baixo orçamento (sobretudo se comparada com o grande favorito ao prémio), realizado por uma mulher (o prémio nunca tinha sido dado a uma mulher). Espero que não tenha sido por isto, as politicazinhas de sempre, as mesmas que, por exemplo, deram no ano passado o óscar a Sean Penn, que apesar do seu grande desempenho em Milk, não o merecia: o grande desempenho do ano passado foi o de Mickey Rourke em The Wrestler. Claro que entre um wrestler e um activista gay...

Enfim, o Cristoph Waltz ganhou o Óscar de Melhor Actor Secundário. Bem vistas as coisas, este era mesmo o único prémio que me interessava.

john

4.3.10

O terço

Uma das modas mais azeiteiras que conheço - perdoem a expressão - é a moda de usar um terço (um rosário) ao pescoço, como se fosse um colar. Pelos vistos, a moda dá para rapaz e rapariga, o que apenas não piora a coisa porque, enfim, a coisa já não pode ser pior. A sério. Usar um terço ao pescoço é muito mau, quase tão mau como usar as calças abaixo do cu, ou como usar botas de borracha (sim, eu sei que virou moda feminina, mas não percebo: quando eu era miúdo quem usava botas de borracha - qual galochas - eram os pastores e os agricultores; imagino o que os meninos urbanos não riam quando viam o Ti Manel com umas calçadas). Até porque, e aposto 100 euros nisto, quem usa um terço ao pescoço não é, em 95 por cento dos casos, católico; e em 99 por cento dos casos* nem sabe rezar um Pai Nosso ou uma Avé Maria, quanto mais um terço completo. Se me perguntarem se eu sei, eu digo que sim, até porque é verdade - sem vergonha (porque havia de a ter?), já tive os meus anos religiosos, e muito sinceramente, às vezes até tenho saudades desse tempo. Não sou religioso, deixei de o ser há imenso tempo; não sei se sou crente, nem gasto tempo a pensar nisso. Mas gosto de pessoas religiosas, sobretudo nesta época em que ser ateu, e ateu militante, é chique. As pessoas religiosas (cristãs) normalmente não perguntam a um ateu "porque é que não acredita?" Mas ainda que perguntem: a primeira resposta chega. Invariavelmente. Isto para um dos ateus militantes da moda é inconcebível: se alguém se afirma como religioso, perguntam porquê dez vezes, e tratam a pessoa como se ela fosse atrasada mental. É pena. As pessoas mais positivas - felizes, mesmo - que conheci eram profundamente religiosas, tinham algures uma fonte de força que lhes valia quando tudo o resto desabava. Mas mesmo as pessoas mais religiosas que conheço não usam terços ao pescoço.

john

*reservo sempre um por cento à improbabilidade absoluta.

3.3.10

Hype dançante

Da próxima vez que alguém falar com desdém dos fenómenos literários de J.K. Rowling, Stephenie Meyer, ou qualquer outro escritor que aposte em segmentos mais "teen" e gere um hype estrondoso, por favor, lembremo-nos disto. Há coisas que me transcendem.

E em jeito de disclaimer: gostei muito de ler Rowling, abomino Meyer, e nada me move contra (ou a favor de) Bolaño. Mas hype é hype, e não percebo porque se "celebra" um e normalmente se ridiculariza outros.

john

2.3.10

Da imaginação, ou da falta dela

Aqui está um disparate, perdão, uma ideia, da autoria de um "pensador" muito famoso nos dias que correm: Christopher Hitchens. Cheguei a ela através do A causa foi modificada:

The natural universe is far too complex and frightening and impressive on its own to require the puerile add-ons of space aliens and super-weapons: the interplanetary genre made even C. S. Lewis write more falsely than he normally did.

Hitchens estaria obviamente correcto se estivesse a falar de "literatura científica"; a falar de "literatura de ficção científica" - sublinhe-se "ficção" -, a frase acima citada é um grosso disparate. Até porque:

1) nem toda a ficção científica é "interplanetária";

2) nem toda a ficção científica se baseia em criaturas extra-terrestres ou "super armas";

3) uma parte significativa da literatura de ficção científica ocorre num futuro distante do ponto de vista da vida humana, mas bastante breve do ponto de vista "geológico", "do universo", enfim, o caro leitor perceberá certamente a ideia. Não será em cem, duzentos, trezentos anos - nem sequer num milénio - que a espécie humana conhecerá significativas mudanças biológicas ou genéticas. No entanto, o que não falta por aí é ficção científica dedicada ao tema (sobretudo no que à mente humana diz respeito). Na verdade, o pouco que aprendemos com este artigo de Hitchens, cuja notoriedade advém sobretudo do facto de ser ateu (nada contra), é que o "pensador" não gosta de ficção científica, e tem uma aversão especial a C.S. Lewis. O que está muito bem; só podia era evitar dizer disparates sobre a matéria. Ficava-lhe bem.

john

1.3.10

Berlindes

É impressão minha, ou o curling, que é modalidade olímpica (!), parece realmente um jogo de berlinde com calhaus do tamanho de mangas, maior sofisticação e roupas mais ridículas que as do golfe? Sei que sou um desastre no que ao desporto diz respeito, mas num jogo de berlinde para adultos até eu era capaz de me safar muito bem (era craque em puto). Enfim, passei ao lado de uma grande carreira desportiva.

john

Restarting

jtf